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[1] Easier

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Escuto o som do despertador do celular tocando pela terceira vez, mas minha vontade de levantar continua igual a primeira vez que ouvi as primeiras notas de Clair de Lune tocando a meia hora atrás: inexistente.

Ir para a faculdade é só uma rotina, não é como se eu conseguisse me concentrar em algo.

Infelizmente, esse é um dos termos que minha irmã me impôs para que eu continuasse morando aqui, ao invés de ser arrastado por ela para a Inglaterra.

Nos últimos quatro anos tem funcionado melhor assim: ela lá e eu aqui.

Com um suspiro resignado, levanto da cama de vez.

Vou ter que encarar isso de qualquer forma, se não hoje, amanhã e assim sucessivamente. Não dá para adiar o inevitável. Além disso, eu tenho um trabalho importante para entregar hoje, que, mesmo estando com uma qualidade questionável, precisa ser entregue.

Quando já estou na metade do caminho para a cozinha, sinto uma pontada na cabeça.

Ótimo, ressaca.

Eu nem bebi tanto assim ontem, foi muito menos do que eu costumo beber nas festas, mas eu estava de estômago vazio, então é compreensível, mas muito irritante.

Como se já não fosse tortura suficiente ter que sair da cama, vou ter que aguentar isso pelo resto do dia ainda.

Sem vontade de nada, tomo um banho e me arrumo para aula, comendo apenas uma maçã antes de sair.

Já no estacionamento do condomínio, vou até o lugar em que deixo minha bicicleta guardada.

Eu tenho um carro, mas não ando nele. Só se for alguma emergência.

Desde aquele dia, meu corpo entra em colapso só de pensar em sentar atrás do volante.

Tento suprimir as lembranças que vem em minha mente, as fotos nos jornais, as filmagens do local do acidente... Era como se eu tivesse presenciado tudo com meus próprios olhos.

Mesmo que eu não estivesse lá naquela merda de dia.

— Não são nem oito da manhã e eu já me arrependi amargamente de ter resolvido levantar da porra da cama. — Resmungo para mim mesmo.

— Tudo bem aí, meu jovem? Cuidado com o palavreado, isso aqui ainda é um condomínio de família. — Não preciso nem olhar por cima do ombro para saber quem é que resolveu falar comigo, mesmo que deva estar estampado na minha face que eu não quero falar com absolutamente nenhum outro ser humano hoje, além do que sou obrigado.

— Desculpe Senhor Lee, não foi minha intenção. — Nem dirijo o olhar para o síndico do condomínio ao falar, logo me dirigindo para a saída com minha bicicleta.

Eu odeio esse cara com todas as minhas forças. Ele tem a mania irritante de sempre formular alguma frase com a palavra família quando fala comigo.

É claro que ele não tem nem noção do porque eu me irrito tanto a menção dessa palavra. Ele só acha que eu sou um mimado que mora sozinho sem trabalho e é bancado pelos pais.

Touché, amigo. Eu sou bancado pelo dinheiro dos meus pais, literalmente a única coisa que me sobrou deles. Devo ser imensamente feliz, não é mesmo? Tenho tudo que eu quero, menos uma família.

Ótimo, meu dia já começou uma grande merda.

Monto na minha bicicleta e saio do condomínio o mais rápido que posso.

O caminho até a universidade é relativamente curto, então não preciso nem de dez minutos para chegar até lá.

Não é uma universidade muito grande. Tem três prédios principais de tamanho mediano. O resultado disso é: basicamente todos os alunos se conhecem.

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