Luciano tomou outra taça de vinho. A musica harmoniosa dos instrumentos de cordas e as damas rodopiando, indo e vindo, em passos lentos nas mãos de seus cavalheiros, deixavam a representação do país entretida relaxada no lugar, desfrutando de cada detalhe do baile de casamento de um dos nobres.
Estava prestes a encher outra taça quando algo na multidão prendeu a sua atenção. Se tratava de uma dama muito esbelta de cabelos loiros e vestidos azuis, dona de um olhar persuasivo e um sorriso que lhe pareceu muito familiar ao jovem império. Ela passava elegantemente no meio de todos como se procurasse alguém em especial.
O moreno não acreditou no que viu, desviou o rosto para conter o riso incrédulo. Negou com a cabeça lentamente, depois se levantou imediatamente balbuciando desculpas aos companheiros que sentavam ao lado.
— Ora ora, o que uma jovem tão bela faz no meio dessas pessoas, só, e sem um par? —. Alcançou a moça contendo a vontade de rir através de um sorriso muito cortês.
A dama sorriu muito ao vê-lo também. Tocou o seu extravagante trage como se tratasse de ajustá-lo.
— Um negro com roupas finas? Estou tendo a honra de falar com Brasil em pessoa?
O rapaz fez uma alegre reverência se apresentando, lhe era engraçado que a moça fosse mais alta.
— Eu sou Luciano. A senhorita?
— Constanza. É um prazer coñecê-lo pessoalmente.
— Com este lindo sotaque fico curioso quanto a nacionalidade de vossemecê. Uma dama francesa, suponho — Disse divertido a vendo dar de ombros.
— Nao sou francessa meu señor, os franceses nao costumam usar o "ñe". E eu falo o "rr" muito bêm.
— Raios, como sou péssimo em reconhecer um sotaque —. Bateu na própria testa sem perder o bom humor. — Mas não posso dizer o mesmo da dança. Eu teria alguma chance com esta jovem estrangeira? —. Ofereceu sua mão em um gesto convidativo. A mulher loira sorriu curto elevando a mão enluvada sobre o queixo: decidindo. Era difícil resistir ao pedido, os músicos estavam tão inspirado que pareciam ter o poder de controlar os passos de todos alí presentes como se fizessem parte dos seus instrumentos. O pianista estava de parabéns.
— Nao teño certeza se quero dançar com o señor —. Lhe deu um empurrãozinho com as mãos. — Estás tao bêbado que capaz que vomite em meu belo vestido —. Desdenhou em um sorriso que fez o moreno perceber que estava atuando. Recolheu a sua mão fingindo estar ofendido com aquela maneira meio afrontosa de falar.
— Ora, não é como se eu estivesse tão bêbado assim.
— Nao? Juro que te vi cambaleando até aqui igual a um porco gordo. Teño medo de que te desmayes. Permita-me acompañarte até os teus aposentos.
Luciano a olhou surpreso um pouco, depois espiou em volta para se certificar de que não prestavam atenção neles.
— Tem certeza?
Ela sorriu piscando para ele que revirou os olhos sorrindo curto.
— Está bem.
Luciano a acompanhou até um dos quartos daquela mansão e se trancou junto a ela alí. Ficou um tempo olhando para a porta, depois lhe lançou um olhar sorridente que se quebrou em uma gargalhada que contagiou a compañia, riram até doer a barriga e faltar fôlego. Mesmo Luciano que tratava de passar uma respeitosa ou intimidadora imagem, por se tratar de um império, não conseguia conter a própria personalidade perto daquela figura presente no mesmo quarto que ele, simplesmente não conseguia parecer sério como de costume.
KAMU SEDANG MEMBACA
Mi Lua & Meu Mar
RomansaDurante a época em que o Brasil era um império, o reencontro de Luciano e Martín era sempre complicado de se acontecer por conta dos conflitos e desentendimentos políticos frequentes. Por esta razão que cada vez que tinham a chance de se encontrar u...
