O PACTO DE SILÊNCIO e as VÍTIMAS DE ABUSO SEXUAL

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Recentemente foi noticiado nos jornais de grande circulação, que o autor do estupro da menor de 10 anos encontrava-se escondido na casa de familiares no momento de sua prisão, mesmo com o conhecimento dos atos de estupro recorrentes por ele praticado, assim como, da atrocidade e da maldade que permeiam este ato, porém, sob o argumento infundado e inescrupuloso do laço de sangue o acobertam, e infelizmente, nos dias atuais essas notícias com frequência estampam as páginas dos jornais.
Conforme foi noticiado, os estupros já aconteciam há quatro anos, e portanto, é importante discorrer sobre o pacto do silêncio, visto que,  é algo bastante habitual quando se trata de crimes sexuais, principalmente, quando há envolvimento de um familiar próximo ou não tão próximo assim, e, frequentemente as vítimas de estupro ou das tentativas cometidas por alguém que carrega seu sobrenome ou que entrou para a família, não encontram apoio das pessoas que deveriam nesse momento de dor acolher a vítima e responsabilizar quem cometeu o crime.
Pelo contrário, é costumeiro ouvir das pessoas do convívio familiar mais próximo, ou seja, das pessoas que teoricamente são confiáveis as seguintes frases: “não conte isso senão vai acabar com a vida dele”, “não conte isso senão vai acabar com vida da mãe dele”, “coitado ele fez isso sem querer”, “nossa o que vão pensar da nossa família”. Outrossim, é importante mencionar que na maioria das vezes a vítima torna-se na visão de seus familiares a verdadeira culpada pelo abuso sofrido e novamente escuta frases como: “se ele fez isso é porque você deixou”, “você é uma mentirosa ele apenas estava de dando carinho”, “você é maldosa vai destruir a vida dele”, “você tem raiva dele e por isso quer acabar com a vida dele”, “você não presta sai com todos homens”.
E com essas palavras a vítima que já tenta achar um porque daquilo ter acontecido com ela, passa a criar em si a falsa ideia de que realmente é culpada e passa a temer as consequências “terríveis”  que aquele abusador possa vir sofrer, ou ainda, alimenta a falsa ideia de que se as próprias pessoas da sua família não acreditaram nela, como poderá um estranho acreditar?  Assim,  essa vítima que já sofreu no próprio corpo e no seu emocional um dos piores crimes que pode ser cometido contra a dignidade da pessoa humana, sofre ainda, ameaças deste abusador, que geralmente age como se nada tivesse acontecido, afirmando para essa vítima que este abuso seria mais uma loucura de sua cabeça.
Essas vítimas, AINDA são “forçadas” pelos seus familiares, justamente os que deveriam oferecer segurança e confiança, a continuar convivendo com o abusador sob um pacto de silêncio, enfrentando mais uma violência psicológica, sendo forçada a acreditar que pedir justiça é um algo errado e que isso traria sofrimento ao abusador, sendo obrigada a ignorar o fato de que por ele foi ferida.
Sem dúvidas, essa é uma triste e cruel realidade, pois, é incontestável que àquela vítima deveria se sentir acolhida e segura, para contar sobre os abusos sofridos aos seus familiares, assim como, para a sociedade, para a polícia, e consequentemente ao poder judiciário, na tentativa de evitar que a conduta do agressor se perpetue contra ela e até contra novas vítimas. 
É muito importante que todo ser humano tenha confiança e segurança nas pessoas do seu vínculo familiar, e em especial nas situações de abuso sexual, pois, somente assim a vítima do abuso físico e mental possuirá forças para seguir em frente e acima de tudo denunciar esse “mostro”. 

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⏰ Ultima actualizare: Aug 26, 2020 ⏰

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