25/10/2012 - 14:10

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Eu estava na sala de aula como qualquer dia normal em minha vida do ensino médio. A aula da qual não me recordo, estava quase dormindo, havia dormido mal noite anterior. Eu fiquei encarando a lousa em silêncio até dar o sinal do intervalo, sai e fui até o refeitório para ver o que tinha para comer, já que a minha fome falava mais alto.

Caminhando até lá, meus dois amigos chegam ao meu encontro e fomos conversando até o refeitório, era uma conversa descontraída, sem proposito na verdade, era um assunto sobre viagem no tempo e paradoxos:

-Vocês voltariam no tempo para mudar alguma coisa? - indagou ela

-Talvez-digo descendo as escadas do refeitório- Eu voltaria somente para mudar algo bem drástico ou evitar que algo bobo acontecesse comigo

- Viagem no tempo pode ser uma coisa perigosa- diz meu outro amigo- Já que brincamos com o passado e poderíamos mudar o rumo da história por completo

- Você fala como se você não quisesse mudar nada- Diz ela

- E não quero na verdade- Ele retruca- Tudo o que eu faço eu vou aceitar as consequências, sendo elas boas ou não.

-Bem filosófico e corajoso de sua parte- Disse minha amiga sentando em um dos bancos do refeitório- Mas tenho certeza que caso se você pudesse voltar eu teria certeza que você voltaria.

-Vai sonhando-Disse ele.

-É impressão minha ou o tempo está para chuva? - Disse eu.

-Acho que vai chover, mas isso não importa muito na verdade, já que vamos de ônibus-Diz minha amiga.

-Pois é – Digo olhando para o céu nublado.

Não demorou muito para chover, então resolvemos ir para a sala de leitura da escola. Assim que começamos a subir as escadas do refeitório, sinto a sensação de que algo não está certo, algo estava para ocorrer naquele exato momento, algo que eu nunca irei me esquecer.

Subimos as escadas do refeitório e partimos rumo a sala de leitura para descansar e até mesmo ler. Chegando lá algo não estava certo, a porta da sala estava com a maçaneta quebrada e com marcas de unha na porta:

-Vocês também estão vendo isso né? - Pergunto aos meu amigos.

-Sim- Diz os dois.

-Tem alguém ai? –Pergunto a espera de uma resposta.

O silencio predominava a sala de leitura, eu disse aos meus amigos para procurarem algum inspetor ou professor para poder dar uma olhada, mas quando eles foram ver, não tinha ninguém, somente os alunos estavam na escola:

-A única maneira de ver se está tudo bem é irmos checar a sala né? - Disse meu amigo.

-Não devíamos entrar na sala numa situação como essa- Disse minha amiga- E se tiver um louco ou algo do tipo ai?

-Alguém pode ter se machucado- Digo à ela- Temos que entrar e checar para ver se está tudo bem.

-Você é idiota? - Diz ela me segurando pelo braço- Em filmes de terror ou livros é assim que as coisas acontecem!

-Isso não é um filme ou um livro de terror- Digo para ela- Temos que entrar e ver se alguém está lá dentro e se está bem.

O silencio predominou por uns segundos, até que finalmente todos resolveram ver o que tinha dentro da sala.

Começo a tatear a procura de um interruptor, quando eu achei o tal objeto, tento ligá-lo, mas a luz não tinha se manifestado no ambiente, estava um breu:

-Alguém tem uma lanterna? -Pergunto aos meus amigos.

-Usa o meu celular- Disse minha amiga entregando o telefone dela.

Pego o aparelho e ligo a lanterna. Na primeira vez ela piscou fracamente e se manteve ligada, achamos estranho algo desse tipo de coisa acontecer, já que celulares não faziam isso. Ao entrarmos na sala nos deparamos com uma enorme bagunça: livros jogados no chão, pedaços de roupas rasgadas, sinais de luta e cadeiras caídas.

Continuamos a andar pela sala escura, os livros jogados eram os de ciência e a maioria deles falavam sobre viagem no tempo.

No final da sala, ouvimos um barulho, era o som de garras rasgando alguma coisa, algo que parecia ser tecido e outras vezes carne, à princípio imaginávamos ser um gato.

Aponto a lanterna até a origem do som e me deparo com algo perturbador. A criatura tinha escamas por todo o corpo, seu rosto tinha o formato de uma enguia com um pescoço enorme e dentes afiados, com garras gigantes que podiam perfurar a carne com facilidade, aquilo era perturbador.

A criatura tinha nos visto e começou a se levantar, não era tão grande, possuía o tamanho de um homem adulto de estatura média e em suas costas tinha uma coluna vertebral de luzes como a de um diabo negro do mar.

Tentamos correr, mas ela foi mais ágil, a sua primeira vítima foi minha amiga que corria apressadamente e morreu tentando abrir a porta, logo depois foi meu amigo que tentou ataca-la com uma cadeira caída, mas foi em vão, a criatura não sentia nada e ele teve a cabeça devorada por ela.

Eu estava em choque, mal conseguia me mexer, até que a besta pulou para cima de mim e tudo ficou preto, só conseguia sentir as garras cortando o meu corpo até sentir meu coração parar de funcionar.

Acordo suando frio, eu estava na aula de novo, só que eu tinha visto tudo aquilo: a matéria, o meu tédio e até o sinal do intervalo tocou novamente, "eu voltei no tempo?" pensei.

Então, resolvo partir em disparada para a sala de leitura e meus amigos que estavam logo atrás me alcançaram, falando do mesmo assunto:

- Vocês voltariam no tempo para mudar alguma coisa? - Indagou ela novamente.

-Viagem no tempo pode ser uma coisa perigosa- diz meu outro amigo- Já que brincamos com o passado e.....

-Gente- Interrompo- Vocês não perceberam que acabamos de ter a mesma conversa agora à pouco?

-O que você tá falando? - Pergunta minha amiga confusa

-Esquece- Digo- Tenho que ver uma coisa, nos vemos no refeitório.

-Tá- Diz ela espantada- Não demora.

Corro em direção a sala de leitura, a maçaneta não estava quebrada, "Será que foi um sonho?" me pergunto "Ou será que eu realmente voltei no tempo?"

Abro a porta da sala e me deparo com bibliotecária arrumando alguns livros na prateleira e os livros eram de ciência e viagem no tempo:

-Ah, oi- Diz ela- Faz tempo que você não vem aqui, pode entrar estou quase terminando.

Enquanto ela diz isso, uma mancha começa a aparecer no teto e não se parecia com nenhuma goteira. De repente a mesma criatura do meu sonho desce daquela goteira e ataca a bibliotecária, as luzes começam a piscar e tudo se torna um breu novamente.

Começo a tatear por alguma fonte de luz até que a coluna vertebral da criatura começa se iluminar e eu sei que é minha perdição, a boca da criatura se abre em forma de uma mordida.

28/10/2012: Sexta feira 15:34

Recebemos a denúncia de um assassinato a sangue frio na escola municipal da cidade, dois corpos foram encontrados dilacerados pôr o que se parece ser garras de alguma coisa bem grande, estamos aguardando atualizações da equipe Florence. Encontramos o que parece ser uma mancha escura no teto de propriedades ainda desconhecidas e odores fortíssimos de enxofre e lodo

Símbolos estranhos também foram encontrados em livros de ciências que falavam mais sobre viagem no tempo, esse símbolo representa uma espécie de cruz só que com as hastes colocadas perto do final formando pernas e com um quadrado com um "M" no meio deste quadrado.

Foi requisitado uma busca por cultos pela região para se ver se algum se encaixa com símbolo, eu apenas me pergunto quem é que fez tal atrocidade.

Fim



Nota do Autor: Esse texto é o mais curto pois foi o meu primeiro conto de cinco que ainda estão por vir dessa saga, fiquem ligados :P

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⏰ Last updated: Aug 24, 2020 ⏰

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