Noite de funeral.
Aquilo já não o animava tanto como quando era criança. Aquelas noites intermináveis nas quais brincava correndo com os primos por entre as lápides.
Tão livre, tão feliz...
Parecia ter sido ontem a noite cuja lua cheia, brilhante e convidativa aos lupinos, banhando a terra com sua luz etérea e majestosa, resplandecia no céu escuro de Nix.
Hoje não parecia uma noite tão diferente daquela.
Lua alta e cheia, em toda a sua majestade, bem no meio do escuro manto negro do céu. Parecia prometer grandes coisas.
Foram dados os últimos toques em sua gravata vermelha bordô de estampa de paisley.
Impecável, como sempre.
Um por um, os degraus da escada da mansão rangiam sob seus passos firmes e pesados. Uma constante ameaça de que poderiam partir-se a qualquer momento e levá-lo para o inferno sabe onde. Parentes, amigos e convidados enchiam a casa do salão até a parte externa da mansão. Em todas as suas formas, cores, tamanhos e espécies, desfrutavam da grandiosa e luxuosa recepção.
Crianças correndo por entre as lápides, em seus gritos de fervorosa alegria inocente. Protegidos onde a maldade do mundo não os podia alcançar.
Gomez já fora assim um dia.
Ele os invejava, e, ao mesmo tempo, ansiava por pequenos como aqueles o chamando de pai. Carregando seu sobrenome e seu amor, crescendo na mesma mansão na qual ele possuia as mais belas e queridas lembranças. Os dias em que as obrigações da vida adulta não o alcançavam e que sua inocência e sentimento de completude não pareciam tão escassos.
Aos pés do Ichabod, o velho salgueiro ornado por pouquíssimas folhas secas, insuficientes para encher um único galho, repousava talvez a mais bela das criaturas.
Não, não.
De forma alguma.
"Talvez" não era uma palavra a se usar quando se tratava daquela mulher.
A mais sublime e requintada criatura. Olhos e cabelos negros como o véu de Nix das velhas lembranças de Gomez, e pele tão pálida quanto a majestosa lua.
A quem ele queria enganar? A lua, aquela que agora já não passava de um mero satélite que orbita a terra em sua concepção, já não mais possuía tal majestade.
Não enquanto aquela cuja beleza era indizível jazia em sua frente.
As pernas de Gomez pareciam moverem-se por conta própria, levando todo o seu corpo em direção a ela, tal qual um imã.
Ele quase não percebera o pequeno Lumpy, seu priminho de apenas quatro anos de idade, correndo em sua direção.
Seu pequeno rostinho distraído fora de encontro as pernas de Gomez, o assustando tanto quanto ao rapaz.
"Ugh! Desculpa, primo Mez! Estou fugindo do primo Victor." Declarou ofegante. Em suas mãozinhas minúsculas jazia uma pá, a qual Gomez reconhecera como uma das pás que guardam para as crianças no sótão. Aquilo devia ser obra de sua mãe, Eudora.
"Sem problemas, meu rapaz." Gomez afagou seus cachos ruivos, vendo-o sumir por entre as lápides em sua correria infantil e despreocupada. Aquele pequeno momento foi suficiente para que a atenção da jovem dama se voltasse para ele. Ela abrira o mais belo dos sorrisos para o pequeno que fugia, seguindo seus pequenos passinhos com olhos atentos e amorosos.
"Eles crescem tão rápido, não?" Sua voz aveludada e grave na medida certa ressoaram, chegando como plumas ao ouvido de Gomez.
Por toda a profanidade existente no mundo e além, ele não queria existir mais um dia sequer sem ouvir aquela voz. Que os sete palmos o engolissem se houvesse a impossibilidade de que isso viesse a acontecer.
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꧁𝙽𝚘𝚞𝚜꧂✦𝓜𝓸𝓻𝓽𝓲𝓬𝓲𝓪 𝔂 𝓖𝓸𝓶𝓮𝔃✦ reescrevendo
FanfictionUm garoto, uma garota, uma cova aberta e... Oh, um casamento arranjado. short fic 🚫plágio é crime! 🔞contém partes inadequadas para menores de 18 anos.
