Ela estava cansada. Cansada demais até para reclamar com o homem que dirigia em direção ao próximo fim do mundo que os dois se enfiariam numa tentativa falha de se esconder.
- Estamos chegando, Tris. – Ele anunciou após notar a garota encostar sua cabeça na janela do carro de forma derrotada. Odiava-a vê-la assim, tão... derrotada.
- Eu sei Jonas, eu ainda ser ler. – Beatrix respondeu apontando para a horrenda placa que anunciava "A cidade de Forks lhe dá boas-vindas".
O asiático revirou os olhos e bufou. Ao menos o humor ácido dela continuava o mesmo, isso era um alívio, pois era a única constância que ele parecia se agarrar. Sabia que aquela vida de fuga estava drenando tudo dos dois e era por isso que decidiu ir para Forks, mesmo contra os protestos de Beatrix alegando que "nunca tinha ouvido falar dessa cidade".
Mas Jonas já e ele sabia que qualquer um pensaria duas vezes antes de ir atrás deles nessa terra.
Ele estacionou o carro em frente a nova casa temporária deles, que havia conseguido alugar sem a necessidade de documentação ao sugerir um preço acima do que realmente valia. Beatrix ajeitou seus cabelos negros atrás da orelha e tentou abrir a porta do carro, mas o mais velho a trancou, impedindo sua saída.
- Quais as regras? – Jonas questionou sério.
Beatrix cruzou os braços e o encarou irritada.
Ela sabia as regras, não precisava de todo aquele estardalhaço. Ela estava cansada e só queria dormir.
- Não usar meus poderes ou eles saberão onde estamos. – Respondeu ela e apontou para fora. – Posso ir agora?
- Se sabe que não pode usar seus poderes, por que seus olhos estão verdes?
Ela havia se esquecido disso, passava tanto tempo usando seus poderes para pequenas coisas que esquecia diariamente que a magia deixava rastros – nada era de graça, nada vinha atoa.
Beatrix fechou seus olhos tentando se concentrar, sentindo a magia fazer cócegas em suas pálpebras e quando abriu novamente, soube que eles deveriam estar em sua tonalidade castanho escuro, pois o clique na porta sugeriu que Jonas estava a libertando.
Ela não se importou em analisar a casa por muito tempo, faria isso quando estivesse mentalmente pronta. Após três dias de fuga, ela só precisava de uma boa noite de sono.
☪
Beatrix
A casa era simples, mas muito bonita. Dois quartos, dois banheiros, uma sala confortável e uma cozinha – tudo já mobiliado, cortesia do locatário que ficara incrivelmente agradecido pela quantidade de dinheiro pago adiantadamente.
Eu sempre podia contar com Jonas para cuidar de absolutamente tudo e me sentia incrivelmente mal com tudo isso. Ele poderia ter fugido sozinho após tudo aquilo acontecer, mas ele pegou minha mão e me levou consigo. Era injusto eu deixá-lo fazer absolutamente tudo sozinho.
Por isso, assim que acordei e o encontrei tentando arrumar a fiação da geladeira que parecia estar com problemas, sugeri:
- Posso ir no mercado comprar nossos mantimentos.
Jonas se virou, completamente chocado e largou a ferramenta em cima do balcão correndo para checar minha temperatura. Rolei os olhos.
- Beatrix Evanora está se oferecendo para fazer algo útil uma vez na vida!
Bufei e mostrei a língua para ele de forma infantil.
Mesmo que eu já tivesse 18 anos, Jonas e eu sempre discutíamos como se estivéssemos no primário.
- Esqueça. – Ralhei, já me arrependendo de ter levantado da cama.
- Eu ficaria muito grato se você pudesse fazer as compras. – Ele disse e virei somente metade do meu corpo. – Se você prometer não bater o carro novamente.
Sorri travessa e corri para pegar a chave no bolso de trás da calça dele.
- Não prometo nada.
☪
O mercado não foi difícil de achar. Na verdade, eu adorava fazer compras – não apenas de roupas e sapatos – sempre achei muito terapêutico a arte de comprar qualquer coisa.
Enquanto colocava as coisas no carrinho, pensei em tudo que estava acontecendo. Na Guerra que meu coven estava vivendo enquanto eu estava brincando de esconde-esconde entre os continentes. Já fazia quase dois anos que estava correndo de cidade a cidade, estado a estado, país a país – sabia que eles nos achariam, então fiquei muito surpresa quando Jonas sugeriu uma cidade pacata e chuvosa como essa.
Coloquei as compras no porta-malas do sedan e o fechei com mais força que o necessário.
Eu iria ser mais útil dessa vez, dependeria menos de Jonas e controlaria meu humor ácido dentro da boca, eu devia a ele ao menos uma tentativa.
Ajeitei aquela mecha teimosa de cabelo de volta atrás da orelha e me coloquei a caminho para deixar o carrinho de compras em um lugar seguro, mas então, senti o baque.
O carrinho saiu rolando e eu gritei quando a roda do carro passou por cima do meu pé após a traseira dele ter me derrubado.
Gritei. Pai amado. Socorre.
O carro brecou e duas figuras saíram do carro com os olhos arregalados.
- Filho de uma... – O xingamento morreu em minha boca quando o homem pálido se ajoelhou ao meu lado com a boca entreaberta, me olhando de cima a baixo.
Céus, ele era... lindo.
Pálido para um cassete. Mas seus cabelos dourados e olhos levemente dourados combinavam demais com as roupas pretas que ele estava usando. O outro homem se aproximava em uma velocidade impressionante, esse era grande como um cavalo – parecia dois homens, um montado no outro, de tão grande.
- Você está bem? – Seu sotaque atraente me despertou dos devaneios e eu voltei a gritar, abraçando meu pé.
- É claro que eu não estou bem, seu imbecil! – Exclamei, sentindo as lágrimas caírem de meus olhos. – Como você conseguiu me atropelar assim?
Ele abriu e fechou a boca várias vezes.
- É, Jasper, como você conseguiu atropelar alguém assim? – O outro homem perguntou levemente divertido.
Jasper, o loiro lançou um olhar indecifrável para o outro.
- Meu irmão anda com a cabeça no mundo da lua desde que a namorada dele deu um pé na bunda dele.
- Eu não ligo, me levem para um hospital.
O grandalhão – que eu ainda não sabia o nome – me pegou no colo estilo princesa e me depositou no banco de trás do carro que eles estavam. Ele voltou para o banco do carona, enquanto o loiro entrava no banco do motorista.
- Peraí, ele vai dirigir? – Perguntei, ultrajada. – A julgar que ele atropelou uma pessoa num estacionamento, imagine dirigindo.
Seus olhos dourados se apertaram ao me encarar pelo retrovisor. Acho que toquei no ego dele. Sinceramente? Não ligo. O idiota conseguiu me atropelar. O "muralha" deu uma gargalhada, pendendo a cabeça para trás e eu senti meu pé latejar mais uma vez.
Estava prestes a gritar de dor novamente, quando Jasper se virou repentinamente e segurou minha mão. Que raios? Entretanto, uma calma me atingiu imediatamente, como se ele fosse um monge tibetano.
- Está tudo bem. – Ele disse.
- Está tudo bem. – Eu repeti, realmente sentindo que tudo estava estranhamente bem, como nunca esteve em toda a minha vida.
Ele se virou novamente e saiu em disparada para o que julguei ser o hospital.
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Hysterical Moon ☪ Jasper Hale
FanfictionBeatrix estava cansada de viver em fuga. Sempre que colocava seus pés em uma cidade, precisava pegar suas coisas e fugir novamente. Por isso não acreditou que ficaria por muito tempo naquela pequena cidade abandonada pelo sol - e só por conta disso...
