Amanhecia e eu ainda não havia dormido, escutava a natureza espreguiçar, os primeiros raios me atingiram em cheio, era claro demais n conseguia enxergar entre caretas lágrimas escorrendo, saí de cima do telhado, a noite passada foi fria mas a teimosia e falta de sono fizeram companhia às telhas da casa, já podia até sentir o resfriado vindo, mas enquanto não chegasse, era melhor nem falar nada para minha mãe.
Aquele vale onde eu morava era como um cantinho de paz para mim, os vizinhos eram idosos sistemáticos que não gostavam de muita conversa, e bem, as únicas coisas que faziam barulhos por lá eram a cachoeira que tinha no fim do vale e os animais; as mimosas ou em seu nome popular, vacas, sempre me faziam pensar bastante "será que esses olhos me olham por curiosidade ou pelo simples fato de não irem com minha cara" e eu realmente podia passar o dia todo olhando para as vacas e eu ainda sim não conseguiria responder essa questão.
Minha família não tinha muitas terras, na verdade era bem pequeno o vale, mas era aconchegante. De início a ideia de ter uma chácara não passava pela garganta, meio que a cidade é bem mais atrativa e movimentada, não queria ter que percorrer 16 quilômetros todo dia para ir até a cidade apesar da cidade também não ser grandes coisas, já que, era pequena e as pessoas eram reconhecidas por serem filho de alguém e todo mundo saber quem eram seus pais não te dava muita liberdade.
A cidade natal onde morei se chamava Pedreira, em Minas Gerais, mas era há 3 horas da divisa com o estado do Rio de Janeiro então não da para considerar como interior de Minas Gerais, voltando ao assunto principal, agora moro na zona rural da cidade o que tecnicamente deixou minha vida social mais monótona, as pessoas vendo que você não pode mais oferecer curtição se afastam rapidamente, o que me restou foi aceitar esse fato.
Essa solidão não me afeta até porque percebi que não eram realmente meus amigos, atualmente me refiro a eles como parasitas sociais, até faço piada. Eu também não perdi todos meus amigos, sobraram dois ou três.
Meu melhor amigo estuda em uma outra cidade maior, Rouxinho, olho para ele e consigo ver um futuro perfeito, estudamos juntos a vida toda, mas nos separamos no primeiro ano do ensino médio já fazem dois meses desde que isso aconteceu, mas não é hora de pensar no passado.
-Ravena, para de olhar pro lago e arruma o seu quarto! Aonde você está com a cabeça?
E novamente eu me perdi dentro da minha própria cabeça, já passa das 10 horas da manhã, assim começa a correria de todo dia, arrumar casa, cuidar do almoço, arrumar cozinha, cuidar dos animais, quando vejo já tá tarde e nem aproveitei o calor do verão.
No fim de semana eu fui encontrar Valério, o meu melhor amigo e melhor amigo do meu namorado, estava com tantas saudades, era para o Tomás ter vindo também, soube que teve ficar em Rouxinho, com a vó, já era uma senhora de idade, eu seria um monstro se o obrigasse a vir passar o fim de semana comigo. Ele devia estar exausto com a nova rotina, estudando num dos melhores colégios.
Valério tinha mudado bastante, de um garotinho de cabelo quase raspado e gordinho para um cara de 1,80 de altura, com um lindo cabelo castanho escuro com cachos nas pontas, e bastante magrelo. Fazia algum tempo que não o via, faziam mais de 3 meses.
A gente se encontrou na cidade natal nossa, Pedreira, assim ele não teria que vir até a chácara, era mais fácil para ambos. Logo que ele chegou já fui correndo abraçar ele.
- Meu Deus, como você tá diferente, nem parece o mesmo Valério.
- acho q foi um elogio. Certo ?
Ele parecia meio sem graça. Estava bem estranho para falar a verdade.
- aconteceu algo?
Eu perguntei, e a resposta foi:
- Você já tá sabendo né?
- Sabendo do que?
- O Tomás, ele não pode vir por causa da avó, pelo o que fiquei sabendo.
- Você não sente saudades não?
- ah, sinto. Você sabe como é, eu não posso pedir para ele viver a vida preso a mim.
- Deve ser complicado o namoro de vocês.
- Ah, só sinto saudades, mas estou bem.
Ele estava com a cara do tipo de quem não acredita no que disse. Eu reafirmei:
- Sério! Não precisa se preocupar.
- Ravena, quem muito precisa afirmar, só acaba transparecendo o contrário.
A gente andou mais um pouco pela praça principal de Pedreira, até que ele me pergunta?
- Fez novos amigos?
- Bom... até que fiz sim, mas sinto falta de vocês e da Alicia.
Nos dois últimos anos do fundamental, eu estava num grupo de quatro amigos, eu e Tomás tomávamos um casal, Valério e Alicia o outro. Com a mudança de escola, cidade vários outros problemas, a Alicia se mudou para uma outra cidade que ficava há à duas horas de Pedreira, o que destruiu o namoro dos dois e também afastou um pouco nossa amizade.
Valério faz uma cara vazia e disse:
- A Alicia nunca mais falou comigo depois do último dia de aula.
Para amenizar a situação eu disse:
- Foi sofrido ver isso acontecer com vocês, mas eu tenho certeza que em pouco meses essa ferida aí no seu peito vai sarar.
O resto do encontro nós ficamos conversando sobre as novidades, rimos bastante e foi bem nostálgico o reencontro.
Voltando para casa, peguei um táxi, quase na saída da cidade Tomás me liga.
- Oi meu amor, desculpa não ter ido, sabe como é né.
- Sem problemas, escuta, eu tô saindo de Pedreira, talvez perca o sinal daqui a pouco.
- Ah, conseguiu ver o Valério?
- Consegui sim, mas ele tava bem chateado, você podia dar um apoio para ele, já que atualmente você é mais próximo.
- Claro, mas é só um coração partido, vai passar rápido.
- Não faça pouco caso ele...
Fui interrompida.
- Meu doce, estar um pouco.
No fundo escutei uma voz, não entendi nada porém nao me preocupei, o sinal acabou caindo, então segui o resto da viagem conversando com o taxista.
As semanas foram passando, eu levava a vida normalmente, toda noite conversava um pouco com Tomás, ele parecia estar bem feliz em Rouxinho, as vezes ele vinha passar o fim de semana aqui em casa. Já estava e habituando a nova rotina.
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O Que Meus Olhos Veem
RomanceRavena tem que se acostumar com a separação do grupo dos quatro, mudança do fundamental para o ensino médio vai abalar todos em sua volta, novas amizades, descoberta do efeitos do álcool, vestidos curtos e novos amores tudo isso vai cair em cheio na...
