O tom amarelo claro da parede transmite tranquilidade rotineira e meus olhos vagam tristemente por cada partícula possível de se observar, buscando poder enxergar apenas aquela cor em meus futuros dias, desejando ficar ali para sempre ou pelo menos por enquanto.
Qualquer coisa que me impedisse de viver a realidade miserável que escolhi para mim.
A cor se intensifica em minha mente dando a possibilidade de viajar para longe; me via em um céu amarelado, iluminado pela luz do sol, onde eu estava sozinha. Eu queria isso, estar sozinha é exatamente o que preciso. Nada ouvir, nada sentir. Viver sozinha ou simplesmente não existir. Não suporto nem o som descontrolado de minha respiração que, por sua vez, parece um vulcão em erupção nem prendendo aqui. Eu preciso sumir ou ao menos fazer com que minha mente vá para um lugar distante, mas eu mesma me condeno a não encontrar paz, e a melhor alternativa no momento é me insultar por c.a.d.a. decisão que tomei nos últimos 14 meses. Me insultar virou um Hobbie. Ah, nossa! Eu sou extremamente idiota... sou tão burra, tão idiota, tão besta, tão troux...
- Aqui. - Diz Amélia me entregando uma xícara com chá quente.
Minha atenção é voltada à xícara e a pego com hesitação. Logo sopro lentamente sobre o líquido quente contigo naquela porcelana minúscula e elegante. Fico em silêncio enquanto Amélia se senta na cama com uma xícara de café em suas mãos. Apesar de seus cabelos estarem bagunçados, de seu pijama ridiculamente grande e seus olhos estarem pequenos e fundos pelo cansaço, pálida que nem um palmito, Amélia continua sendo perfeitamente perfeita.
- Seu pijama tá muito grande. - digo tentando parecer tranquila enquanto recebo seu olhar de espanto e alívio por trás da xícara de café.
- Nossa, você notou... - diz ainda me olhando e logo toma um gole para dizer - não é sempre que estou em um spar onde todos estão praticamente nus durante todo o dia. Ontem vi um homem só de cueca passeando pelos corredores como se estivesse em casa. Estar com esse pijama - diz segurando uma parte da calça com tom brincalhão para diminuir a tensão - me torna uma pessoa inesquecível aqui - diz sorrindo - além de misteriosa. - concluí me olhando de forma maliciosa para logo depois abrir um sorriso enorme em seus lábios.
Amélia, além de minha prima, é a melhor definição de amiga. Sempre que faço uma burrada ela está lá para rir e dizer: "você é doida, mas te amo" enquanto me lasco e a faço presenciar tudo. Mas não é sempre que faço burradas, na verdade nunca havia feito até aceitar namorar com Macaulay. Essa é a minha maior burrada, arrisco dizer que é a única também, porque todas as outras besteiras que fiz encaro com aprendizado. Mas essa... ah, a vejo com desprezo e a única coisa que sinto é arrependimento. E o pior é que sou incapaz de acabar com tudo isso. Macaulay também não o fez.
Casamento é algo lindo que sempre sonhei e Amélia sonhava também, mas com mais realidade que eu. Sempre pés no chão. Eu imaginava que seria algo lindo... perfeito. Eu ia casar com um homem perfeito. Um homem que eu amava... Que eu fosse apaixonada. Era isso que sempre esperei de um casamento. Eu esperava amor.
Planejei cada detalhe ainda quando tinha 14 anos de idade, sonhando com contos de fadas enquanto Amélia dizia: "Vou amar casar! Mas vou pensar nisso só com meus 30 anos", pois bem, hoje tenho 21 anos de idade e ela 22; ela é extremamente apaixonada por Pedro e está quase o intimando a morarem juntos e eu, bom... Casarei-me daqui 11 horas.
Amélia me acompanhou na noite de insônia; uma noite que parecia não ter fim, uma noite de arrependimento, uma noite de lamentação e receio. Se tivéssemos parado com isso a tempo estaríamos agora em alguma churrascaria se acabando de comer. Mas para nossa felicidade estamos casando. E se eu fugisse?
Hoje é meu casamento e nossa! Quão estranho é isso. Não acredito que vou casar. Neste mesmo dia à noite não serei mais uma jovem "solteira", mas sim sim uma jovem senhora e uau... De todas as burradas que fiz essa é a que tem consequência maior. Vou me casar.
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Depois Do Sim
RomanceÀs vezes, encarar as consequências de nossas escolhas tolas nos trás grandes recompensas ou apenas aprendizado. De qualquer forma, temos que encarar. Quero te convidar a viver, se emocionar e sentir esse Romance comigo. Quero dedicar esse livro às...
