Numa tarde escura e chuvosa, onde quase não era possível ver o sol brilhando sobre um bosque, completamente cercado por árvores de todos os tipos, em que até mesmo os animais estavam se escondendo da chuva, se podia ouvir passos cansados de uma pequena figura, que outrora correu desesperadamente procurando ajuda, após um acontecimento que havia o traumatizado, e que agora tenta juntar todas as suas forças para continuar andando. Infelizmente tudo tem um final, até mesmo toda coragem que a criatura carregava.
Aos poucos aquela pequena figura ia se revelando uma criança machucada e que aparentava ter suas ultimas esperanças se esvaindo do mesmo modo que as folhas das árvores ao seu redor caiam com a forte chuva que começava a ficar cada vez mais intensa, assim como o liquido de cheiro metálico saia de suas feridas abertas e se espalhava cada vez mais pelo seu pequeno e frágil corpo. Desta forma a criança foi tomada por um incrível cansaço e a adrenalina que conteve seus movimentos durante horas, em fim acabou, o fazendo desmaiar em uma enorme poça d'água, que havia se formado graças à chuva que caia há vários dias, fazendo com que as gotículas de agua escorressem por seu rosto pálido, deixando seus cabelos negros brilhantes encharcados.
Algumas horas depois aquele mesmo menino estava começando a acordar de seu grande sono, mas percebera que ele não estava mais no mesmo lugar na qual havia desmaiado. Mesmo ainda tonto ele se levanta e tenta entender onde ele estava. Era um quarto, que parecia aconchegante, o garoto estava deitado em uma cama quente, porém estranha a seu ver, já que não a reconhecia; havia roupas secas ao seu lado, como se fossem para ele colocar, sendo assim o menino tirou suas roupas sujas e colocou as novas. Quando terminou de se trocar, alguém bateu na porta do quarto em que estava:
-Com licença rapazinho, eu poderia entrar?
O garoto ainda estava assustado, não tinha ideia de onde estava, mas mesmo assim tomou coragem para responder à estranha com que se deparava.
-Po... Pode, eu acho que pode. – disse com a voz tremula. Ele temia o que poderia acontecer. Já estava traumatizado com o que se passou no seu passado não tão distante. Mas sabia que teria que enfrentar seus medos e seus pecados, porque foi isso o que seu pai o havia ensinado.
Quando a porta se abriu o garoto pode ver que a pessoa que estava atrás da porta era uma adorável idosa aparentando ter seus setenta anos, vestia um vestido cor de rosa, com pequenas flores brancas, com cabelos brancos como papel, pele pálida e enrugada, olhos de azul reluzente como um céu limpo de nuvens, o que marcava sua baixa fisionomia de senhora.
-Onde estou?
Perguntou Samuel confuso.
-Nas regiões de Temeluch.
-A... Desculpe-me eu me chamo Samuel Bretton, e a senhora?
-Bretton? Já ouvi esse nome antes! Eu me chamo Clara Willians, mas um garotinho tão jovem como você, pode me chamar de vovó Clara. Vamos me diga Samuel, o que um menino tão novo como você, naquele estado, fazia em uma floresta, ainda mais na época de Umbra?
-Faz sentido você conhecer meu sobrenome, meu pai é um médico muito conhecido, seu nome é Adam Bretton, mas primeiramente, eu nem sou tão novo assim, eu já tenho 13 anos – Respondeu com o rosto fechado – E em segundo...
-Pode confiar em mim, só estou tentando te ajudar. Eu estava voltando para casa, quando encontrei você desmaiado – Seu rosto irrogado ia ficando cada vez mais com uma expressão preocupada.
Mas de repente a pequena criança abaixa sua cabeça.
-Me desculpe, mas não posso lhe contar.
-Eu sei que você não me conhece, porem pode confiar em mim, já passei por muitas coisas terríveis também, por isso estou tentando lhe ajudar.
-Me desculpe, mas eu não posso lhe contar...
-Está bem meu rapaz, mas quando estiver preparado quero que me conte tudo.
-Tudo bem senhora. – Samuel respondeu com um doce sorriso em seu pequeno rosto.
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O Filho De Bretton
AdventureQuando uma tragédia assume o papel de protagonista do Jovem Samuel Bretton, ele se vê no inicio de um caminho sem volta. Até então sua vida era calma e seu único objetivo era ter uma vida pacifica, mas tudo que sonhava e conhecia foram arrancadas de...
