Aprendendo na igreja a odiar Globo e William Bonner

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Maligno.

Abusado.

Dissimulado.

Quem o vê na televisão, sereno e didático, à frente do programa jornalístico de maior audiência do país há décadas, dificilmente pintaria William Bonner assim.

Mas esta é exatamente a descrição do jornalista apresentador do Jornal Nacional, da TV Globo, feita pela pregadora Cristina Maranhão, no palco de uma igreja Assembléia de Deus em São Paulo (vídeo disponível no YouTube. O link está no final).

Foi em 16 de maio. Ela estava exaltada, como é praxe no meio. Pulou, gemeu, ofegou, gritou, se sacudiu, andou de um lado para o outro e abusou do efeito especial que nunca falta aos pentecostais, que é o que eles chamam "falar em línguas", momento em que o orador pronuncia uma série de sons incompreensíveis, cuja tradução simultânea é geralmente providenciada pelo próprio, que vai intercalando o português atropelado com o que eles dizem ser uma linguagem celestial.

Se é, há muita raiva no céu. Cristina começou advertindo a Globo. "A Rede Globo vai ser sacudida por Deus. Diabólica, usada do inferno".

Mas Deus, ela sabe porque Jeová teria lhe falado diretamente, quer acertar contas também com "uma pessoa". Porém, não o fará diretamente, mas por meio de um inusitado intermediário.

"Ele vai permitir Satanás pegar essa pessoa e levar pras profundezas do inferno. Porque já machucou a igreja, já escandalizou a igreja, já falou o que não devia."

Quem seria? Talvez fosse fácil adivinhar, mas ela nem dá tempo para especulações. "Um tal de William Bonner que se prepare. A espada de Deus vai descer na cabeça daquele camarada", avisa, para depois lançar os adjetivos que abriram este texto.

Não é só Bonner que está sob o fio da lâmina, segundo a pregadora. Em 133 dias, algo vai acontecer também no Senado e em São Paulo entre os políticos. "Há uma possessão demoníaca nos bastidores de políticos, principalmente pra prejudicar a igreja do Senhor Jesus".

Cristina fala dos políticos como se há muito merecessem o castigo, que finalmente está para chegar. Mas há um com o qual ela está piedosamente preocupada. Contra o qual, ela assegura, soam atabaques, manhã, tarde e noite. Contra o qual haverá uma segunda traição, "pior que a primeira [a de Sérgio Moro?], vinda de onde ele nem imagina".

Pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro, ela convoca a igreja para um "jejum urgente".

Cristina Maranhão não acha Bolsonaro nem dissimulado, nem abusado.

Ela parece não desconfiar que o Brasil jaz no maligno.

Aprendendo na igreja a odiar Globo e William BonnerCerita yang bikin terobses. Temukan sekarang