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muito tempo atrás, antes mesmo do pequeno reino de Laguna existir, a região era comandada por sete clãs. Todos eles carregavam um dos pecados mortais consigo e por isso jamais seriam capazes de governar propriamente a quase insignificante civilização vizinha do Rio Petrus. Então, o corajoso Victorius, um mero camponês, derrotou e expulsou os sete clãs, fundando Laguna e libertando a todos de seu fadado destino aos pecados.

Essa é história que o pequeno livro de capa de couro preto e cheiro de mofo, localizado em uma das várias estantes da biblioteca pública dizia. Meu livro favorito, apesar de eu odiar a história, digamos que as ilustrações dele me chamavam a atenção. Uma em especial, no fim do livro, que mostrava oito brasões: no centro, um dourado brilhante, com o desenho de uma bela e delicada flor, mas cheia de espinhos, representando a família real de Laguna, e outros sete ao redor, cada um com uma cor e animal diferente, mostrando os setes clãs anciãos, expulsos a anos atrás de Laguna.

O único barulho na biblioteca era o leve som dos saltos da bibliotecária, cujo o nome não me recordo, andando de um lado para o outro. Ela provavelmente estava a umas duas estantes de distância de mim. Perfeito! Coloquei o pequeno livro sob o casaco marrom que vestia, garantindo que ele estava seguro e que não cairia, e sai de lá.

O prédio usado para biblioteca era claramente velho, mas conservado. Longas janelas se estendiam por boa parte das paredes, tornando o local incrivelmente iluminado. Assim como todos os prédios públicos, o brasão dourado da família real estava em todo lugar, talhado na madeira das estantes, marcado na capa de alguns livros e em broches vestidos pelos funcionários.

Sai do prédio e fui recebida pelo delicioso cheiro de pão da padaria que havia perto de la e pelos barulhos rotineiros das ruas de Laguna. Mulheres e homens seguindo suas vidas e obviamente a Guarda Victoriana rondando as ruas, garantindo que nenhuma das leis do reino seriam quebradas. Suas lanças pareciam mais pontudas que o normal, o belo contraste do verde do uniforme com o roxo do cabo da arma era claramente desperdiçado pela presença do maldito brasão em seus peitos.

-Liz! Não achei que te veria aqui- uma mão pesada encontrou-se no meu ombro- Você não parece o tipo que lê.
Virei para trás apenas para encontrar um senhor, provavelmente em seus 40 anos, atrás de mim. Era César, dono da padaria, um homem robusto mas baixo, carregava consigo as cicatrizes de lutas a muito esquecidas. Os olhos cansados não lhe eram novidades, sempre parecia que ia desmaiar a qualquer momento.

-Tenho um favorzinho para você, menina- em sua outra mão estava sua boina, velha e manchada, mas usável- sabe que eu pago bem.

-Óbvio que sei- retirei a mão marcada e enrugada de meu ombro, as marcas de queimadura definitivamente não foram feitas pelo forno da padaria- mas não tem razão para tratarmos de negócios aqui na rua. Vamos para a padaria e conversamos lá.

Os olhares da Guarda não estavam em nós, ótimo sinal, eu definitivamente poderia ser condenada por uns cinco pecados. Seguimos calmamente até o pequeno mais movimentado prédio de dois andares a alguns metros da biblioteca. A fachada bege havia sido pintada a pouco tempo, assim como o teto marrom avermelhado. Um verdadeiro charme. Ao entrarmos, senti meu corpo esquentar, não via a hora de comer. A padaria estava cheia, como de costume, homens com as botas sujas de terra deixavam suas pegadas pelo chão branco do lugar. Apesar do barulho constante das vozes, era aconchegante.

-A duas ruas daqui- César disse assim que entramos em uma das salas ao fundo do estabelecimento, longe dos olhos do público- um patife, que nem mesmo mora por aqui, vai abrir outra padaria! Preciso que você roube a escritura do lugar.

A sala quadrada era grande, todavia a quantidade de móveis antiquados a tornava pequna. As paredes eram cobertadas por armários, todos trancados com chaves, havia apenas uma janela, a qual estava coberta por uma fina cortina bege. No meio da sala, uma mesa com uma cadeira, para mim, aquele era o escritório de César, mesmo que ele nunca o tenha chamado desta forma.

Pecados Mortais Hikayelerin yaşadığı yer. Şimdi keşfedin