Capítulo único

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Era um dia frio, a noite já estava beirando, resolvi me deitar novamente e meus olhos pesaram. Adormeço.
{...}

E lá estava eu, sendo embalada por meu próprio impulso, naquele balanço simples que ficava em frente à uma casa muito linda no meio de um bosque.

O vento bagunçava meus cabelos soltos, naquele ir e vir do balanço de madeira. Naquele momento "mágico" eu podia sentir a paz me invadir, calmaria representava aquele lugar e o meu estado também, somente o canto dos pássaros, o ranger do atrito da corda do balanço no galho da árvore, e as folhas se debatendo por causa do vento podiam ser ouvidos.

De repente meus ouvidos são tomados do canto dos pássaros por um leve som de piano, familiar, era uma melodia leve e tão harmoniosa, mas indescritível. O som vinha da casa a minha frente.

Paro o balanço com pés e tomada pela curiosidade salto em direção a casa de madeira, ao entrar observo que alguém está tocando o piano que se encontra no canto direito da sala (que por sinal era bastante espaçosa), o piano era grande, de uma madeira bem polida e que chegava a brilhar com os pequenos flashs de raios do sol que entravam pelas janelas ali presente. A figura que o tocava me era familiar, ele estava sentado no banquete do piano, aquele ser de cabelos castanhos demonstrava paz ao tocar. A melodia era conhecida por mim e logo me trouxe lembranças embaraçosas de uma pessoa que eu não conseguia ver direito a princípio, mas a sua presença me acalmava, mesmo que eu não soubesse de quem se tratava, não vendo seu rosto e nem sabendo seu nome.

Me sento na poltrona a minha esquerda e deixo-me levar por essas tais lembranças e memórias.

A melodia do piano me deixa inerte e alheia ao ambiente em que estou. Fecho os olhos e tento lembrar de seu rosto, seu nome, sua voz, tudo era estranho e indecifrável, o quê estava acontecendo?? Volto ao meu estado normal e olho novamente o ser que toca aquela melodia e agora cantarola, ouço atentamente sua voz e percebo o quanto ele é leve e forte ao mesmo tempo, o fito de novo e mesmo de costas para mim ele parece familiar, e também não demonstra não se incomodar com minha presença. E minhas memórias se tornam mais claras.

Levanto e me dirijo ao piano, observo apenas suas mãos tocarem delicadamente cada nota, cada acorde naquelas teclas monocromáticas, subo o olhar para seu rosto, sua face, seus olhos concentrados na melodia, seus lábios cantarolando delicadamente as palavras. E tudo vem a tona. Era ele o tempo todo, as lembranças e memórias de minutos atrás são clareadas como quando o sol nasce, rasgando o céu com sua luz.

Ele me olha e um simples sorriso ladino e delicado se forma em sua boca. Em mim uma singela lágrima escorre pelo lado esquerdo de meu rosto, por aquele choque de emoções, realmente era ele. A melodia é interrompida quando ele direciona sua mão para secar a lágrima em meu rosto afagando minha bochecha carinhosamente. Logo ele levanta e eu ainda confusa o abraço forte e necessitada agarrando a sua cintura e descansando minha cabeça em seu peito. Levanto meu rosto, o vejo, algumas coisas ainda estão confusas, decido então que devo falar algo. Existia uma única coisa que eu não conseguia lembrar sobre ele, seu nome. Fechou os olhos, me concentro, mas nada vem, resolvo que deveria perguntar, abro a boca e.....
Ele havia sumido, o lugar agora estava vazio. Por quê??? Tantas perguntas agora. Sento no chão e me encosto no piano. Como eu poderia não lembra seu nome !?!?

Fito o chão com lágrimas já se formando, e então vejo uma pequena flor de tons alaranjados com um bilhete, enxugo as lágrimas com a manga da camisa e observo o bilhete, que dizia: "Apenas não se esqueça Pequena." Fecho os olhos vendo-o mais uma vez, quando os abro novamente estou em meu quarto, foi tudo um sonho?? Me sento na cama e penso sobre tudo. Não, não foi tudo um sonho. As lembranças eram reais, tudo oque eu havia lembrado no sonho era real.

Vejo então a flor laranja já seca por conta do tempo e o bilhete. Tudo o que eu lembrava havia acontecido em um passado não tão distante eu podia sentir. Foi tudo real.

Mas a única coisa que me perturbava era:
Qual o seu nome??

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