11:00 pm. Quarto escuro, ainda na cama, podia ouvir minha família conversando na sala. Estava no momento reflexivo do dia, com meus fones de ouvido repetindo a santa musica pela 10º vez, não importaria escuta-la 100 vezes seguidas se em todas às vezes me trouxesse lembranças daquele alguém. O céu estava escuro, sem estrelas, fechei as cortinas. Mas, na janela da cozinha podia ver, perfeitamente bem, a lua brilhante em destaque ao fundo negro. Senti uma vontade, sem muito fundamento, de me sentar no terraço e ficar olhando para a lua. Só ficar lá, olhando, com meus fones e a musica das 100 vezes. Com uma sensação de nunca ter feito, e mesmo assim recordar de todas as vezes que fiz, e de cada uma das sensações diferentes de todas essas vezes.
11:20pm. A musica pausou, alguém me ligando. De fato "alguém". Um convite, nunca pensaria em recusar. Em 20 minutos estaria lá, com certeza!
11:45pm. Com direito a recepção na porta, sorriso largo e um beijo quente. Nossos dedos entrelaçados, que sensação boa de segurança. Fomos andando até a lojinha da esquina, compramos bebidas, que nem tomamos. Talvez tenha sido um pretexto para caminharmos um pouco por ali.
11:55pm. A lua estava muito mais bonita olhando pela janela de seu quarto, as cortinas brancas esvoaçando davam um charme a mais. Não era um sonho, não. Estava naquele quarto, outra vez. Com quem faz meu coração aquecer, acelerar e parar. A noite inteira.
– Melhor do que a vista do terraço?
– A companhia com certeza é melhor. – respondi de imediato. E seus braços, tão rápidos quanto minha resposta, se acomodaram em volta de minha cintura.
Um beijo no ombro. Outro no pescoço. E mais outro. Outro. Outros...
Em um momento éramos bocas coladas, mãos indecisas em cinturas e pescoço, cabelo, bunda. Em outro éramos roupas no chão, lençol embolado, mãos decididas, toques firmes, suspiros de prazer. A cortina esvoaçava, o vento frio não me incomodava, não existia frio ali. A lua ainda estava lá.
Minha respiração irregular, seu rosto brilhando pelo suor, aquela cama parecia pequena para nós. O interfone chama, chama, e chama insistente. Vai embora, não há ninguém em casa. O telefone toca. Sério? Não é hora. Três buzinadas. Uma partida. O relógio despertou, olhei na cabeceira...
12:04am... Era nossa musica das 100 vezes.
"Enquanto a lua nos assistia pela janela aberta, inevitavelmente mergulhamos noite adentro. Meu corpo deseja tanto seu amor, que chega a doer. O som de nossos corações era tão alto, provavelmente os pássaros que dormiam ali perto voaram."
O desejo nos consumia, nossos corpos se contorciam, arqueavam, desesperados em busca de mais, algo mais forte, marcante. Marcante. Nossos sussurros eram profundos, quase palpáveis.
"Me senti leve, como se fosse capaz de flutuar até a lua. Me senti voando sobre a lua. Conhecia todos os seus toques, poderia descrever suas digitais, e mesmo assim senti-los ainda me causava arrepios intensos de prazer, como na primeira vez em que cada centímetro de nossos corpos se uniram."
Poderíamos ficar dias naquela cama, queríamos esses dias. Mas, o que tornava encontros como aquele em memórias com sensação de primeira vez, era justamente o que nos fere o peito.
O amor é confuso, nos enche de coisas boas e também causa dor.
Vendem-nos um amor cheio de ilusões e final feliz, entregam um amor incrível, às vezes imenso demais, mas que machuca delicadamente aos poucos. Dor de amor é suportável. Amar torna suportável.
Desta vez, fui eu quem teve que sair com os primeiros raios de sol.
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MOON, 12:04.am
RandomBaseado em Moon 12:04am do duo sul-coreano OffonOff Uma noite que tinha tudo pra ser só o fim de mais um dia, acabou sendo preenchida por dois corpos se preenchendo de muitos jeitos. Seria um conto? Uma shortfic? Songfic? Mas, chega a ser fanfic? Nã...
