Capítulo um: Eu cometi um crime

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A cena era horrível: havia muito sangue e eu não sabia se ligava pra policia. Ao mesmo tempo em que eu estava desesperada pelo que acabei de fazer, também chorava aliviada pela vida que tirei, mesmo sabendo que isso iria destruir a minha.

Ao meu lado, ele sangrava no chão, perto da copa, provavelmente já havia morrido. Do meu lado esquerdo estava Max sentado na escada, chorando de cabeça baixa. A presença de Max fazia com que eu pensasse que tudo iria melhorar, de fato ele me amava e por isso estava disposto a me ajudar a qualquer preço.

Enquanto eu tentava limpar tudo desesperadamente, vi uma sombra ao lado de fora da casa, do outro lado da calçada, estava muito escuro e não consegui identificar a pessoa, falei pra Max agonizando sobre o que acabei de ver e ele decidiu que eu deveria fugir.

- Emma, você precisa ir embora, ela vai chamar a policia. Fuja! Rápido! – gritou ele.

- Eu não posso te deixar pra trás, a culpa é toda minha, não posso fazer isso.

- Você já sofreu demais, não merece ir pra prisão, ao menos eu posso atrasar os policiais enquanto você foge.

Então eu o beijei, abri a porta dos fundos e comecei a correr em direção a estrada. Enquanto corria, pensava em se Max poderia ser acusado injustamente ou se eu conseguiria escapar.

Eu tive que fugir, sabia que Max conseguiria, afinal havia uma testemunha contra mim. Estava torcendo por ele, sabendo que pra mim tudo estava perdido.

Corri floresta adentro até não aguentar mais e caminhei até o amanhecer do dia, todo o frio se tornou tão quente, eu estava tão nervosa e desesperada, preocupada, arrependida de ter deixado Max para trás... o barulho das árvores me deixava em pânico, poderia ser qualquer pessoa me procurando. Por um momento achei que nunca encontraria uma saída da floresta, já havia passado horas em que sai por aquela porta, até que avistei um pequeno estabelecimento a beira da estrada.

O lugar era deserto, fui saindo da floresta e encarando a estrada com medo, mas não havia carros, pessoas e nem barulho. Passei cerca de dois minutos de frente ao estabelecimento que era tão acabado por fora, uma placa de madeira com a tinta muito fraca dizia "Café e pensão". Pensei se deveria entrar, mas nem precisei pensar muito... Que escolha eu tinha?

Ao entrar no local, a porta rangiu muito alto, percebi o quanto aquele lugar era velho, as esquadrias estavam cheias de poeira e o telhado recheado de teias, assim como as mesas. Enquanto observava tudo, levei um susto ao perceber que havia uma senhora me olhando do interior escuro da cozinha.

- O que quer aqui? – perguntou a senhora com uma voz grossa e fria – Não temos quartos nem comida, pode ir embora.

-Meu nome é Emma, mas se não tem quartos nem comida porque a placa lá fora indica que estão abertos?

- Só pode ter sido o vento, vou resolver agora mesmo!

A senhora ia em direção a porta quando a interrompi:

- Espera! Olha, eu não tenho onde ficar, me dá um dia de hospedagem e eu prometo que deixo esse café um brinco! Vai ser o melhor negócio da sua vida, não vai se arrepender.

A senhora me encarou e saiu em direção a cozinha escura de onde ela havia aparecido, parecia estar conversando com outra pessoa, uma mulher. Depois de alguns minutos ela reapareceu e concordou com que eu ficasse por um dia apenas.

- Muito obrigada mesmo – agradeci.

Enquanto subíamos as escadas empoeiradas perguntei:

- Estava falando com sua patroa? Agradeça a ela por mim, foi muito gentil.

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⏰ Last updated: Aug 28, 2021 ⏰

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