Glass Sword

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 Bakugou Katsuki tinhas vários adjetivos: irritável, grosso, forte, inteligente, habilidoso, entre outros. Mas nunca em sua curta vida, de todos os acontecimentos dela, pensou que um dia a palavra "apaixonado" o descreveria tão bem.

Provavelmente nunca admiraria que cultua tal sentimento por alguém, ainda mas pela Uraraka. Seu medo à rejeição ou sua raiva dos comentários ridículos de pessoas intrometidas era maior.

Então seu olhar intercalava para o Present Mic, que terminava de explicar sobre uma atividade avaliativa, e Ochako, na qual não desgrudava o olho do professor. Talvez ele iria disfarçar mais, contudo tirou a sorte grande, ela era sua dupla dessa atividade.

Ao terminar aquele horário o garoto mal perdeu tempo, foi direto à garota.

— Cara Redonda, como vamos fazer aquela bosta de atividade? — falou direto e sem apresentações, dando um leve susto nela, que procurava algo em sua mochila.

— Ah, Bakugou, você foi rápido. — riu sem graça. — Bom, vamos ter que ler Espada de Vidro. Você já leu o primeiro da série?

— Não acho que vai ser necessário isso, é apenas um resumo sobre o livro. — disse, sem preocupação, pois nunca ouviu falar dessa série de livros, muito menos sabia que era uma.

— Ah, sim. Já que vamos ter que ler em inglês vai ter que ser em pdf. Será que encontramos? — perguntou ela, recebendo um "sei lá" abafado como resposta. — Certo, mas tem certeza de que não vai querer uma contextualizada do que aconteceu? Você pode ficar perdido. E també-

— Tudo bem, faz essa bosta de resumo do primeiro, mas eu já falei que eu não preciso disso daí!

— Você vai gostar, confia em mim. — disse, animada. — Eu vou te entregar um até sexta, eu te prometo, Bakugou.

— Tá, tá. Vou pesquisar a versão em pdf e se encontrar eu te procuro. —saiu de perto, sem escutar uma resposta.

Katsuki estava um pouco nervoso de conversar com ela, uma vez que não tinha tanto costume de fazer isso. E com o plus de achá-la fofa com toda animação por uma coisa tão simples o fez sentir vergonha. Realmente gostava da Ochako.

E antes que qualquer um de seus amigos pudessem fazer quaisquer piadas, Aizawa chegou em sala. Seria aula prática.

De um lado de um ginásio cheio de jovens treinando novos golpes, tinha uma garoto explodindo tudo ao ser redor. Totalmente focado, não aceitaria menos que a perfeição no que fazia. No entanto, do outro, havia um grupo de amigos treinando e conversando sobre esse garoto explosivo.

— O Bakugou tem que fazer algo para conquistar a Uraraka! Ninguém aqui aguenta mais ver esse morde e assopra! — disse Mina, cansada.

— Ela tá certa, ele demora um século pra correr atrás dela e dá exatos 0 resultados. — completou Kaminari.

— Vocês querem o que? Que eu vá agora conversar com o bombinha explosiva? Ainda mais com ele focado assim? — seus amigos responderam sim, uníssono, com um sorriso descarado no rosto. — Puta merda, me desejem sorte.

Então foi o ruivo atrás do explosivo, com toda sua cara de pau reunida em um lugar só.

— Não acha que deveria fazer algo mais que conversar uma vez na vida e outra na morte com a Uraraka? Assim nunca vai ter uma chance, bro. — puxava um papo, no meio do treino.

— O que eu faço ou deixo de fazer não é sua conta. — cortou-o novamente.

— Não é, mas eu sou seu amigo. Deveria confiar mais em mim para falar as coisas. — cruza seus braços, indignado com a resposta.

— E você contar pro Pikachu, pra Alien e o da Fita? Não, obrigado. Agora vê se não me enche!

— Antes eles que o Mineta! — tentava se defender, porém ao notar a veia saltando na testa do amigo percebeu que vacilou. — Não é isso! A culpa não é minha se você deixa tão na cara que mentir não era mais eficaz!

— Se você veio torrar a porra da minha paciência, parabéns, você conseguiu! Agora se não quiser que eu te exploda em mil pedaços caí fora! Eu não quero falar sobre isso! — esbravejava.

— Tudo bem, desculpa, bro. Mas se precisar de algo pode chamar a gente.

Com esse curto diálogo, Kirishima se retirou e foi ao Kaminari, que o esperava. Provavelmente para saber se a conselho foi útil ou não. Certamente sabia a resposta, mas deixaria pra lá.

Entretanto, ao deixar Bakugou lá, sozinho explodindo coisas, também deixou ele pensando sobre aquilo. Será que a atividade poderia os aproximar? Como conseguiria conversar com a Uraraka sem dar seus sentimentos de bandeja para serem feitos de piada? Ele não sabia. Frustrado e com raiva, continuou seu trabalho com mais rigor. Deveria tentar outra aproximação.

Vendo-se cansado e no tédio, Katsuki resolveu fazer algo de maior necessidade, como procurar a versão em pdf do seu livro.

Entrou no Google e foi direto ao que precisava. E no meio de várias versões e clickbaits encontrou algo curioso: uma notícia. Mas não uma notícia legal ou relacionada com o novo livro da franquia vindo ao Japão esse mês, e sim algo trágico e estranho.

"Jovem de dezasseis anos se mata e em carta de suicídio diz se inspirar no livro e em trechos suicidas." dizia o site.

A mídia é ridiculamente sensacionalista. A garota provavelmente era só uma fã desses livros aí e esse repórter fica falando que é tudo por causa disso. Pensou o garoto. Então sequer deu bola para isso.

Verificando, novamente, pdf por pdf, encontrou o que precisava. Perfeito, sem aparentes erros e parecia um livro, com mais ou menos umas quatrocentas e poucas páginas. Só tinha um detalhe: A Uraraka tinha que ler também, logo, mandá-la o pdf.

E novamente o loiro tirou a sorte grande, pediria o telefone dela, o seu line.

E mais um dia estávamos na mesma situação: Bakugou Katsuki admirando sua amada de longe, de forma platônica, não como um animal louco atrás de sua presa, como fazia com o restante dos alunos. Estranhamente, por mais que algo o pesasse, estava confiante que tudo aconteceria tranquilamente e sem lhe dar dor de cabeça.

Midnight explicava sobre a história das manifestações em Colorado, capítulo 5 no livro escolar, algo que marcou a visão de como o mundo enxergava as individualidades. Enquanto isso o explosivo voava, mesmo com um pé no chão, para não perder a conclusão da matéria, pensando quando que a aula terminaria para finalmente se livrar daquele fardo.

Intervalo chegou anunciado pelo sinal estridente, mas não incômodo, da escola. Chegou o momento.

Contudo, dessa vez, ela que o assutara, parecido com o dia anterior. Invertendo os papéis.

— Bakugou, que bom que não saiu de sala. Eu consegui fazer esse resumo mais rápido que imaginava. Já pode ficar livre disso antes da sexta. — Disse Ochako, o entregando o aglomerado de folhas com conteúdo feito à mão com sorriso em seu rosto brilhante.

— Eu encontrei o pdf. Mas eu não tenho como te mandar, então, me passa o seu número? — disse, com um pouco de dificuldade. O nervosismo chegou mais repentino que imaginava.

— Como? M-meu número? — a morena riu, aparentemente de nervosismo, também estava com vergonha.

— Mas é claro, eu vou te enviar o link do livro por onde, caralho? — a encarou se segurando, por medo de uma possível rejeição.

— Não é isso. — ri sem graça. — É que nenhum garoto já pediu meu número, ainda mais alguém que eu não tenha tanta amizade. Eu, fiquei envergonhada. — seu rosto corado a denunciava. Provavelmente já sabia disso. Ambos. Ao pegar uma folha aleatória na sua carteira com uma caneta, Uraraka anotou o número nele e o entregou. — Me chama, aqui também está meu perfil no Facebook, caso não consiga entrar em contato comigo pelo Line. Tchauzinho.

E dessa vez ele a vê saindo com seus amigos pela porta de sala. Porém estava feliz demais para pensar em outra coisa sem ser que finalmente havia dado mais um passo.

Talvez Kirishima não estivesse tão errado, precisava tomar uma atitude, e confiar nele. 

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