Hoje mais do que nunca eu só queria dormir. Mudança é uma coisa muito chata e não conheço ninguém que discorde disso, tem todo esse processo de aceitação e adaptação. Um saco. Fora que ouvi dizer que aqui é bastante quente, coisa que eu mal vivenciaria em Snag. Não é a toa que lá é tido como um dos lugares mais frios do mundo.
- Você e suas ideias... Eu disse.
- É tudo uma questão de tempo, Lissa. Minha mãe respondeu.
Acho que não estava sendo fácil pra ela. Será que estávamos sentindo o mesmo sentimento? É tão difícil sair da sua zona de conforto e ir atrás de novas oportunidades e possibilidades. Minha mãe não demonstrava temer à tais mudanças. A traição do meu pai a quebrou por dentro de formas que nem ela poderia explicar. Ela trabalha como papiloscopista, eu sei, é um nome engraçado e esquisito, mas esta é a definição do que é.
Ela aparenta estar tensa, é a primeira vez que nos mudamos, ao menos desde que eu nasci é a única. Estávamos chegando a Toronto e tudo o que eu conseguia imaginar era o quanto deixávamos para trás.
- Querida, você poderia ligar o rádio? Perguntou minha mãe.
Quando ainda estou sintonizando passo por um canal, está tocando What A Time da Julia Michaels. Perfeita. Amamos essa música. Olhamos uma para outra com ar de riso e não demora muito para começarmos a cantar juntas. Acho que conseguimos amenizar a tensão que estávamos sentindo. O cansaço logo tomou conta de mim, tentei tirar um cochilo, quando senti meu corpo adormecer o carro parou. Chegamos à nossa nova casa. Abri a porta do carro e fui carregando as coisas que trouxemos para dentro.
A casa é grande, algo como rústico e aconchegante. O piso é de madeira e precisa ser encerado, mas fora isso tudo estava em seus conformes. Há uma escada que leva até o primeiro andar, meu quarto fica lá em cima e eu gostei muito disso, porque há uma janela que dá uma ótima visão de toda a rua e o céu, seria até mesmo como uma pintura de tão lindo, no horizonte, impossível não notar a cor alaranjada que já predominava por todo lugar, o sol anunciava mais um final do dia, e isto me deixa fascinada. Vocês já se perguntaram o quanto o espaço é misterioso? Fico fascinada apenas imaginando tamanhas formas rochosas e suas constelações.
- Lissa, você poderia descer aqui em baixo?
A voz da minha mãe interrompeu meus pensamentos.
- Sim, mãe! Já vou indo.
A caminho da cozinha onde minha mãe me chamava, passo por uma porta que, particularmente, tive medo de entrar sozinha e resolvi não arriscar, parece ser onde fica o porão.
- Lissa, estive pensando. Que tal sairmos para comer algo? Disse minha mãe.
De imediato concordei. Havia visto uma lanchonete quando estávamos a caminho daqui e sugeri. Fomos nela.
O lugar é simples, mas bem aconchegante, um pouco diferente das lanchonetes que eu já havia frequentado, mas, particularmente é um bom lugar, há uma vibe positiva, as pessoas parecem felizes. A minha esquerda havia um grupo de amigos, eles trocavam palavras e sorrisos, pareciam estar se divertindo, mantive o olhar focado em um dos meninos. Ele era bonito. Muito bonito. Imaginei Claire e Josh, meus melhores amigos de Snag. Sorri só de pensar. Quando senti acordar dos meus pensamentos. A ruiva que estava ao lado dele me fuzilava de forma assustadora. Desviei o olhar constrangida.
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Sr. Sorriso
Short StoryMelissa acaba de se mudar e com isso tem que lidar com novos amigos, sua nova escola, mistérios de sua casa e uma relação tão quanto perturbada.
