CAPÍTULO 1 - Amanheceu na fazenda dos Almeida

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De antemão quero agradecer do fundo do meu coração pelo apoio de minha amiga querida Catarina Paraguaçu e de meu grande parceiro e amigo Vinícios Matias, por aceitarem dar mais vida para meus personagens.

Esta história é baseada em fatos reais, pois são o retrato das vivencias de nosso país.

...

Amanheceu na fazenda dos Almeida

Eram quase seis da manhã quando a irmã mais velha de Joana, a responsável pela cozinha, foi rapidamente chamar a caçula que continuava tranquilamente seu sono. Num rápido movimento de retirada do cobertor quadriculado, Joana desperta na agonia da irmã.

–Você é doida varrida mesmo hein Jô? Vê se não vacila mais outra vez!

–Aff Dete, me deixa pô. Que horas são afinal?

–Hora de preparar o café dos chefes, né mocinha?

–Aff...

Terminado sua fala, Joana deita-se e é puxada às pressas pela irmã, que desesperadamente vai deixando sua irmã com a escova e indo em direção das atividades que lhe eram destinadas. Preparado o delicioso café da manhã, as duas se retiram e começam os preparativos para seu próximo desafio: limpar a enorme casa dos Almeida.

Tardiamente, quando o dia já se pôs a cair e a lua brilha entre as estrelas, algo faz com que Joana não vá para cama. O sentimento da saudade aparece e uma foto é retirada de seu bolso. A pessoa registrada na foto era belíssima, com aparência de o dobro de sua idade. Talvez fosse seu pai, ou talvez irmão ou algum companheiro. Ninguém sabe, até porque Joana sempre foi uma mulher misteriosa e cheia de segredos.

–Ah... sim estou–Responde, guardando ligeiramente a foto.

–Quer um chá?

–Não, valeu... Dete... há quanto tempo você trabalha aqui mesmo?

–Bem eu... acho que uns seis a sete anos, por quê?

–Já pensou em sair?

–Diversas vezes, não nego. Só que... aqui eu pelo menos tenho uma cama, não pago aluguel, e tenho uma família.

–Às vezes eu penso que você brinca quando diz essas coisas...

–Mas por quê? Estou errada por acaso?

–Vai me dizer que você acha que eles te consideram como parte da família? Ah me poupe Dete. Eu definitivamente estou pensando em cair fora, buscar outra coisa.

–Tipo o quê? Tráfico, prostituição, o que mais, hein? Acorda Joana, a gente tem que agradecer por estar com um emprego.

–Se você acha que isso é emprego, sua vida e sua família, então tudo bem. Eu vou procurar outra coisa pra mim, e sei que vou achar.

–Tá, mas o que a senhorita sonhadora pretende?

–Sei lá, voltar a estudar. Desde que mamãe morreu eu larguei a escola, porque inclusive vim morar aqui. Eu gostei de ter me aproximado de você novamente e tal, mas mana, isso não é vida e principalmente o que eu quero pra mim! Você me entende?

–Não, mas sinceramente, boa sorte lá fora, já que tem certeza que é melhor.

–Certeza eu não sei, mas cai na real irmã, eu só tenho quinze anos, tenho um futuro enorme pela frente...

–Será que tia Alice ainda mora em Riachão? Vou tentar entrar em contato, pelo menos um lugar você tem, até porque ela é sua dinda.

–Valeu irmã, valeu mesmo.

Depois de abraços entre irmãs, as duas começam a se preparar para dormir, até porque já tinham perdido algumas horas que poderiam ser destinadas ao sono.

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