Intordução Workshire

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O asfalto escuro e brilhante se estendia por uma reta gloriosa, ao centro e laterais ainda podiam ser vistas suas linhas amareladas e desbotadas tão tortuosas, mas de alguma forma enfeitavam o cenário desértico que às vezes eram floridos, outras vezes montanhosos. Tudo dependia de onde a cidade decidira descansar depois de sua longa caminhada pelo globo terrestre. A pista retilínea cortava o cenário ao meio, brilhava refletindo o sol escaldante, excêntrico, sob um céu sem nuvem alguma para detê-lo tornando-o assim soberano. A imensidão azul acima da terra lembrava um pouco o mar calmo, sem ondas. De um lado da pista, mato e do outro entulho. Bem próximo ao que parecia ser a entrada da cidade, havia uma enorme placa desbotada que dizia:

"SEJA BEM VINDO A WORKSHIRE, A CIDADE DOS SONHOS QUEBRADOS".

As letras advertiam bem sobre o lugar. Sonhos desossados por ganância e desejos tão sombrios quanto as noite em Utqiagvik, além daquela coisa nojenta impregnada em corações racistas, materialistas sem visão alguma no que é bom e desatento o suficiente para desconhecimento do amor. Coitados! Pobres turistas que ao invés de darem meia volta ao ver a placa, decidiram ir de encontro a aquela expressão que os fisgou logo de cara, tolos!

Eu não os vi quando passaram pela placa levantando a poeira impregnada no asfalto velho. Eu estava alimentando o Jovem P e D quando na cidade ecoou aquele som esganiçado, enfeitiçador e de alguma maneira eu fiquei sabendo que alguém estava vindo. Talvez a cidade também houvesse se comunicado com eles como fazia com os moradores daqui, ela jogava as palavras no nosso subconsciente e depois o cérebro tratava de maquinar tudo instintivamente. Só assim poderiam ter chegado a até minha casa. Não acredito em acaso, se bem que...

Do lado de fora um Jeep vermelho havia sido estacionado em frente à minha casa. Olhei pela janela e pude ver quatro jovens, peles bronzeadas, óculos escuros e roupas surradas que pareciam de certo modo alegres, me lembrava praia. Tratei de sair antes que atravessassem o meu quintal e batessem na minha porta me trazendo maldições, empurrei o Jovem P para o lado com um dos pés. -- Shiiu. - Levei o dedo indicador até seus lábios, ele sorriu me remedando. Esse danadinho. Não sei por que as pessoas criam gatos, seres preguiçosos, egoístas e sem alma, ratos são infinitamente melhores.

Abri a porta e logo a atravessei fechando-a atrás de mim de maneira bem hostil. O sol tocava minha pele aquecendo-a calorosamente como qualquer dia de verão em Workshire, a velha cidade adorava provar que ainda estava inteira, que ainda era jovem como os moleques na puberdade, por isso se exibia nas intensidades, hora muito frio, hora muito quente. Vasculhei em meu bolso procurando um crachá de identificação e o coloquei no peito caminhando até eles. -- Que merda de tempo sufocante. - Praguejei! Guia turístico, o crachá suava no meu peito... Meu nome não é importante agora, por isso serão privados desse dado secundário. Já no portão tratei de mostrar a educação que fora me dado por mamãe, Aproximei-me apertando as mãos que me foram estendidas e tratei de colocar no rosto o meu melhor sorriso. - Que tal um passeio pela cidade, crianças? - Sugeri e prontamente aceitaram, mas antes de sairmos pediram para que lhes trouxesse algo para beber, afinal fazia um calor do inferno. Pedi para que não se mexessem que voltaria com uma jarra bem gelada para eles. Perguntaram-me se poderiam aproveitar a sobra da varanda, e é claro que eu não permiti, como poderia? Ainda mais com a cidade mais acordada do que nunca. Voltei uma jarra de água gelada para sanar a sede. Contaram-me como chegaram até aqui enquanto bebiam, disseram-me seus nomes, onde nasceram e confessaram o quanto acharam estranho eu não permitir que pegassem a sombra da varanda. Esquivei-me com a frase de sempre. -- Em Workshire existem mistérios, crianças. -Digo sempre sem rodeios. Assim começamos a caminhada pela cidade.

Workshire é uma cidade que se difere de todas as outras. Não só por ter um aroma suave, delicioso e hipnotizante durante o dia. Nem por suas noites serem mais longas do que nas outras cidades. Sim, como são longas as noites em Workshire... Não são pelas árvores centenárias e sua floresta densa, sinceramente elas são quase sobrenaturais. Muito menos, pelo fato de não haver seu nome no mapa, mesmo tendo mais de 200 anos de existência. Workshire é diferente de todas as outras cidades apenas por que possui segredos... --Shiiiu!!! - Fez um carrancudo jornaleiro ao passar de bicicleta a jogar os jornais enrolado como torpedos rumo às varandas.

Isabelle e o MotimTempat cerita menjadi hidup. Temukan sekarang