O loiro andava pelo corredor, como uma celebridade, todos saíam de seu caminho. Expressão fechada, ele segurava uma alça da mochila vermelha enquanto praticamente desfilava até seu armário.
O menino ruivo não pôde deixar de suspirar, nunca conseguiu superar sua pequena (enorme) paixão por aquele projeto de valentão e guardava tudo isso consigo.
Retirou o caderninho preto de dentro do armário, ele não tinha nenhuma fechadura, única coisa que o deixava diferente eram as páginas de diferentes cores. Eijirou desenhou algumas flores na capa e escreveu seu nome. Apertou o objeto por seus dedos, guardou na mochila e respirou fundo. Estava bem, estava são.
E na aula de biologia, ele nem tentou se concentrar, já sabia a matéria e estava bem com isso, mas ele estava mesmo era botando seus neurônios para trabalhar por outra coisa.
Uma questão ecoava em sua cabeça:
"Quando comecei a amar Katsuki Bakugo?"
Com tanta gente por aí, com tantas preocupações, tantos sonhos e seu coração foi se ocupar com aquele babaca. Kirishima uma vez, tentou se conformar que era apenas atração, nada demais. Mas não, ia bem além disso, tinha a paixão. Não era apenas carnal, não era irracional. Eijirou amava Bakugo, e o amou por muito tempo.
Veio uma cena na sua cabeça, talvez tivesse sido ali. No dia do acampamento no sétimo ano. Katsuki o ajudou com a barraca, ele ainda não era um completo otário. Passaram o acampamento juntos, e Eijirou lembra de olhar para ele e sentir algo estranho.
Mas não sabia se era mesmo naquele momento que as coisas ficaram mais sérias. Bom, pelos menos só para si. Já que Katsuki nunca se interessaria por alguém como ele. E nem era para Eijirou se interessar por alguém como o loiro, mas... Como controlar?
Odiava seus hormônios, odiava seu cérebro, e odiava seu coração que batia rápido toda vez que aquele esquentadinho passava.
Talvez tivesse sido na sorveteria, no nono ano. Eijirou e Katsuki não eram melhores amigos, mas saíam juntos com um grupo de amigos em comum; este que Bakugo passou a desprezar, xingar e odiar. De uma hora para outra;
Kirishima estragou seu sorvete, quase sujando Denki ao meio de brincadeiras. E Katsuki foi gentil o suficiente para dividir seu milkshake de morango com ele. Mina uma vez disse a Eijirou que seus olhos brilhavam enquanto dividia aquela bebida com Bakugo. E era verdade.
Desde sempre o olhar denunciou Kirishima, ele sempre espressava por seus olhos o sentimento.
Ele lembra de ter ficado fraco e leve, como se estivesse voando, seus olhos focavam em Katsuki e às vezes ele dava um sorriso bobo.
Não sabia bem, ainda não era o sentimento atual. Não era intenso e devastador desse jeito.
Levantou as sobrancelhas, como poderia ser tão bobo? Era óbvio. Era inesquecível.
O evento de HQs.
No finalzinho de 2017, ainda quando eles estavam no nono ano, Kirishima achou uma boa idéia convidar Katsuki para o evento que todos os anos ele comparecia, era um grande festival de quadrinhos. Havia cosplay, teatro, quadrinistas e claro: HQs á venda.
Não podia esquecer do jeito que os olhos de Bakugo brilharam, do seu sorriso enquanto conversavam e escolhiam as revistinhas. Do modo em que frequentemente suas mãos se encostavam enquanto eles caminhavam, e nenhum deles dizia nada mas continuavam provocando mínimas colisões para fazer elas se tocarem.
"eu gosto de você, Katsuki." Disse Eijirou enquanto eles comiam, sentados no chão do lado de fora do salão, eles viam o céu escurecer.
Bakugo sorriu e bebeu um pouco do refrigerante.
"Eu também gosto de você, Eijirou." Ele não tinha entendido, ele nunca entendeu e nunca vai entender. Que aquelas palavras tinham muito mais, tinham sentimento, tinham um pedaço de Kirishima, um pedaço da sua mente, coração, um pedaço da sua sanidade.
- Kirishima? Poderia responder a pergunta? - O ruivo se assustou, arregalou um pouco os olhos saindo da suas memórias e imaginação. Ele apertou os lábios e murmurrou um "perdão."
- Tudo bem, se estiver num dia ruim pode ir lavar o rosto ou ir na enfermeira, certo? - O que muitos não sabiam era que ser um aluno certinho e preferido dos professores te dava alguns privilégios como este. Ele sorriu minimamente e pegou a mochila, levantando devagar.
Saiu da sala e andou rapidamente para não ser pego pelo inspetor, o cara era um conhecido e o deixaria em paz, mas Eijirou não queria falar com ninguém agora.
Entrou quase correndo no banheiro masculino. Se trancou numa cabine e retirou o diário de dentro da mochila, observava a página amarela tentando pensar em como começar a desabafar.
Querido diário,
Eu sou uma grande farsa. Eu me sinto triste a maior parte do tempo e não sei lidar com o fato de estar completamente apaixonado. Eu sou um filho perfeito, um aluno perfeito, um amigo perfeito, mas eu não passo de uma grande farsa. É tudo falso, tudo o que eu sinto é atuação. Eu nunca estou feliz, eu nunca estou satisfeito, eu nunca vou ser bom o suficiente para mim mesmo. E muito menos para ele. A única verdade dentro de mim é meu amor por Katsuki, eu o amo intensamente, dói dentro do meu peito. Observo o tanto que ele mudou e odeio o fato de não conseguir deixar de amar ele por acreditar que ele pode melhorar algum dia.
Kirishima tinha os olhos molhados de lágrimas, algumas escorriam por suas bochechas ao descrever o quanto se sentia vazio naquelas páginas. Fungava e estava á ponto de soluçar, mas para ser silencioso não o fazia.
Em questão de vazio, o banheiro não estava muito.
Eijirou quase caiu quando alguém bateu na porta da sua cabine. Não uma batidinha para saber se tinha gente e sim um soco que fez um estrondo. Kirishima temia, desejou que não fosse ele, desejou que fosse alguma outra pessoa, qualquer pessoa.
- t-tem gente. - a voz fraca e chorosa ecoou com medo.
- tá chorando por que, cabelo de merda? - a voz grossa e alta demais fez com que Kirishima desejasse sair pela descarga. Ele não respondeu e pôde ouvir uma risada sarcástica. - eu nem xinguei você hoje, muito menos olhei pra essa sua cara, não posso crer que outros caras decidiram tirar sarro do protegido. Você é patético.
Eijirou trancou o maxilar, deixando algumas lágrimas descerem novamente.
- me deixa em paz, Bakugo. - ele pediu calmamente. E mais uma vez, um estrondo na porta. Kirishima realmente não queria que ele arrombasse aquilo e visse seu estado. Mas, por outro lado ele poderia ser expulso!
E Kirishima não queria de forma alguma que ele fosse...
- Ah por favor, que ridículo. Você acha que pode cabular aula no mesmo banheiro que eu? Estava aqui antes seu idiota, você que tem que sair daqui, não quero ouvir viadinho chorar do meu lado. - Eijirou respirou fundo, secou o rosto com a costa da mão e tentou se acalmar, estava tudo bem, estava são.
Guardou o diário e sua caneta, colocando a mochila na costa e abrindo a cabine devagar assim saindo dali.
Havia um Katsuki apoiado na pia, de frente para Eijirou, de braços cruzados e um sorriso irônico. Kirishima evitou contato visual para não chorar novamente, mas tinha que lavar o rosto, então andou devagar até a outra pia e jogou água em seu rosto enquanto tentava ficar calmo naquela situação horrível.
- se eu fosse você, procurava outro lugar para se esconder. Teu olho tá vermelho quase da cor desse seu cabelo. Se voltar pra sala, de duas uma, ou vão ver que você estava chorando ou vão achar que tu tava chapando. E que pena, imagina a diretora acabada pois seu aluno perfeito estava fumando um no banheiro? É só um conselho, Kirishima.
O ruivo secou o rosto e assentiu o olhando.
- obrigado, Bakugo. - foi a única coisa que disse, não foi irônico, ele apenas falou de uma forma séria. E assim, ele passou o resto do dia escondido na enfermaria, dizendo que estava com dor de cabeça e nos olhos, que dormiu mal.
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high school sweethearts. kiribaku!
FanfictionEijirou é um menino exemplar, com uma personalidade incrível e sorriso radiante. Esforçado nos estudos, o orgulho de seus pais. Mas, será que sua paixão por Katsuki arruinaria tudo isso? Será que aquele diário poderia acabar com a sua vida num estal...
