Sinto que somos constantemente movidos pelo amor. Sobretudo nas coisas pequenas e cotidianas, somos amor e me considero irrefutável nessa questão. Do que adianta uma música de amor sem o frio na barriga inevitável e a lembrança quase que imediata do cheiro dele? Ou o que seria das nossas conquistas sem alguém do nosso lado pra transformar nossa felicidade em infinita? Eu creio (e gosto de acreditar) que nada. O amor nos move e acredito que ele é a essência do que seria a nossa alma. Então, não consigo entender como alguém pode recusa-lo ou fazer dele um jogo. Nunca o faria, porém, sempre tive o desejo de vivenciar o amo real e decepções amorosas. Apenas assim sinto que temos a experiência completa. Olhando pra trás, concordo com o antigo eu e não me arrependo de ter sofrido, pois o que vivi com ele jamais foi sentido por ninguém, e disso tenho certeza.
Estávamos no mês de abril do último ano da escola e já sentíamos falta das festas carnavalescas e das férias de janeiro. Eramos jovens e não queríamos nada além disso, nada mais, nada menos, principalmente Davi. Ele nunca foi um aluno considerado exemplar, no ano passado quase repetiu e não se importava muito com os tipos de rocha ou em como calcular o ângulo de beta, por mais que sempre se desse muito bem em exatas por pura inteligência. Me irritava um pouco como ele sempre passou se esforçando tão pouco. Creio que um dos poucos defeitos dele era não ter visão de futuro. Ele sempre andou com pessoas que tinham a mesa visão (ou falta dela) e por isso, nunca tive muita oportunidade de me conectar com ele. Também nunca fui muito de ir atrás de novas amizades, sempre fui muito satisfeito com meus poucos amigos, uma vez que sempre reconheci o valor de conexões verdadeiras.
Eu fui para a escola, atrasado e com o cabelo assanhado como de costume e, como toda a sala estava lotada, eu sentei do lado dele. No momento, não tinha pretensão alguma. Creio que eu nunca havia notado ele antes de no aproximarmos, é difícil alguém me parecer interessante antes de ter uma miníma conexão antes. Por isso, não tentei impressiona-lo de maneira alguma. Tirei meu casaco da bolsa e o coloquei contra a mesa para servir de almofada, como qualquer bom vestibulando faria. Eu havia cochilado nas duas primeiras aulas e acordei na terceira, uma vez que era aula de humanas e sempre tive um interesse nessa área. Como havia um intervalo entre aulas, a namorada dele foi lá em nossa sala. O nome dela era Maria Alice e somos amigos desde a infância. Eu a considero uma das pessoas com o coração mais bonito que eu conheço e sou muito grato por nossa amizade. Maria é uma menina muito meiga, de cabelos longos, lisos e morenos, parecia sempre ser a pessoa mais bonita do ambiente. Infelizmente, as pessoas são más e sempre comentam, nesse caso não seria diferente: sempre diziam que Davi era muita coisa pra ela. Nunca compactuei com esse tipo de pensamento mas sempre fui muito apático para realmente me envolver nesse tipo de fofoca.
-Bom dia, amor. - Disse Maria, quando entrou em nossa sala. Deu em Davi um abraço apertado, mesmo ele estando sentado na cadeira ao meu lado.
- Bom dia, Ma. - Ele fez como se tivesse dando um beijinho carinhoso no braço dela que o envolvia.
Nesse momento, Maria olhou pra mim e, pelo encontro de olhares, creio que ela achou que era necessário me incluir na conversa.
- Ei, Caca, solta esse celular. E aí, como anda tia Andréa? - Andréa é a minha mãe e cuidou sempre de Ma como uma filha, inclusive, sempre gostou mais de Maria do que de mim. Não a culpo, Ma sempre foi a melhor da classe, a mais educada e meiga. E eu sou simplesmente, mediano.
- Vai bem, eu acho. Não conversamos muito sobre a vida dela, mas creio que anda tudo bem. Esse final de semana ela vai viajar com meu pai para a Espanha, passar uma semana, mais ou menos.
- Manda um beijo pra ela, estou com saudades de almoçar na casa de vocês depois de voltar da piscina. Enfim, minha aula vai começar agora, tenho que ir.- Ela deu um selinho em Davi e saiu da sala. Eu senti que Davi não ficou muito confortável com a minha inclusão na conversa. Creio que pelo fato de que eu havia roubado o pouco tempo que ele tinha com a namorada dele. Mas dificilmente eu iria ligar para a insatisfação dele, no momento, mal o conhecia. Na verdade, o seu nome na minha cabeça aparecia bem mais como "Namorado de Ma" do que propriamente Davi.
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Chorando e Cantando
Teen FictionJC, João Caetano, ou somente Caca, é um menino de 16 anos que se encontra confuso e apaixonado por um dos piores meninos possíveis e se encontra prestes a viver o que ele irá considerar o amor de sua vida.
