A demência na Alvorada

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Todos os bons desejos acordaram comigo
Sinto que tenho sido o melhor possível
Minha prece é que a guerra não me deixe ser vencido
E por mais que seja ferido
Mantenha os bons princípios.
Há um dia longo pela frente
Batalhas permeiam minha mente
Tenho planejado minuciosamente
E quem sabe se sou sábio ou demente?
Tenho tido boas inspirações
Poesias escorrem pelas minhas mãos
Dizem que tenho um gigante coração
Parte de tudo isso é da imaginação
Sinto o que não vivo
Sentes tu que tens sentidos
Deixe-me entre meus versículos!
Virtudes às cegas me deixam deprimido
Não há glória alguma em ser sensível
Pesa nos meus ombros as dores de todos os perdidos
Embora não costume abrigar melindres
Tenho salivado por migalhas de amor como um mendigo
Que anseia pelo pão e por vencer o frio
Meu inverno parece muito comigo
Glacial, infernal
Sou eu ou o que tenho transparecido?
Tudo isso diz de mim ou tenho apenas finjido?
Multiverso expande-se a cá
Profundo, largo, alto
Me visto de variadas facetas
Assumo formas
Abandono normas
Sou objeto fora de órbita.
Gosto de tudo
Ora de nada
Intensidade
Simplicidade
Pólos e partes
Implacabilidade
Sinto que tenho sido o melhor possível
Dê-me o amargor do vinho
Sou insípido
Pra no fim ser híbrido
Todos os bons desejos acordaram comigo
Sinto que tenho sido o melhor possível
Minha prece é que a guerra não me deixe ser vencido
Tenho medo de ficar sozinho
Sufocado na densidade da fumaça dos charutos que consumi
Ou já sucumbi?
Vegetativo?
Florido?
Não quero ser vencido,
Tenho bons princípios
Todos os bons desejos acordaram comigo
Tenho um reflexo pálido vívido
Não quero ser vencido
Meu choro não pode ser engolido
Alma, solta teu grito!
Sou desses loucos boêmios com aparência de cético?
Mas hoje, ah! Hoje todos os bons desejos acordaram comigo
Não voltarei ao vômito dos meus caprichos
Não quero ser vencido
Encontrei abrigo
Não quero ser vencido!
Todos os bons desejos acordaram comigo
Minha prece...
Meu alívio...
Pesadelos...
Calafrios...
Tenho um espírito faminto...
Loucamente sedento...
Me rastejo...
Não posso...
Ser...
Ven...
...Ci
Do...

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