Era por volta das 19h quando alguém bateu à porta. Eu estava sentado em minha poltrona enquanto meu companheiro folheava um jornal. Havia tempo que não recebíamos um caso que Sherlock julgasse interessante. Quando a abri, diante dela estava uma figura um tanto incomum. Um sujeito gordo, baixo, calvo, trajando um sobretudo e segurando um chapéu coco disse:
— Gostaria de falar com o senhor Sherlock Holmes.
— Entre — falou meu companheiro com um tom de desinteresse na voz.
— Há tempos estou precisando de ajuda de um especialista. Faz duas semanas que —
— Vá direto ao ponto, por favor — interrompeu-o Sherlock com um ar impaciente.
— Algumas pessoas estão simplesmente desaparecendo — continuou o sujeito parecendo um pouco ofendido. — Elas simplesmente somem sem deixar rastro algum, e reaparecem no necrotério.
— E por qual motivo eu deveria me importar com a morte de desconhecidos? Creio que isso ocorra todos os dias.
— Todas essas pessoas possuem algo em comum: são indigentes. Seus corpos não apresentam nenhuma marca ou sinal de como a morte possa ter ocorrido. E em todos os casos um bilhete é encontrado junto ao corpo, este é o último que foi encontrado caso queira dar uma olhada — o homem entregou um papel com os seguintes dizeres:
"autem duo tria quattuor quinque sex septem octo..."
Após olhar o bilhete Sherlock pareceu mais interessado
— Sabe me dizer onde são encontrados os corpos?
— Não — respondeu o homem — só os vi no necrotério, esses bilhetes foram encontrados nas roupas dos falecidos.
— Quem leva os corpos dos indigentes para o necrotério?
— Normalmente as pessoas que percebem que o indivíduo está morto nos encaminham um telegrama. A equipe do necrotério vai até o local e recolhe o corpo.
— De fato é estranho. Precisarei falar com os responsáveis que levaram os corpos, quero olhar os outros sete. Saber onde foram encontrados e fazer uma autópsia pós morte é um bom começo. E quem é o senhor e como sabe desses casos?
— Como sabe que houve mais sete? — perguntou o indivíduo ignorando a indagação.
— Isso é óbvio, o bilhete é uma contagem crescente em latim. Se o que você me entregou foi o último, presumi que haviam outros sete corpos já que esse foi o "octo". Mas quem é você e como sabe desses casos?
— Meu nome é Lucius, e trabalho no necrotério. Sou responsável por contar os cadáveres que chegam e listá-los. Nas duas últimas semanas houve um aumento do número de indigentes mortos. Pensei que alguma doença pudesse tê-los acometido, mas depois de tomar conhecimento dos bilhetes achei tudo muito estranho. Creio que não foi morte natural, foram assassinatos.
— Eu e o Dr. Watson vamos amanhã ver os corpos, acredito que ele como médico poderá dar um diagnóstico melhor que o meu sobre a causa da morte.
Senti-me honrado com o comentário do meu amigo sobre mim, e assenti com sua decisão.
— Temo que não será possível uma autópsia, todos já foram enterrados — Disse Lucius
— Nesse caso esperaremos — disse Sherlock. — Se estou correto, esse corpo não será o último a ser encontrado. Como normalmente costuma ser assertivo em minhas deduções, assim que houver mais um caso ficarei feliz em fazer uma análise.
Embora um pouco espantado em saber que haveriam mais assassinatos, o homem gordo agradeceu a atenção e foi embora.
— O que achou do caso? — perguntei.
— Está ficando cada vez mais interessante — Disse entrelaçando os dedos e ajeitando a postura na poltrona. — Assassinatos em série, sem motivo aparente em um primeiro momento, com um recado do assassino. Com certeza a intenção dele é que alguém investigue suas vítimas. Contatarei Lestrade amanhã, apesar de achar que ele já está ciente de tudo isso.
Ele se levantou,pegou seu violino e começou a tocar uma obra de Bach. Após um longo período semnada cativante, parece que finalmente voltaríamos à rotina normal. Afinal,confesso que também estivera um pouco entediado.
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O Décimo
FanfictionSherlock Holmes e Dr. Watson investigam um caso de uma série de assassinatos de indigentes, os corpos são levados ao necrotério e como única pista é deixado um bilhete junto aos mortos. Usando sua capacidade de dedução e observação, Sherlock entre e...
