Capitulo 1

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Ilha do Rum, primavera de 617, taverna Olho do Corvo.

O movimento continua intenso na taverna, nao importando o horario a mesma se mantém sempre cheia, em meio a gritaria de alguns bêbados, grupos dançando e erguendo seus canecos, gente de todas as raças presentes, exceto elfos, pois esses ja foram praticamente extintos de Xtalia.

Uma barda toca seu alaúde e agracia o publico com sua voz e beleza, alguns jogam uns trocados, outros a cortejam sem muito sucesso.

No canto encontra-se uma senhora toda encapuzada acompanhada, ao que tudo indica pela vestimenta da mesma, por uma paladina de cabelos brancos, que não parece gostar muito do ambiente.

No centro do salão parece estar acontecendo uma competição de luta entre alguns homens, onde se destaca um bárbaro com 2 metros de altura e corpo robusto.

O cheiro de bebida exala por todo o ambiente, contaminando até mesmo a rua inteira, mas ninguém ousa reclamar do barulho ou do fedor, ali dentro o mais certinho deve ter pelo menos um homicídio em sua ficha.

O Taberneiro, um humano alto com um tapa olho e completamente malhado, provavelmente um ex guerreiro, não tirava o olho da senhora no canto enquanto limpava os canecos com um pano.

Paladina:
- Vamos fazer logo o que precisamos, nao aguento mais ficar nesse lugar...

A senhora coloca uma moeda de platina na mesa, um ato estranho na capital, mas que na Ilha do Rum significava apenas duas coisas: ou ela queria ser roubada ou estava contratando e pela Paladina ao seu lado, so podia ser a segunda opção.

Alguns se aproximaram logo de cara mas foram recusados quase instantaneamente, apesar da aparência engraçada a senhora de capuz parecia ser bem exigente sobre seus contratados. Em seguida o bárbaro derrubou o seu competidor no centro do salão com um belo soco no maxilar e pode-se ouvir a euforia dos presentes gargalhando e comemorando enquanto derramavam a cerveja e voltavam a encher os copos. Ele então pegou uma caneca e virou em apenas um gole e se dirigiu até a mesa da senhora.

Bárbaro:
- Me chamo Ivarov! Estou a procura de serviços e pelo que posso ver você está contratando e paga bem!

Senhora:
- Sim nobre guerreiro! E você parece ter o que é necessário para cumprir essa tarefa!

Ivarov:
- E qual seria a tarefa?

Senhora:
- Assim que o grupo estiver formado darei mais informações.

O bárbaro sentou-se então a mesa, e continuou a beber enquanto esperava as informações sobre o contrato e olhava para a Paladina com um olhar paquerador, enquanto ela ao perceber esses olhares, bufou e revirou os olhos com um sentimento de nojo. Ao ver essa cena a barda finalizou sua apresentação, colocou seu alaúde nas costas e recolheu a bolsinha com o dinheiro deixado pelos seus admiradores, desceu do palco e foi em direção a paladina.

Barda:
- Olá me chamo Rouxinol! Percebi que seu amigo ai está interessado em você mas tu não parece corresponder...

Paladina:
- Ah... Oi me chamo Aurora! Digamos que tenho mais o que fazer do que perder tempo com assuntos triviais...

Rouxinol:
- E que assuntos são esses?

Antes que Aurora pudesse responder a senhora interrompeu a conversa e começou a falar.

Senhora:
- Uma barda... Adição  interessante ao grupo...

Rouxinol nem pensou em contestar a mesma, apenas pensava no pagamento que receberia e nas baladas que poderia compor depois do contrato realizado, nada mais gratificante e lucrativo para um bardo que cantar as aventuras que viveu.

Mais alguns se apresentaram a mesa, mas a senhorinha recusou um após o outro, sempre dizendo que não eram qualificados para aquela missão.

Ivarov:
- Você  acabou de rejeitar a ultima pessoa da taverna. Podemos ir direto aos negócios agora?

Senhora:
-Ainda falta mais um membro para fechar o contrato, espere e tenha paciência.

A noite corria e a baderna continua a todo vapor na taverna, gargalhadas, gritarias, homens dando em cima das empregadas, algumas brigas que eram contidas pelo próprio taberneiro e mais música. Após algumas horas a porta se abriu e entrou uma figura, todos olharam e o barulho cessou instantaneamente, não  se ouvia um chiado, nem mesmo dos ratos que ali passavam. O elemento entrou, sentou-se em frente ao balcão e com um gesto pediu ao taberneiro uma caneca de Rum.

Senhora:
- Finalmente ele chegou! É ele que faltava.

Os três membros do grupo se entreolharam e fizeram uma cara esquisita, o barbaro fechou a cara imediatamente, a barda deu um sorrisinho de canto e a Paladina não se conteve...

Aurora:
- Mas mileide, ele é um ELFO!

Ao ouvir isso o taverneiro olhou para Aurora com um olhar assustado e balançou  a cabeça negativamente.

Rouxinol:
- Vejo que nossa amiga não conhece o nosso elfo, pelo visto é a primeira vez que pisa aqui na Ilha do Rum... Aquele é Zancrow, o assassino de reis...

Ao ouvir isso, Aurora virou para a senhora e disse em um ton de reprovação.

Aurora:
- Mas senhora, vai contratar um assassino para fazer o nosso contrato?

Senhora:
- Não questione minhas ecolhas, minha pequena, apenas obedeça!

Zancrow viu a moeda em cima da mesa e apenas olhou para o grupo e voltou a beber, ignorando completamente os 4 da mesa.

Aurora:
- Olha aqui seu miserável de raça inferior, como ousas ignorar a minha senhora?

Ao ver a aproximação bruta da paladina em sua direção, o assassino continuou imóvel até perceber que ela estava sacando a espada e apenas com um movimento colocou uma de suas kusarigamas no pescoço de Aurora.

Zancrow:
- Entra no meu estabelecimento, me desrespeita e ainda por cima saca a sua espada contra mim!? Jovem humana, eu ja matei por muito menos...

Aurora estava suando frio e ninguém no estabelecimento ousava parar o elfo, até  que se ouviu a voz da senhorinha.

Senhora:
- Zancrow, tenho um contrato e posso lhe dizer que pagarei muito bem!

Ela olhou para os outros membros do grupo e entregou  um pequeno papel.

Senhora:
- Me encontrem nessa localização amanhã assim que o sol raiar!

Após dizer isso ela puxou a paladina e se retirou do estabelecimento, Rouxinol voltou a tocar seu alaúde enquanto olhava fixamente para Zancrow. Ivarov voltou a competição de luta no centro da taverna, enquanto Zancrow continuava em seu lugar no balcão bebendo sem ser importunado por ninguém.

As Crônicas Das Sombras: Shadow HuntersStories to obsess over. Discover now