PRÓLOGO

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JOHN


Fecho o último botão, ajeito a gravata, pego as chaves e me direciono para o local mais divertido dos últimos anos. A STD – Stanford, Torini & Duarte advocacia. Graças a minha turma imbatível – Evelyn, Felipe, Carla e Ricardo – nos mantemos sempre alegres e descontraídos para evitar a sobrecarga e o estresse que é trabalhar nesse ramo.

A semana está pela metade, mas já foi longa o suficiente. Após toda a manhã passar, deixo de responder aos e-mails, assinar papeladas que Carla me traz e passar por diversas reuniões. Sentado em frente à tela do computador, simplesmente paro e viro a cadeira giratória para o outro lado, em direção à ampla janela do meu escritório, com a intenção de pensar um pouco em coisas banais, para aliviar a tensão.

Uma ideia toma forma em meus pensamentos, uma que pode deixar para trás esses dias longos e cansativos. Precisamos animar essa rotina, não vejo coisa melhor do que... enfim, não tenho dúvidas de que tive a melhor ideia dos últimos meses.

Agora é a hora de fazer uma pausa para o café e aproveitar para comunicar a todos o que planejei.

 ***

— O quê? Como é que é, John? — Carla e Evelyn perguntam, animadas. Elas geralmente só gritam assim quando estão impressionadas ou com raiva por algo que fiz. E puta que pariu, já me acostumei com essa merda!

— É uma ótima ideia, não acham? — pergunto, tentando persuadi-las.

— Vão me dizer que vocês não gostariam de uma viagem dessas? Conheço vocês — Felipe comenta, com aquela paciência tirada de algum lugar que desconheço.

Elas se calam e pensam, enquanto sorriem. Claramente isso indica que há algo que gostam. Todos esses anos convivendo com esse monte de hormônios acabaram me fazendo conhecer muito delas e prestar mais atenção em detalhes diversos sobre as mulheres – aqueles que, normalmente, passam despercebidos por muitos. Isso me ajudou em certas situações, inclusive com as mulheres que conquistei. Orgulho-me de ter pegado geral, porque, de outra forma, a vida não seria nada divertida. Não existe outra coisa na qual eu pudesse me apegar tanto quanto isso. Eu não seria arrebatado por um amor, ainda mais de repente. Afinal, isso não existe, não na realidade. O amor não passa de uma invenção dos romancistas para povoar os sonhos femininos e iludi-las. O desejo que é a peça importante, apenas ele.

— Claro que curtimos a ideia, inclusive elas, Felipe. Quem não conhece essas duas? Agora só precisamos de umas férias.

— Ricardo faz uma pausa, pensativo. — Tá de brincadeira, não vamos conseguir essa porra nunca nessa empresa.

— Nossa, quanto pessimismo, Ricardo! Fica na sua, seu idiota! — Carla interrompe. Ricardo faz cara de magoado, é claro que o imbecil está brincando. E ela prossegue confiante, rindo dele: — Gente, mas com uma coisa eu tenho que concordar: as coisas nessa empresa não costumam serem fáceis. — Carla é uma pessoa de fases, às vezes age como uma dama; em outras, nem tanto. Mas é algo que não costumo tentar entender, já fiz isso por tempo demais e admito, chega a ser cansativo, já tenho problemas demais para ficar tentando entender qualquer pessoa que não seja de extremo interesse para mim. Não que ela não seja...

Felipe intervém:

— Dá pra vocês pararem? Vamos resolver isso logo? Levantem as mãos, quem está a favor do cruzeiro. — Todos levantamos as mãos. Incrível, todos! É óbvio que esses idiotas não iriam deixar de ir a uma viagem num cruzeiro para aproveitar as regalias a bordo. — Pronto, feito isso, calem suas bocas e resolvam as questões sobre as férias diretamente em uma reunião, bobões. Comuniquem as pessoas. — Rimos juntos na cafeteria interna do prédio, no segundo andar.

Sweet DesireWhere stories live. Discover now