Escrever foi cobrado de minha mediocridade. Pois bem, receba este trabalho cuja mente criadora mal sabe o que dizer. Com o som ao fundo, a batida do coração transborda de sentimento incompreensível. Poderá compreender este amontoado de palavras que o sentido será dado por sua mente (talvez tão perturbada quanto a minha) e isso será sua culpa, apenas sua culpa. Pode lidar com o peso da incompreensão? Pois estou rendido ao que chamo vaidade e isso me faz crer, fielmente, que tudo que escrevo aqui escrevo para minha glória. Nada de proveito para outrem, que nem sequer sabe do que estou falando. Mas tu, formosa donzela, dos meus pesadelos, sabes bem como é está alma desatada a escrever. Sentida de formas diferentes, superficiais e inconstantes. Um pintor de tela que respinga tinta na alma branca, manchando-a para toda eternidade só para que seu trabalho, já horrível o suficiente seja ainda mais odiado e tratado como ofensa aos eternos. Neste ponto já não entendo bem do que falo, seja esse o efeito do vinho amargo que recebi ontem dos poucos e infiéis seguidores, mas sei que quando tu ler e olhar através das palavras, como só vossa senhoria o sabe fazer verá do que falo e de quais sentimentos minha alma está insistente.
Como uma arte clássica, este texto exprime algo que você sente, mas não compreende e até acha belo, mas não o colocaria na parede da sua sala de estar para que as visitas o contemplem. Pois mesmo que belo (mas não tanto), lhe causa certo sentimento de perda, você sente, sei que sente, algo como admiração pelo desconhecido, pois não consegue chegar a contemplação final da obra. Ou consegue? Talvez o consiga, sempre foi mais contemplativa que o espírito deste medíocre.
Pois bem, tento parar de escrever sobre como não sei o que falo, mas não sei muito e isso me rende muitas frases soltas e sem sentindo, que vos escrevendo, talvez ache sentido para mim.
É um poema agradável? A esse ponto já duvido da minha sanidade que não para de forçar meus dedos perdidos a delizarem pelo teclado. Não para compor uma bela canção, que apresentaria no piano da casa para a família, mas uma música que canto baixinho no silêncio do quarto. E isso a torna tão mais bonita, tão mais aceitável, menos estúpida.
Eu disse uma vez que tudo pode ser medíocre, não volto atrás do que eu disse, mas não tiro sua razão de discordar, pois tu não compreendes a mediocridade, não é algo acessível a você.
Até onde eu vou escrever para tentar explicar esse turbilhão de pensamentos, e aqui noto que não me comparo a Vinícius de Moraes, um coitado, sou em comparação com este ou aquele outro, Sr. Machado de Assis. Dedico me a por algumas letras na folha e pedir aos céus que elas façam sentido em algum momento da minha mísera existência, mas quase não tenho mais esperança em relação a isso.
Pois é com está carta, cheia de coisas que não se pode entender, que começo este conto de cartas ou de diário, ou de passado. Talvez pare de ler antes de chegar aqui, talvez não tenha entendido nada e está me odiando profundamente, talvez tenha sentido demais coisas incompreensíveis e agora precisa parar, talvez tenha visto e revisto o motivo de ler essas coisas, mas saiba, assim como eu sei, que não há milagre que seja incompreensível. Muito menos sentimento. Então sente-se, não seja tão covarde, e entenda que nem tudo será entendido.
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Contos de Passado
Short StoryUm série de pequenos contos relatando a fragilidade do sentimento humano afetado pela expectativa do amor ou da dor. O protagonista pode ser qualquer um, se ver, além das letras, e conseguir entender que cada palavra pode fazer parte de qualquer fra...
