O Diário de Angelinne

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Dia 1

Olá diário. Hoje descobrir que haverá um concurso de beleza na escola. Irão escolher a garota mais bonita do baile de formatura do terceiro ano. Como ainda estou no segundo, não posso concorrer, mas já me vejo ganhando no ano que vem. O único problema é que a ganhadora é escolhida por votação dos professores. Ou seja, preciso ser uma boa aluna primeiro - algo difícil devido ao meu histórico de idas à direção por mau comportamento.

Aliás, foi graças a isso que descobrir a existência desse concurso. Ouvir a diretora falando ao celular com o esposo sobre o baile e também que precisavam de dinheiro para a reforma da casa de praia deles. Não ouvir o restante da conversa, pois, assim que viu minha sombra na porta, desligou. Amanhã ela vai em todas as salas fazer um comunicado. Provavelmente, falará sobre o baile. Ficarei atenta.

Dia 2

Eu estava certa. O comunicado foi, exatamente, para avisar sobre a realização do baile de formatura, mas diferente dos anos anteriores, a entrada vai ser cobrada, e o valor arrecadado será dado como prêmio a vencedora do concurso. Os alunos ficaram surpresos, inclusive eu, e as meninas do terceiro ano estão eufóricas com a novidade.

Além disso, a diretora está feliz com o baile deste ano. Uma felicidade suspeita na minha opinião. Ano passado não estava tão empolgada assim. Sua filha, a enjoada da Clarice, vai concorrer, uma vez que é aluna do terceiro ano - a peste. Meu sangue ferve só de imaginar o que estão tramando.

Dia 6

Boa noite, diário. O baile foi ontem. A festa estava linda e, como não foi surpresa para mim, a Clarice ganhou o concurso e os R$1.300,00 reais arrecadados com as entradas dos alunos. Contudo, ela ficou com a faixa e o dinheiro não mais do que cinco minutos. Desmarcarei mãe e filha.

Afim de gravar alguma conversa suspeita, pedi para um amigo grampear o celular da diretora dois dias antes. Aproveitei um instante que ela saiu da sala, peguei seu celular e liguei para o meu. Passei o número ao meu amigo e não demorou para ele gravar o que eu mais queria ouvir.

No auge da festa pedi licença para dizer algumas palavras. Encostei meu celular no microfone e a conversa dela com o esposo tramando a vitória da filha e como usariam o prêmio na reforma da casa de praia ecoou por todo o ginásio.

A cara da diretora parecia que ia derreter de ódio. Rapidamente, tirou o microfone da minha mão e quis se retratar. Tarde demais. A vice-diretora fez o mesmo com ela e anunciou que a partir daquele instante mãe e filha não faziam mais parte daquele colégio.

A surpresa maior foi com a vencedora do baile. Os alunos concordaram que eu deveria ser a ganhadora pela minha atitude. Como retribuição, decidi doar o valor arrecadado para reforma da sala de computação da escola que estar precisando de uma pintura nova.

Quem diria que eu ia ganhar o baile mesmo sendo do segundo ano. Logo eu que sempre fui motivo de piadas. Agora, querem até que eu me candidate a nova presidente do Grêmio estudantil.

Por que não?

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