Estava nervoso, minhas mãos suavam de ansiedade, olhava em volta rapidamente, os móveis de madeira branca permaneciam com uma fina camada de poeira, nada que precisasse de uma limpeza imediata.
Estranho nós atribuirmos características humanas como a necessidade de janelas ou camas se não temos o que ver através delas ou sono para dormir, deve ser um capricho de meu criador.
Rafael entrou na sala com o queixo erguido e as mãos encaixadas atrás das costas, seus passos pesados ecoavam pela sala, a típica pose de líder egocêntrico. Maxilar firme e bem definido assim como os músculos de seus braços, cobertos pela camisa branca de botões azuis, cabelos pretos e ondulados, pele morena, - não chegava a ser negra - era alto assim como muitos de nós mas seus olhos verdes brilhavam de um modo esquisito. O que mais me irritava nele é que meus poderes não o atingiam, não podia ler sua mente já que era meu superior, e mesmo se pudesse não tinha o direito.
Bufou assim que me viu parado em frente a sua mesa, me olhou com decepção e respirou fundo antes de começar o sermão.
- Sabe Ariel, depois do que você fez cinco anos atrás eu tentei lhe dar uma segunda chance mas você não está facilitando, soldado - permaneci em silêncio, rígido com os braços colados nas laterais do corpo e a espada pendurada no cinturão, era tão grande que quase chegava a encostar no chão, foi feita especialmente para mim, o cabo prateado sustentava a lâmina, tão afiada quanto as pontas de minhas asas, essas sim chegavam ao chão, as arrastava há séculos, hoje nem sei onde elas foram parar.
Rafael andava em círculos pela sala, impaciente com a situação.
- Senhor se me permite falar eu-
- Já é a terceira vez Ariel, foi a única coisa que pedi.
- Me desculpe senhor mas não posso fazer o que me pediu - vi suas mãos fecharem, os nós dos dedos amarelarem de tanta força que os apertava, seu rosto começou a ficar vermelho, Rafael não é de ter muita paciência, principalmente comigo. Ele era meu líder mas eu não o considerava como tal e isso o deixava bravo.
- Por que não pode?
- Ele é apenas uma criança, não vou matá-lo.
Ele se sentou na cadeira e cruzou as pernas, seus dedos batiam no braço da mesma de modo ritmado.
- Ele é um erro Ariel, fruto de um pecado. E se eu mesmo pudesse o mataria mas esse não é meu dever, é seu.
- É apenas uma criança Rafael! - perco o controle e aumento minha voz que ecoa no cômodo, foi a primeira vez em toda minha existência que o chamei pelo nome, sinto o clima gelar, Rafael pareceu surpreso com meu tom.
- Você não tem escolha - sua voz também aumenta, ranjo os dentes de raiva e tento controlar a respiração descompassada. - ou faz o que mandei ou-
- Ou o que, vai me expulsar dos céus? - ele me olhou incrédulo batendo as mãos na mesa com força, na mesma hora percebi que tinha falado demais, porém não me arrependi - Não vou matá-lo.
Meu tom se normaliza mas meus batimentos continuam rápidos.
- Não quer matá-lo por ser uma criança ou por ser seu filho?
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Profecia
AdventureDylan tinha uma ótima vida ao lado de sua mãe, mas um dia ela desapareceu, assim como uma boa parte da população do mundo. Em meio ao caos as portas do inferno foram abertas e o apocalipse começou.
