Prólogo

14 0 0
                                        

Ela tava me olhando,com aquele rosto molhado de lágrimas,olhos vermelhos e inchados. Eu a olhava também, e percebia que não era mais ela que estava ali,na minha frente. Era uma pessoa perdida no seu próprio mundo,ela era uma alma despedaçada e morta,ela já não habitava dentro daquela casa, já havia partido. A minha mãe estava a ponto de gritar,mas a voz não saía. As minhas mãos estavam trêmulas, e sentia uma dor insuportável no meu peito,não uma dor física,era só o meu coração se partindo dentro de mim. Eu não podia fazer nada.

- POR FAVOR, TIREM ELA DAQUI - O meu pai gritava para a empregada gordinha ao lado da porta.

Eu estava paralisada, não chorava,nao gritava. Apenas ouvia o meu peito gritando. A dor insuportável, o ardor. A minha alma também estava partindo com ela.

Senti umas mãos em meu pulso direito,olhei para cima e vir a empregada Amélia. Ela estava me puxando para fora do quarto,eu não tinha forças para lutar contra isso,e também não queria presenciar aquela cena. Ela me levou até a porta do meu quarto,parou e olhou pra mim.

- Minha querida, a sua mãe era uma drogada,e seu pai merece alguém melhor. Eu irei ser uma mãe melhor,não acha? - Eu não acreditei naquelas palavras,vindo da boca da Amélia.

Amélia era a típica empregada querida por todos, e ganhava sempre o maior salário. Ela nunca quis sair dessa casa,mesmo quando a empresa do meu pai entrou em crise, papai demitiu todos os empregados, ela também seria demitida,mas ela disse que gostava da gente,e por esse motivo ela continuou trabalhando sem receber o seu salário. Mamãe ficou feliz e agraciada com a atitude da Amélia, ela acreditou nas sua falsa bondade. Sem saber ela,que tudo que a Amélia queria era o papai.

- Sua...sua.. patéti...- as palavras não saiam,eu estava engasgada com minha própria saliva.

Ela sorriu,e piscou pra mim. E se foi.

Eu não aguentava mais,queria fugir daquele lugar. A única pessoa que me entendia era minha mãe, a agora, ela se foi. Corri para dentro do meu quarto, e tranquei a porta o mais rápido que conseguir. E me joguei no chão.
Olhava para fora da janela e observava a lua,era noite,e aquilo só me deixava mais triste. Todas as noites,minha mãe vinha ao meu quarto conversar comigo,ela se sentava e sorria pra mim,aquele sorriso iluminava até mesmo as trevas. Caminhei até a janela,eu não queria fazer isso.

Eu não iria viver sem minha mãe naquela casa dos infernos,eu iria sumir do mapa e meu objetivo era não ser encontrada nunca mais. Os meus olhos foram na direção da minha mochila,minha mãe me deu ela de presente.
Peguei tudo o que seria necessário,ou seja,o que cabia na minha mochila. Fechei a porta do quarto, e antes de pular pela janela,olhei para trás. O meu pai era um bom pai,só que eu já sabia que a Amélia tomaria o lugar da minha mãe, e eu não queria ver isso.

Então, naquela noite eu  viajei,não de carro,nem de avião, apenas com minha mochila nas costas. Seguia sempre na linha do trem,porque eu sabia que me levaria a um lugar deserto,e o mais importante, o lugar onde meu pai não pensaria em mim procurar.

Indefeso Where stories live. Discover now