Rose Whitte

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Rose

Meus pais morreram, quando eu tinha 7 anos, em um incêndio causado... Por mim. Eu ainda me lembro dos gritos e da correria. Eu consegui escapar porque sou imune ao fogo, mas os meus pais e meu irmão mais novo, Kanie, não.

No dia eu falava para as pessoas "Fui eu... A culpa é minha..." e pedia desculpas, mas as pessoas sempre diziam "A culpa não é sua" ou " Não põe isso na cabeça. Você não tem nada a ver com isso", então eu vi que não ia adiantar falar com elas. Eu chorava muito e gritava pela minha mãe, esperando por eles do lado de fora.Tinha uma mulher, uma vizinha, que me abraçava tentando me acalmar. Eu tenho mais dois irmãos, Anny e Clover, mas eles não moravam mais lá nessa época. Quando o fogo acabou e as pessoas foram embora, minha irmã, que tinha vindo o mais rápido que pôde quando soube do acontecido, me levou pra casa dela onde moravam ela e o namorado. No caminho, indo para a casa dela, eu perguntei o que aconteceu com meus pais e então ela me disse que haviam morrido. Na época não me abalou tanto. Eu era uma criança! Não entendia dessas coisas.

Eu fiquei lá por alguns anos até que em uma certa época minha irmã ficou grávida e o salário dos dois não iam conseguir sustentar duas crianças. Meu segundo irmão mais velho já tinha a família dele para sustentar e com muita dificuldade, por sinal, então minha irmã me mandou para a casa de uma tia que morava em uma cidade vizinha. Nesse meio tempo, enquanto estava na casa da minha irmã, eu me mantive longe do fogo ao máximo que eu pude.

Na cidade que minha tia morava tinha um boato que, há alguns anos, a escola local desabou e, depois de uma investigação policial, deram como defeito na estrutura do prédio, por já ser um tanto antigo. Mas foi feita uma investigação por fora e não havia nenhum defeito na sustentação da escola - embora fosse velha, tinha frequentes manutenções. Levaram mais a fundo essa investigação e descobriram que uma das vítimas, um garoto, havia fugido de casa logo depois de se recuperar dos ferimentos causados pelo acidente e seus pais alegaram que no hospital e pouco antes de fugir, enquanto dormia, ele se exaltava com os pesadelos que tinha sobre a tragédia e causava rachaduras nas paredes e trincava as janelas, consequências de cataclismos causados, aparentemente, por ele durante o sono. Os pais do garoto já não são mais vivos. Ficaram transtornados por causa do trauma emocional após o desaparecimento do filho e se suicidaram. Muitos acreditam que por causa desses supostos "poderes" que o garoto tinha, o prédio da escola desabou. Mas nada nunca foi comprovado, até por que ninguém nunca mais viu o tal garoto ou sabe do paradeiro dele. Sabendo das minhas habilidades, eu logo liguei os pontos e entendi que nós éramos iguais.

Quando soube do boato fui comentar com a minha tia. Achei muita coincidência um acidente por causa de uma criança com supostos "super poderes".

– Tia, você conheceu a família desse tal garoto que tanto falam por aí? Aquele que dizem ter desabado a escola? – Quando terminei a pergunta ela me olhou com uma cara um pouco estranha, como se eu tivesse tocado em um assunto muito delicado.

– Por que quer saber? – Ela respondeu um pouco hesitante.

– Eu acho que se eu souber mais sobre ele – Fiz uma pausa - pudesse me ajudar. – completei um pouco mais baixo.

– Ajudar com o que? Como assim? – Quando ela perguntou reparei que disse o que não devia.

– Só me diz se você os conhece ou não. – Respondi impaciente

– Não. Não os conheço. – Ela respondeu ainda mais impaciente. – Sem mais perguntas sobre isso. Agradeço.

– Tudo bem. – Disse, um pouco desapontada, e saí.

O modo como me tratava não era dos melhores, sendo assim, nos tratávamos entre farpas, mas eu não tinha mais opções. Já tinha algum tempo que eu estava morando com a minha tia, então já conhecia algumas das pessoas que moravam ali perto. Fui na casa de algumas delas perguntando sobre, mas ninguém quis comentar.

Os Cavaleiros da Coroa VermelhaStories to obsess over. Discover now