Introdução

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          Cabe aqui, uma descrição do cenário e do mundo. Vale que essas serão narrativas comentadas, ou seja, eu pretendo transformar a sessão de jogo em prosa valendo-me dos principais fatos e arcos dramáticos, mas ao fim pontuarei onde foram feitas alterações e adaptações e tentarei dar a devida representação do momento e clima das sessões. 


          2282. Os dias são negros. As horas, homogêneas. Dia e noite não fazem sentido sob o manto de nuvens e poluição. Chove intensamente dos trópicos ao equador. Há décadas a fronteira antártica, o último reduto da civilidade humana foi tomado pelos poderosos donos das corporações, e agora não passa de um resort onde apenas os mais afortunados podem privilegiar-se de uma vista verde e viver o sonho de conhecer o que a Terra já foi um dia.

          Seria romântico descrever o presente como o que no passado chamavam de futuro pós-apocalíptico. Seria esteticamente correto, porém, descrever as principais megalópoles como nas fantasias dos antigos - Sujas, escuras, infestada de doenças e pestes, transpirando drogas e poluição. A luzes de rua iluminam os outdoors e esquecem os becos. Os falantes públicos passam propagandas e omitem as pragas. A policia privada sobrepõe-se à lei. A lei é apenas uma mera fantasia daqueles que acreditam na velha piada da democracia.

          Um grande e aclamado antropólogo, filosofo e pensador moderno, Louis Ferdinand Canin, em sua mais recente publicação, definiu com as seguintes palavras o processo de construção social humana: O homem é imperialista. A democracia foi um breve flerte adolescente esquecido pelos são e adorado pelos loucos. Não há espaço para a vontade de todos, logo o todo deve se curvar à vontade de um. Só assim a sociedade é coesa e só assim o homem evoluirá.

          O crédito nunca foi tão poderoso. Já não se fala mais em dinheiro físico. Trabalha-se com quantidades ainda mais fictícias, quase arbitrárias. Tudo é baseado na renda e no potencial de lucratividade. Dois métodos adotados pelas inteligências artificiais das corporações para avaliar a acessibilidade de determinada coisa ou local por determinado indivíduo. A renda é variável, cotada de acordo com a Eficiência de Trabalho num algoritmo que leva em consideração a saúde (física, apenas) e o histórico profissional.

          Já o potencial de lucratividade é mais etéreo, quase místico. Alguns creem que seja calculado com exatidão por algoritmos especializadíssimos e altamente secretos. Outros acham que não passa de uma estimativa, feita valendo-se de parâmetros extraprofissionais que segundo suas teorias, são fruto do Big Data e acordões entre os que possuem e os que usam essas informações. De qualquer forma, ele define o quanto de lucro um individuo pode gerar em uma determinada função ao longo de um determinado tempo.

          A verdade é que mesmo sendo eficaz, ele pode ser facilmente manipulado pelos gerentes e chefes de setor afim de livrar-se de um funcionário indesejado por qualquer motivo que seja, desde que a justificativa satisfaça seus superiores e os superiores deles.

          Nesse cenário a criminalidade prevalece como o único método viável de mobilidade social. As castas são muito bem definidas, chegando ao ponto de serem fisicamente restritas em determinadas áreas. Evidentemente que um criminoso não terá os dados para gerar um perfil de porte equivalente à sua renda. Para isso existe o Passe de Excepcionalidade – Feito inicialmente para artistas ou pessoas cuja obra é popularmente aclamada, porém de difícil avaliação monetária.

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⏰ Last updated: Jan 24, 2020 ⏰

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