taehyung nunca encontraria alguém como jimin nem em um bilhão de anos, nem se ele quisesse nos seus melhores sonhos. ele se permitia pensar se existia mais um na terra como aquele que o preenchia de uma forma nunca antes vista, mas era em vão tudo em relação a eles era diferente. não tinha comparação a nada.
taehyung se sentia bobo, com um misto de felicidade em diversas horas do dia quando qualquer coisinha que fizesse lembrasse do seu mundo construído com o outro. era inacreditável que tudo existisse, que jimin fosse tão bom para ser de verdade e tudo fizesse parte de uma realidade vivida pelos dois.
tinham se encontrado e ninguém nunca os separaria, um encontro muito além de corpos ou meras mensagens, um encontro de almas.
ele não sabia dizer ao certo quando nem onde começou a importância tamanha pelo garoto, só sabe que depois que fez morada no seu coração desconstruído, os caquinhos em um passo de mágica se fizeram reconstruir e isso era tanto, mais do que já pôde esperar de qualquer um.
os dois podiam ser chamados de tudo até de perda de tempo — como muito já aconteceu—o fato é que não se importavam com comentários desse feitio pois já estavam bastante acostumados. todos diziam que relacionamento por internet não era duradouro e não necessariamente precisaria ser em um sentido romântico já que jimin e taehyung nutriam a amizade mais bela e pura que todo o mundo já fora capaz de ver.
tinham pessoas de todo tipo até as que jogavam as teorias de Bauman, em uma conversa mais aprofundada, discursando sobre amor líquido sem ao menos ser conveniente. mas é que o papo sempre rendia quando se dizia amar alguém de longe, ou quando se era perguntado sobre melhores amigos e jimin se via obrigado a dizer que o seu estava ali a uns tristes e muitos quilômetros de distância; o mesmo acontecia ao outro.
mas ele queria entender por que parecia ser tão difícil de se explicar para esses desacreditados que jimin rompia todas as barreiras da filosofia ou do que é e não é ou sobre o que deixou de ser, que só e apenas só jimin com o sorriso fácil e sua existência fazia com que taehyung se sentisse a pessoa mais sortuda por tê-lo em sua vida?
além de que, a amizade deles era regada de mimos, promessas e tradições.
uma dupla intergaláctica, as duas estrelinhas binárias.
eles tinham uma regra assim como aquelas que enfeitavam o céu e jamais seriam capazes de quebrá-las.
eram dois meninos feitos para estarem juntos, juntos ficavam de coração e de alma, mas no meio a distância pedia por fazer parte.
a distância trazia junto a si um lado ruim mesclado de inseguranças que se eram sentidas em alguns dias de chuva, dias que não se podia ver o céu estrelado.
no fundo, nutriam uma espécie de medo vindo de ambas as partes de um achar alguém mais interessante ou de chegarem a tomar o lugar tão sagrado do outro (como se fosse possível), ou de alguém que pudesse realizar tudo aquilo que prometeram fazer juntos. taehyung se sentia fraco quanto ao assunto, se desestabilizava quando jimin dizia: és uno. indiviso, singular, minha essência.
por isso que taehyung levava seu irmão de alma guardado em seu coração, ato que se fortalecia dia após dia.
e enquanto jimin espalhava sua luz na tailândia — nascido e criado. taehyung levava a vida incompleto no japão, cansado de saber que sua outra metade permanecia longe e as condições não permitiam um possível encontro. só de imaginar tal cena as coisas pareciam melhorar, o mundo se tornava mais bonito. ele se imaginava no encontro com o amigo tão querido, com o amigo que guardava segredos e constelações via internet.
não era segredo para ninguém que um dia se encontrariam, tomariam uma xícara de café puro feito por jimin — já que os de taehyung deixam muito a desejar —, e compartilhariam besteiras do cotidiano semelhante aos sonhos que se veem no futuro. sabiam que estavam prontos para essa utopia, as vezes taehyung olhava para si com uma tristeza sem razão só sentia vontade de dividir o mesmo espaço com jimin, uma urgência em tê-lo por perto, escutar suas divagações, seus pensamentos e aproveitar sua presença.
o dia chegaria em breve ele poderia sentir.
não sabia quanto tempo iria custar para que os sonhos se realizem, não fazia ideia de quantos dias seriam gastos, quantas noites seriam contadas para que o grand finale acontecesse, e por isso, apenas tentava não se preocupar fazendo planos mirabolantes de visitar seu amigo em outro país. se conformava com a ideia de que iriam ser amigos para sempre mesmo do outro lado do continente, do mundo ou até do planeta se possível.
tinha sentimentos demasiado de significados que por mais que fosse fácil escrever ou dizer qualquer coisa sobre ele, se via ainda incapaz de conseguir verbalizar o tamanho do carinho e amor que guardava só para jimin. sabia que nem com toda a discografia da banda favorita dos dois, nem com as letras dos poemas mais cativantes de clarice lispector o amor era capaz de se limitar.
o amor que taehyung sentia por jimin estava além de tudo. ele gostava de se perguntar como poderia ficar mais perto do amigo de alguma forma, se perguntava se já tinha tocado o coração de jimin como jimin tivera tocado o seu, mas sempre sorria nessas horas porque já sabia a resposta encontrada no brilho que formam as órbitas do mais novo, era nítido apenas pelo olhar.
não importasse quanto tempo demoraria, saberia que abriria um champanhe em um dia e diria com todas as letras: ei, jimin, é hoje!
a colisão entre estrelas.
para a minha favorita Vhopemuch
