"Espere então."
Essa havia sido a última mensagem que eu havia recebido de Mark e eu não havia entendido muito bem o sentido dela porque estávamos conversando sobre o poder de um sorriso antes disso.
Bloqueei meu celular e voltei a deitar na cama, tendo mais uma vez minha mente completamente tomada por lembranças. Lembranças boas. Lembrava dos sorrisos com o canadense, das vezes em que saímos pra simplesmente andar de bicicleta um do lado do outro, das vezes em que Mark havia chorado em meu ombro pela sua ex namorada, dos filmes assistidos, mas mais recentemente o que mais tomava meus pensamentos era como meu coração sempre acelerava ao ouvir sua risada, principalmente quando ela era causada por mim, ou como ele era estranhamente doce e gentil com todas as pessoas a sua volta e como meu dia simplesmente ficava mil vezes melhor quando ele me olhava e dizia oi.
Fui acordado de meus "devaneios" ao ouvir um barulho característico em minha janela. Era tarde da noite, quem jogaria uma pedra na minha janela a essa hora? Me levantei e fui até a mesma, afastando a cortina e constatando o que já imaginava. Era Mark.
Abri a janela e falei não tão alto, mas o suficiente pro outro ouvir. Não queria acordar meus pais.
ㅡ O que você tá fazendo aqui?
Observei um pequeno sorriso nascer em seus lábios e logo meu coração já estava acelerando. Que droga de sorriso.
ㅡ Se você descer aqui vai saber. ㅡ Mark havia sussurrado, e eu maldizia todos os hormônios que existiam no corpo humano porque senti um arrepio correr minhas costas.
Passei alguns minutos ainda o observando, suspirei em derrota e dei as costas pra janela. Me sentia meio idiota por estar praticamente correndo enquanto descia as escadas, mas mentia pra mim mesmo que era apenas porque estava curioso e não porque estava afoito pra vê-lo de perto. Nunca seria isso.
ㅡ Tá bom, tô aqui. ㅡ Olhei pro outro enquanto falava e ele apenas segurou minha mão e me puxou pra um cantinho escondido próximo á arvore que ficava bem de frente a minha janela.
ㅡ Agora você tem que sorrir pra mim. ㅡ ele dizia ainda baixo e eu arqueei uma sobrancelha. ㅡ Você que me fez ficar com vontade de ver seu sorriso.
Eu agradecia muito aos deuses que era muito tarde e não tinha nenhum vizinho na rua, porque eu nem havia percebido que ainda estava de pijama e eu também não queria ninguém presenciando o, provável, sorriso enorme e idiota que havia se formado em meus lábios ao ouvir o mais velho. Dei um tapa fraco em seu ombro.
ㅡ Você é idiota, onde já se viu sair essa hora pra ver o sorriso de alguém.
Mark também sorria de um jeito diferente e apesar da noite estar fria, meu coração estava quente, assim como minhas bochechas.
ㅡ Qual o problema? Talvez eu tenha usado isso como desculpa pra te ver. ㅡ Ele dizia como se fosse a coisa mais simples do mundo e logo após encostou-se na parede da minha casa. Eu apenas balancei minha cabeça.
ㅡ Se você veio ver meu sorriso automaticamente você veio me ver, o meu sorriso meio que faz parte de mim. ㅡ O observei mais um pouco, mas logo me arrependi de ter olhado diretamente em seu rosto, porque ele estava com um sorriso calmo nos lábios e novamente meu coração falhou uma batida. ㅡ Você pode entrar e dormir aqui se quiser... você não é tão idiota assim, ok? Obrigado por vir.
ㅡ Ok, então eu vim pra te ver e ver seu sorriso, você acertou. ㅡ Ele abaixou o olhar, sorriu e por um momento eu achei que ele estivesse envergonhado, mas eu nunca saberia realmente. Ele então voltou a olhar pra mim. ㅡ Não posso dormir aqui, tenho que voltar pra casa ou amanhã a escola e a minha casa vão estar cheias de policiais em busca de Mark Lee e você vai ser o principal suspeito.
Nesse momento eu achei que todo meu sistema respiratório tinha subitamente esquecido de como se respira, porque foi essa a sensação que eu tive quando mais uma vez Mark abriu seu melhor sorriso e o direcionou exclusivamente pra mim. Não tive muito tempo pra ficar divagando sobre como aquele sorriso fazia eu me sentir, pois logo senti sua mão em meu pulso e ele me puxou pra mais perto de si, tão perto que pude sentir sua respiração fria bater em minha bochecha.
ㅡ Não sou idiota? ㅡ ele disse e ele estava realmente muito perto, o que dificultava um pouco o meu raciocínio rápido, então apenas balancei a cabeça negativamente. Mark apenas riu. ㅡ Obrigado pelo sorriso.
Suspirei e mais uma vez sorri, não sabia se era um sorriso de nervoso, de alivio ou qualquer outra coisa, mas era muito bom ter Mark ali falando qualquer coisa pra mim, eu estava me sentindo o adolescente mais bobo do mundo, mas não queria me importar com isso, não agora.
ㅡ De nada eu acho. ㅡ Eu disse meio confuso porque não entendia muito bem minhas reações. Mark era meu amigo, meu melhor amigo e ele provavelmente ainda tinha sentimentos pela ex namorada que havia deixado no Canadá e por algum motivo pensar nisso fez uma pontinha de ciúmes brotar em mim.
Ciúmes.
O que estava acontecendo comigo?
ㅡ Boa noite, Donghyuck. Eu preciso ir, não quero você sendo acusado de sequestro. ㅡ ele disse e se desencostou da parede, consequentemente ficando de pé em minha frente. Ele ainda segurava meu pulso quando senti seus lábios frios e macios em minha testa. Era um beijo de boa noite, muito mais íntimo do que qualquer coisa que já havíamos feito antes.
ㅡ Boa noi... ㅡ Não terminei de falar, pois tudo aconteceu muito rápido. Em um momento senti a outra mão do canadense em meu rosto e no outro senti seus lábios colados desajeitadamente nos meus em um selar demorado. Porem, não tive tempo de fazer qualquer coisa, pois ele se afastou.
ㅡ Mark, eu...
Também não tive muito tempo pra responder, pois o garoto ria. Seu sorriso era tão largo que parecia um pecado deixa-lo ali rindo sozinho, então logo comecei a rir também, mesmo sem entender muito bem o que estava acontecendo.
ㅡ Eu queria muito fazer isso. ㅡ Ele falou assim que parou de rir. ㅡ Eu não achei que teria coragem, mas eu tive e eu quero de novo... Você quer que eu te beije, Hyuck?
Mais uma vez eu estava com aquele maldito sorriso bobo em meus lábios, tendo a certeza de que estava rindo apenas de nervoso pois eu nunca imaginaria algo como aquilo, não vindo do garoto a minha frente. Juntei toda a força e coragem que ainda havia em mim e entrelacei meus braços em seu pescoço.
ㅡ Eu quero muito beijar você. ㅡ E foi como se ele já esperasse por essa resposta, pois rapidamente senti suas mãos em minha cintura, puxando meu corpo pra mais próximo do seu e mais uma vez unindo nossos lábios. Dessa vez com mais calma e mais habilidade também. Meu coração batia muito rápido e mesmo enquanto o correspondia, torcia mentalmente pra que Mark não o sentisse, mas pelo o que eu sentia, o dele não estava muito diferente do meu.
Ficamos assim durante alguns minutos, nossos lábios colados, minhas mãos em seu pescoço, trocando carícias e alguns selinhos em meio aos beijos. Se mais cedo naquela noite tivessem me dito que aquela hora eu estaria aos beijos com Mark Lee embaixo da árvore da minha casa eu com certeza diria que a pessoa estava completamente maluca.
Eu não sabia quanto tempo havíamos ficado daquela forma, mas assim que Mark se afastou de mim novamente eu senti um pedaço de mim sendo puxado junto e eu instantaneamente senti falta dele em meus braços. Ele me olhou, seu olhar me analisou por inteiro, parando estrategicamente em meus lábios e por um momento eu me senti envergonhado novamente.
ㅡ Eu realmente preciso ir agora.... Se cuida, Lee Donghyuck. ㅡ E eu apenas o vi sorrir largo pra mim mais uma última vez antes de subir em sua bicicleta e pedalar de volta pra sua casa.
Naquela noite, Mark não levava embora consigo apenas o meu sorriso preferido no mundo. Também levava o meu coração, que tinha simplesmente decidido pertencer a ele e somente a ele a partir daquele momento.
Suspirei ao constatar que eu estava perdidamente apaixonado por Mark Lee. Abracei meu próprio corpo com o pensamento e voltei a entrar dentro de casa. Fui direto ao meu quarto e deitei em minha cama.
Sem que eu percebesse, meus pensamentos já eram inundados com a vontade de vê-lo novamente amanhã, sorrindo pra mim nos corredores da escola. Sorri e logo adormeci, desejando que aqueles sorrisos fossem pra sempre meus.
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Our History
FanfictionUma coleção de histórias com MarkHyuck como casal principal. O foco são várias histórias pequenas, de um capítulo sem nenhuma conexão um com o outro.
