Era apenas mais uma noite para Marcos, um jovem brasileiro que foi à Roma em busca de histórias para contar e glórias para serem vividas. Sentado em seu sofá de couro preto, dividia sua atenção entre a tevê e a rua deserta, oras iluminada e outras vezes completamente escura. – A lâmpada no poste insistia em ficar piscando.
"Merda de poste." – murmurou Marcos em sua mente. "Depois o Brasil que é país de terceiro mundo nessa desgraça".
Levantando-se do sofá, decidiu ir a cozinha tomar um gole d'água quando ouviu um grito de um homem surgir do lado de fora da sua casa. Virando-se em direção a garagem, foi à rua ver o que estava acontecendo e observou outro jovem – provavelmente mais novo que ele próprio – passando sebo nas canelas. Primeira vez que ele vê alguém subir uma ladeira com tanta velocidade.
"Que merda tá...". – Nem conseguiu concluir seu raciocínio quando uma moto parou em frente a sua garagem. Um homem vestido com um chapéu e batina preta saia dela.
— Senhor, não te disseram que não se para carro ou moto na garagem dos outros?
O homem abriu sua batina revelando uma pistola em sua cintura.
Marcos pôs sua mão pra cima à falar.
— A garagem é sua, fique a vontade. Tá com sede?
Mas o homem sem responder, virou-se contra alvenaria, cuja casa de Marcos é colada, e subiu ainda mais a ladeira, que dessa vez, ficaria ainda mais estreita e íngrime .
O coração de Marcos palpitava como se estivesse prestes a ter um infarto. Não sabia o que fazer. Sua razão dizia pra ficar no conforto de sua casa, mas seu espírito dizia: "Você não veio à Roma por histórias?". "Sim", respondeu ele a si próprio. "Então, meu rapaz". – voltou a falar seu espírito. "Talvez essa seja a história que te dará base para ser o mais novo best-seller do Brasil e do mundo, o que está esperando?".
Marcos, movido de soberba e curiosidade, se pôs a subir paulatinamente a ladeira. Não demorou muito para observar o jovem ajoelhado sobre os pés do homem.
— Tenha mi-misericórdia. – soluçava o garoto, olhando por todos os lados, mas sem achar salvação. Todas as casas fecharam suas janelas e portas. E nem o poste o ajudava, pois a luz apagada fazia daquele lugar um breu.
— Quem tem misericórdia é Deus.
— Mas o senhor é padre!
O homem permaneceu com sua face dura. Sacou sua pistola da cintura e levou o cano à face do meliante.
O jovem deu um grito histérico. A luz do poste começou a piscar freneticamente.
— Você é o diabo! Diabo travestido de homem de Deus, seu desgraçado. Vá ao...
O silencio tomou conta do lugar após um forte estrondo. A luz do poste mais uma vez se apagou, muito provavelmente, agora, para sempre.
— Inferno. – concluiu o padre, limpando o sangue de seu rosto com um pano branco que tirara de uma abertura em sua batina.
— Caralho. – deixou escapar Marcos em um português bem vívido. – Esse padre só pode estar encapetado, certeza.
Marcos, tirando seus olhos da cena que havia visto, de mansinho começou a desfazer a viagem que tinha feito, indo de volta para casa. Mas uma voz deferiu-lhe uma pergunta.
— Você não é de Roma, estou certo? – O homem descia a ladeira como se nada tivesse ocorrido.
O corpo de Marcos gelou.
— Te fiz uma pergunta.
— Está certo, sim. Sou do Brasil. – Marcos apertou os passos, mas o padre parecia acompanhar seu ritmo.
— Como veio parar aqui? – continuou sua série de indagações colocando a mão sobre o ombro de Marcos, o fazendo parar.
— Sabe como diz o ditado. – risos forçados saíram dentre os dentes de Marcos, que olhava a face do padre. – "Quem tem boca vai à Roma". – Mas o homem continuou severo, então Marcos continuou. – Estou escrevendo um livro que se passa na Itália.
— Então veio à Roma à procura de histórias?
— Sim.
— Muitos, procurando estórias, encontraram verdades e morreram, sabia?
— Não. Não, senhor. – inspirou profundamente. – Espero que isso não ocorra hoje, não é mesmo? – Mostrou ao padre seus dentes amarelos.
— Verdade. – disse o padre. – Mas, infelizmente, vai. – O padre sacando a pistola, puxou o gatilho fazendo o projétil adentrar o crânio do promissor escritor. — Odeio quando inocentes morrem.
Indo em direção à garagem que havia estacionado, abriu o baú sobre a moto e tirou dela uma vela e acendeu para Marcos, colocando-a sobre sua barriga.
— Que Deus o tenha. – Tirando o chapéu negro de sua cabeça, apoiou contra o peito enquanto encarava o corpo no chão.
Após minutos de luto, tirou do bolso de sua batina um celular e digitou para seu colega:
"Missão cumprida, Herbert. Alvo morto. Uma alma branca teve de ser sacrificada pelo bem comum. Sabia demais."
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O Tiro Saiu Pela Culatra
AdventureNem tudo acontece conforme planejamos. E não seria diferente para os jovens que vivenciam "O Tiro Saiu Pela Culatra". Muitas coisas acontecerão antes, durante e após a viagem "perfeita" que planejarão fazer. Coisas boas acontecerão? Sim. Ruins? Tam...
