-Uma garota se jogou do vigésimo andar.
Exclamou alguém com um olhar curioso sobre mim, olhei distraída e para minha surpresa era minha mãe, não reconheci aquele timbre de voz, onde a preocupação estava em torno.
-Ah, vai ver ela não estava aguentando mais. Falei sem dar importância alguma.
-Ora, Luana! Que insensível de sua parte, poderia ter sido alguém conhecido de sua escola.
Reviro os olhos e olho para frente, seguindo o caminho.
Minha mãe consegue as vezes, ser tão estranha, penso comigo mesma. Se a garota jogou-se, problema dela, não há justificativas para isso, e se tem, morreram junto com ela.
Checo o telefone observando uma música qualquer que passa, parece tudo tão repetitivo, ao ver que a loja está fechada, olho para trás e digo para minha mãe:
-Mãe, está fechado!
-Hum... E agora?
-Agora nada, voltamos para casa. Exclamei sem paciência alguma.
Estávamos voltando para casa, como de costume estava indo em frente e minha mãe logo atrás, ao ver que o wi-fi conectou, recebo um monte de mensagens.
-Hum, algum namoradinho está te mandando mensagens? Quem é ele? Você nunca fala sobre garotos, mas já vi que está com um. Carla fala em um tom de risada.
Ao olhar para ela, Luana mostra que é relacionado a garota que morreu.
-Deu em tudo que foi notícia... Parece que foi a Jennifer que morreu.
-Jennifer? Você a conhecia?
Suspiro pesadamente, antes de responder.
-Sim, eu conhecia... Ela era namorada do Caio, antes dele ter feito aquilo com ela...
-Aquilo?
Entro às pressas, antes que minha mãe me encha de perguntas, e corro em direção ao quarto, me tranco e sento, olhando para a janela, o céu se encontrava totalmente escuro, com certeza iria chover.
-Será que está chovendo em sua homenagem Jennie? Se eu pudesse ter feito algo, talvez você ainda estivesse viva. Falo me encolhendo em mim mesma, e ao sentir algo quente em meu rosto, me deparo que estou chorando. Mas eu não posso chorar, simplesmente não posso, afinal você fez o que tinha que fazer, correto? Você tinha que ser libertada, de alguma maneira. Mesmo você tendo apenas 15 anos, você tinha que ser libertada. Pergunto-me como deve estar sua mãe, com tudo isso, ela parecia ser a única que se importava com você, naquela casa, se é que eu posso chamar "aquilo" de lar.
Se pelo menos alguém soubesse o que tinha ocorrido, poderíamos ter te salvado.
Adormeci naquela noite de forma estranha, sonhei com a Jennie e tudo que houve com ela, mas acordei em um susto ao ouvir alguém desesperado pedindo por socorro, ao despertar não havia nenhum som, apenas uma garota pálida e suada, se encarando no espelho e um quarto bagunçado. Vejo o horário, e já está de madrugada, 03:15 para ser mais exata. Tento dormir novamente, mas não consigo, pego então meu celular, e ao ver a tela, vejo que a polícia local, iria abrir uma investigação sobre o caso da Jennifer, possivelmente não conseguiriam acreditar que ela havia se jogado, porque de fato é intrigante, uma garota que estará começando a vida, dando um ponto final a ela. Acesso meu telefone, indo até o Facebook e começo a ver fotos onde a Jennie sorria, ela era linda, embora ainda seja estranho dizer, "era". Suas sardas nas bochechas, seu cabelo ruivo, o sorriso branquinho, o corpo magro, a cor dos olhos castanhos claros, as bochechas rosadas, e a pele branca, perfeita para quem a visse.
Adormeci e acordei por volta de 10:00 da manhã, fui em direção ao banheiro, escovei os dentes, fiz xixi, e tomei um banho frio. Desci as escadas, vi que minha mãe havia deixado um bilhete dizendo que precisou ir ao mercado, mas que tinha deixado torradas e geleia de morango, voltando em cerca de uma hora, comi uma maçã, e me sentei no sofá, liguei a TV e o noticiário falava sobre a morte repentina de uma adolescente e de como a família dela estava devastada.
-O pai dela não está nem um pouco devastado, esse desgraçado...
Vejo que já se passa dás 11:30 e decido me arrumar para à escola, tomo um banho novamente, lavando meus longos cabelos pretos, ouço um barulho de alguém entrando em casa.
-Filha, cheguei.
Ah, é apenas minha mãe, penso comigo. Termino o banho, coloco a farda, e uma calça preta rasgada nos joelhos, pensando: eba mais um dia no inferno conhecido como escola, eita lugar tóxico! Arrumo minha mochila, e logo em seguida penteio meus cabelos, termino de me arrumar e desço.
-O almoço está quase pronto. Minha mãe fala ao me ver.
-Ah, está bem...
-Está tudo bem?
Apenas balanço a cabeça, em forma de sim. Nós almoçamos em silêncio, até que ela me pergunta:
-Vai querer carona?
-Se você puder... Sim. Respondo sem ânimo.
-Pegue suas coisas.
Subo rapidamente as escadas, pegando minha mochila e logo descendo com pressa, minha mãe já se encontrava no carro, ouço a buzina e vou até do lado de fora, trancando a porta. Entro no carro e coloco uma música qualquer em meu telefone, olhando para a janela, a abro um pouco, sentindo a brisa do vento em meu rosto.
Chegamos no colégio, minha mãe me dá um tchau, e eu aceno sem dar tanta importância.
-Você soube que a Jennie se matou?
Ouço uma voz familiar, era a Fernanda.
-Sim, Fernanda! Estava em tudo que é noticiário.
-Uma pena né? Ela era tão novinha e bonita, tinha um longo caminho pela frente...
-Uhum...
Se ela soubesse o que a Jennie sofreu, será que ainda diria isso? Me questiono, segurando forte em minha mochila e encarando o nada.
-Está tudo bem Lua?
Olho calmamente e era o Thiago, irmão da Fernanda, insistia em me chamar de Lua, mesmo eu não gostando.
-Está sim, obrigada.
O olho de forma calma, e me viro, em direção a aula, que em 5 minutos começaria. Ao entrar na sala, vejo algumas pessoas me encarando, mas simplesmente não ligo e me sento no fundo.
Alguém entra brevemente na aula, e comunica algo.
-Alunos, o suicídio da senhorita Jennifer, é uma pena, mas as aulas irão começar em instantes, apenas passei para dar um breve aviso sobre isso. Lamentamos muito, a perda de nossa aluna, porém ela deve estar em um lugar melhor, se precisarem de ajuda para isso, podem ir ao conselheiro e psicólogo de nossa escola, o senhor Thomas.
Chegaria a ser cômico se não fosse trágico, ouvir tais palavras de uma mulher que nunca se importou com os alunos, que certamente não ligava para o que aconteceu com a pequena Jennie. Mas quis dar uma de boa Samaritana, manter as aparências e dizer que temos o psicólogo, quando na realidade não temos ninguém. Porque eles só se importam, quando alguém morre, quando alguém deixa de viver, mas quando estava vivo, apenas olham para outro lado.
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Fear
Mystery / Thriller-estava fugindo de algo em minha mente, um suicídio repentino de alguém, seria capaz de mudar meus pensamentos e de quem eu sou? Como alguém próximo pode fazer com que sentimos tanto, e temos que fingir que não é nada? Por que tantos problemas, faz...
