Escolhas

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    Oi, eu sou Chamber, eu sei, nome estranho. Provavelmente é o nome de algum demônio ou coisa parecida, meus pais são satanistas, nem sei por onde andam ou em que se meteram, eu e meus irmãos fomos tirados deles bem cedo, graças a Deus, imagina a vida de cinco crianças na mão de dois lunáticos, eu não costumo quebrar a quarta parede, não costuma falar com quem me escuta, normalmente prefiro ignorar vocês, sim, eu sei que vocês estão aí, ouvindo cada pensamento meu, também sei que chegaram agora, que estão se perguntando que está acontecendo ou o que vai acontecer, bom, vamos lá…

    Ontem a noite eu e meus irmãos saímos para uma festa, crescemos em lares adotivos, mas agora que o quarto de nós completou 18 anos, os cinco se mudaram para meu apartamento, desde então moramos juntos, porém é a primeira vez que saímos pra nos divertir, pelo menos a intenção era se divertir, eu devia ter ouvido as vozes na minha cabeça dizendo não vá, mas como disse, nunca gostei de vocês, apesar que essas vozes sempre mudam e quem está me ouvindo agora não são as mesmas que me alertaram ontem ou as que me impediram de ter uma boa noite de sono durante minha vida.

    Bom, mas por fim a porra da festa era uma armadilha, nos prenderam em um porão e um a um desmanchamos com um gás estranho saindo das paredes, agora to aqui, falando sozinho pendurado por correntes em uma lugar escuro e frio, não tenho a minima ideia de onde estão meus irmãos, a única coisa que consigo ver é concreto e máquinas velhas, empoeiradas que não tenho a minima ideia de para que eram usadas.

    Passos parecem se aproximar por detrás da porta de metal, eles parecem andar por um corredor e não fazer a mínima questão de ser discretos, não demorou muito para chegarem até mim, mal tive tempo de temer o desconhecido, mas isso foi compensado pelo medo que senti quando a porta se abriu e pessoas com sacos velhos e sujos de graxa ficaram parados nela, mais ainda quando um deles, deveria ser o maior porque o cara tinha no mínimo uns dois metros, entrou na sala vindo em minha direção, como ele estava enxergando com aquela merda na cabeça?!

    Ele segurou minha cabeça com apenas uma mão, e acredite, não foi difícil, meu crânio cabia em sua palma e ainda dava folga, com a outra mão ele cortou minha testa, sinceramente eu estava esperando algo tão pior que fiquei aliviado, outra pessoa se aproximou segurando um jarro o pondo logo abaixo de mim, eu pude ver meu sangue pingar para dentro dele, lá, já havia uma certa quantidade de sangue, eu não era o primeiro, só consegui pensar no meus irmãos, se aquele sangue fosse deles espero que tenha sido apenas um corte na testa assim como foi em mim.

    Fala serio eu to falando com vocês essa porra toda pra ver se me ajudam, sera-se da pra mandar um sinal? Uma dica? Um recadinho, qualquer coisa, como eu saio desta merda. Depois de tantos anos isso é hora de ficar em silêncio?! Foda-se eu me viro.

    Comecei a forçar meu braço para sair das correntes, meu ombro já estava dolorido afinal eu estava de cabeça para baixo e todo meu peso estava sobre eles mas, agora, minhas juntas pareciam que iriam rasgar, quanto mais eu forçava mais doía, as correntes pareciam se balançar adaptando-se ao meu esforço, o tornando inútil, parei, respirei fundo.

    A vida jogou na minha cara várias vezes que quando algo parece impossível, eu consigo dar um jeito, não importa o quanto absurdo seja, eu e meus irmãos passamos por cima. Minhas mãos estavam amarradas em minhas costas mas me balancei até conseguir agarrar uma das correntes, a segurei com toda força empurrando meu corpo para cima, quando o peso afrouxou um pouco enrosquei meus pés em mais duas correntes me puxando ainda mais para cima, balancei meu corpo e quanto achei que era possível passar entre eles me joguei para frente caindo no chão. Puta que pariu que barulhão, estaria preocupado se não tivesse me contorcendo em dor causada pelo impacto.

    Se eu for bem rápido o barulho não importa, ele foram pra esquerda eu vou para direita acho meus irmãos e saio daqui, tudo certo, apenas mais um dia. Corri pelo corredor olhando em todas as portas que passei, até chegar na saída, sim, a saída, estava bem na minha frente, um portão enferrujado e de correr, seria algo maravilhoso se eu tivesse achado a porra dos meus irmãos, voltei olhando melhor em cada uma das salas.

    Eu tenho certeza que os doidos dos sacos vieram da direita, tinha sangue no jarro deles, então devia ter algum por aqui mesmo que não fossem meus irmãos, a não ser que, ele colheram o sangue e carregaram as pessoas? Isso não teria sentido podiam ter colhido o sangue no lugar que estivessem levando as pessoas, comecei a entrar nas salas e olhar por de baixa das mesas, atrás das portas, levantas os tecidos, mesmo os empoeirados dos quais eu sabia que não eram mexidos a meses, talvez anos.

    Nada, talvez eles tenham ido embora, afinal a saída eram logo ali, estranhamento fácil de encontrar, estranhamente fácil de fugir. Eu não sabia o que fazer, estava parado em um lugar onde a qualquer momento um psicopata poderia me encontrar. Se eu me der mal, prefiro que seja tentando fazer algo, não faz sentido os caras das máscaras carregarem eles depois de colher o sangue, mas, não tenho outra ideia, me esgueirei na direção que eles foram, que ideia de merda.

    no fim do corredor eu podia ver, pelo menos quatro pessoas encapuzadas, sequer se deram o trabalho de fechar a porta, eles estavam ajoelhados completamente coberta por seus mantos escuros, se tentassem mais um pouco podiam ser um cosplay do super homem de chernobyl, na frente deles estava pendurado o crânio de algum animal bizarro e de chifres longos, loga abaixo do crânio estava o jarro, agora com ainda mais sangue, e mesmo de onde eu estava podia ver bolhas se formando no líquido vermelho e estourando, criando sons que ecoavam pela sala, não havia fogo, não havia nada que explicasse aquela porra ta fervendo de uma forma tão bizarra.

    Eu tenho certeza que nenhum deles me viu próximo a porta, nem teria como, mesmo assim todos viraram a cabeça em minha direção ao mesmo tempo, assustado, senti frio de tanto medo, os pelos das minhas costas arrepiaram, mada não se comparam ao gosto ruim em minha garganta e a dor no meu peito quando identifiquei os rostos, meus irmãos, olhando para mim, segurando em suas mãos sacos sujos e ajoelhados para o crânio de um animal morto.

    O mais novo se levantou, ele tinha apenas 14 anos, enquanto nos quatros tínhamos quase a mesma idade, levando em conta que os gêmeos eram apenas 3 anos mais novo que eu e o segundo mais velho apenas 1 ano, o caçula era quase 9 anos de diferença, ele sempre foi tratado como especial por nós, sempre o que recebia mais carinho e mais atenção, e agora ele estava parado em minha frente sorrindo da forma mais distorcida que eu já vi, seus pulsos estavam cortados, lentamente os outros 3 se levantaram e um estouro mais alto veio do jarro os fazendo olhar para trás, em seguida assentiu, como se concordassem com algo, como se aquilo falasse com eles, como se entendessem o que a porra de uma bolha estourando queria dizer.

    Dei um passo para trás ainda confuso com o que eu devia fazer, mas senti minhas costas bater em algo e uma mão apoio-se em meu ombro, aqueles dedos eram familiares, as coisas faziam um pouco mais de sentido, pulei para frente me virando para quem estava atrás de mim, para meu pai e minha mão, para os filhas da puta que me botaram no mundo e fizeram questão de não deixar ter uma boa vida.

    Me senti encurralado, pelas pessoas que deviam me proteger, e pelas pessoas a quem sempre protegi, eu estava temendo, temendo quem devia me deixar seguro, dei passos para trás até a parede não deixar mais ser possível, e quanto mais as pessoas a quem eu devia amar se aproximavam, mais meu corpo tremia.

    As vozes na minha cabeça começaram a falar todas ao mesmo tempo, vocês começaram a falar todos ao mesmo tempo. Porque estão gritando? Estão torcendo? Estão tensos? Calem a boca. Calem! Não importa o que querem, porque acham que tem algum direito sobre minha vida, porque podem acompanhá-la vocês acham que é simples? Que o que querem vai acontecer? Bom, vai tomar no cú, eu não sou brinquedo de ninguém, não sou a vontade de ninguém, sou a minha própria, apenas minha!

    Eu, por mim mesmo, decidi que irei desistir, decepcionando tudo e todos, não irem lutar, sei que se eu quiser paz teria que matá-los e isso me faria igual a eles, fugir me faria temê-los para sempre, sentiria falta para sempre, fugiria para sempre mesmo se não viessem atrás de mim, então, irem apenas descansar. Se você que está impregnado minha mente de pensamentos discorda da minha decisão, então viva você sua vida, fazendo o oposto do que farei, por eu, eu já decidi, é apenas isto. Fim.

ChamberWhere stories live. Discover now