Uma menina amarela magrela de cabelo preto e amarrado em um coque simples, pequena, aparentando ter no máximo uns doze anos de idade estava se arrumando. Pegou um relógio de bolso de ouro, onde eram oito horas em ponto. Pegou uma cartola preta bem grande, feita de um material macio e opaco, com textura de camurça e colocou na cabeça escondendo totalmente o seu cabelo. Os olhos eram castanhos claros. Seus cílios eram longos e curvados. Vestira um vestido opaco, todo preto feito de um tecido nem muito fino, nem muito grosso proporcionando movimento e firmeza ao mesmo tempo, sendo a saia curta (na altura dos joelhos) franzida. Usava um espartilho preto e simples, amarrado na frente com uma fina e visível fita de cetim preta com um laço em cima e amarrado atrás com uma fina e visível fita de cetim preta com um laço em baixo. Calçara uma bota preta de cadarço preto nos seus pequenos pés. Nos cotovelos usava um pano preto para cobri-los. Um manto preto grosso e leve com capuz a menina colocou e amarrou dando um charmoso laço com uma fita de cetim preta perto do pescoço, onde havia uma gargantilha fina de correntes pequenas de ouro sem pingente, sem usar o capuz por causa da enorme cartola preta.
Era manhã. Estava escuro e nublado quando a menina saiu de uma velha cabana de madeira. Ela estava em uma pequena ilha deserta, com apenas uma árvore morta que havia ao lado da cabana no alto do único penhasco da ilhota. Andou em direção a uma praia rochosa, onde havia um pequeno barco na água azul-escuro do mar, junto às rochas.
Antes de embarcar no barco, olhou para o chão e achou uma chave de ouro pequena, antiga e decorada em alto relevo com diversos tipos de linhas. Na chave havia um buraco na ponta que serve para segurar e pendurar. Tirou a sua gargantilha e pendurou como um pingente a chave no seu pescoço.
A menina deixou a ilha depois de remar muito. Viu uma pequena garrafa de vidro tampada com uma rolha flutuando no mar. Ela pegou a garrafinha, que era um pouco menor que a própria mão, e viu uma caixinha de madeira pequena, decorada nas bordas, na fechadura e na dobradiça com ouro. Como não conseguiu tirar a rolha, quebrou a garrafinha e percebeu que a caixinha era algum centímetro maior que o espaço interno da garrafinha, pois a caixinha era bem menor que a palma da mão: aproximadamente uns cinco centímetros quadrados.
De repente, a chave de ouro da gargantilha começa a brilhar. Curiosa, a menina pôs a chave na fechadura e abriu a caixinha.
Inicialmente, dentro da caixinha estava escuro, e depois ficou claro e vazio.
Decepcionada, guardou a chave na gargantilha e pendurou no pescoço. A caixinha escondeu em um dos bolsos secretos do manto.
Ameaçava chover. Relâmpagos anunciavam a tempestade que chegava.
A menina avistou uma ilha bem longe dali. Começou a remar. Começou a chover. Não viu a tempestade que se formara. Por causa das ondas violentas, sua cartola ameaçava voar. Por isso, tirou a cartola, que voou, conseguiu pegar, caiu e bateu a cabeça no barco. Ligeiramente sentou-se e tirou duas fitas de cetim que estavam presas dentro da cartola. Amarrou a cartola na cabeça dando um laço. Uma onda afundou seu barco.
Em seu "mergulho", a menina fechou os olhos e sentiu ser levada para algum lugar. Quando abriu os olhos, tudo estava calmo: céu nublado e praia cheia de areia. Percebeu que a ilha se resumia a uma densa floresta desabitada.
Andou pela praia em busca de algo. Viu os destroços de seu barco. Desanimada, a menina andou por uma trilha na floresta, até ver um castelo de areia. Entrou no castelo. Viu três gatinhos: um preto, que observava dois peixinhos no aquário; um todo branco que dormia em seu cesto; e um cinza listrado de preto que dormia em um lugar que parecia com a cadeira de um rei.
A menina imitou perfeitamente a sua voz, falando igual a um gato:
— Miau!
O gato cinzento acordou, se espreguiçou e disse:
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Mundo Da Lua
Short StorySurrealismo e ultrarromântismo são o que definem os sentimentos da pequena menina de preto que ama viver no mundo dos sonhos atrás de gatos e amigos imaginários e sempre foge do assassino romântico.
