PARTE I
Rio de Janeiro - 01 / Janeiro / 2006
Era o fim do mundo para Cesar ter acordado cedo em pleno ano novo, ainda mais porque o primeiro dia do ano amanheceu em um domingo. Cesar foi dormir depois dos fogos de artifício, estava com os seus amigos para comemorar o Réveillon e pretendia acordar bem tarde. Ele preferiu não sair para curtir a noitada, para beber e rir, apesar de ser um rapaz muito amistoso e sociável, naquele dia não se sentiu muito bem. Sentiu que precisava de uma boa madrugada de sono. Ele não consumia bebida alcóolica, não usava nenhum tipo de droga ilícita, não procurava prostitutas para satisfazer os seus desejos libidinosos como faziam os seus companheiros porque crescera num ambiente religioso, ou seja, foi bastante influenciado a não entrar nesse estilo de vida para não dar "desgosto" aos familiares. A sua mãe era católica, o seu pai era evangélico e os seus falecidos avós, maternos e paternos, eram do candomblé.
Ele era um rapaz bem simples, negro, cabelos crespos e muito bem arrumados por ser vaidoso, olhos das cores do girassol, lábios fartos e avermelhados, músculos definidos, porém, delgados, dono dos dentes mais brancos e perfeitos que alguém já viu. Era muito bonito. Cansava de ouvir isso das meninas cariocas: "Eita, baiano lindo da zorra!" Mas tinha uma namorada que morava na sua região de origem e nunca se permitiu "traí-la".
Aos dezessete anos deixou a namorada e os seus outros irmãos com o seu pai, divorciado, na capital da Bahia para tentar a carreira como jogador de futebol no Rio de Janeiro, mas nada ocorreu como o planejado, acabou indo trabalhar numa fábrica de imóveis. Passou a morar na casa da tia de um amigo que, a propósito, o amou como se fosse da família. Ele queria ajudar na renda da casa mesmo ainda a matriarca certificá-lo de que não era necessário.
Apesar de as festas de Ano Novo terem deixado a cidade acesa por quase vinte e quatro horas, os seus barulhos não incomodaram o sono do garoto em seu quarto. Infelizmente fora despertado pelo próprio sonho qual o deixou bastante intrigado.
Ele levantou-se e sentou-se na beira da sua cama apenas de roupa íntima e meias, olhou para o relógio redondo na parede que marcava às exatas sete horas da manhã, foi para o banheiro escovar os dentes, mas antes teve que colocar os óculos porque não enxergava bem de perto e admirou-se pelo reflexo do espelho por uns instantes. Nunca sentiu-se tão radiante em toda a sua vida.
O baiano estava sozinho na casa onde morava de favor, acomodou-se no sofá da sala, ligou a televisão e tomou o seu café da manhã tranquilamente. Lá habitavam quatro pessoas, contando com ele: o seu amigo, a tia do amigo e a sua prima, filha da tia.
Tia Dulce, como a chamavam, era uma mulher branca, viúva, de cinquenta e três anos e os seus cabelos eram completamente grisalhos, não tinha todos os dentes na boca por isso usava uma prótese dentária que retirava sempre antes de dormir e a colocava num pote de vidro com água, a sua filha era a Eliana, uma mulher solteira de trinta anos que trabalhava numa loja de calçados e vivia a tingir os cabelos de preto porque a genética fizera as suas madeixas ficarem brancas mais cedo e essa pintura não a deixava bonita como ela desejava, pois, realçava a sua pele pálida e as suas olheiras. O sobrinho de Tia Dulce, que era o amigo de Cesar, se chamava Gustavo, tinha vinte e quatro anos e morria de esperar que chegasse logo os vinte e cinco, era bronzeado, tinha cachos castanhos e queimados o que tornava as pontas loiras, gostava de surfar, e conhecia o Cesar desde criança - pois, eram vizinhos -, desde quando morava em Salvador com o pai, mas o homem foi preso por algum motivo e pediu à irmã que cuidasse do seu filho.
Cesar tentou de todas as maneiras se tornar um jogador de futebol, mas o destino não foi tão generoso com ele e depois de, praticamente, dois anos, sentiu um desejo enorme de voltar para casa e tentar recomeçar com os seus projetos de vida. Queria fazer isso perto da sua família que tanto amava e comprou uma passagem de volta para a Bahia para a semana seguinte. Em quatro meses faria aniversário de dezenove anos, precisava estar perto dos parentes de sangue.
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Allogaj - Livro.2 - O Feiticeiro Das Luzes °DEGUSTAÇÃO°
Fantasy2006 - Cesar Bragança era um jovem excelente, filho de pais divorciados, que levava uma vida muito simples e tranquila, até descobrir que possuía magia das luzes dentro de si. Sua magia foi sentida por uma jovem que o convidou para participar de um...
