“-Minha filha não! – Eu podia ouvir minha mãe implorar e chorar.
Meu pai me abraçava forte e acariciava meu cabelo, conseguia ouvir seus soluços e suas lágrimas molhavam meu ombro. Minha mãe também chorava e acariciava meu rosto.
Tentei abrir os olhos com todas as minhas forças e assim que os abri pude ver pessoas correndo desesperadas, algumas caídas no chão, crianças choravam e gritavam por seus pais.
O cabelo platinado de minha mãe, Helen, estava bagunçado, seu rosto estava vermelho e pálido. O cabelo preto de meu pai, Ivan, estavam bagunçados e colados em seu rosto por conta do suor. Ele havia lutado também... Os olhos verdes de minha mãe estavam me encarando e os olhos turquesa de meu pai moviam-se para todos os lados, como se pedisse socorro ou procurasse alguém.
-Filha por favor, fique conosco. – Minha mãe implorou soluçando.
-Eu amo vocês... – Fiz um esforço para falar, minha voz estava fraca. – Amo meus irmãos...
O gosto do sangue surgiu em minha boca, não conseguia falar, fechei meus olhos novamente.
-Papai... Mamãe...?
-Estamos aqui, minha menina... – Ivan sussurrou, percebi que estava tentando se manter forte.
-Podem... – Tossi cuspindo um pouco de sangue, minha mãe soluçou alto. – cantar para mim?
Mesmo ambos fracos e chorosos, eles começaram a cantar a melodia para me fazer dormir sempre que eu estava com medo ou triste...
Eu queria meus irmãos comigo, então me esforcei para imaginá-los do meu lado.
Eu estava morrendo, meus pais sabiam disso, eu também sabia…”
A vida é irônica não é?
Uma memória da minha morte da minha antiga vida surge no mesmo momento em que estou agonizando no chão de uma floresta.
Pressiono o corte na minha barriga, lágrimas caem enquanto tento não gritar para não chamar a atenção dele.
Tento respirar, tudo dói. Não quero morrer. Por favor… socorro! Choro o mais silenciosamente possível.
Olho assustada entre as árvores na minha frente. Não consigo sentir a energia da pessoa, pode ser ele.
Não posso morrer assim!
Muriel, em sua forma de coruja, está caído desacordado ao meu lado. Preciso de você Muriel, acorde!!
Preciso remover o selo que me deixa sem meus poderes. Somente com a ajuda de um vampiro ou mago ou bruxo, eu sou uma bruxa mas sem meus poderes não posso fazer isso.
Ouço passos, qualquer mínimo movimento me faz sentir dor, não me movo. Estou com medo e perdendo muito sangue.
Por favor… alguém me ajude…
Fecho os olhos esperando quem quer que seja se aproximar. Não posso simplesmente desistir.
A pessoa se aproxima, continuo imóvel. Sinto a pessoa se abaixar na minha frente, ela está perto mas não tanto para que eu sinta sua respiração.
Sinto uma mão em meu ombro e faço o que eu estava planejando. Agarro o punhal escondido atrás de mim e abro os olhos para ferir aquela pessoa.
Uma voz masculina que não reconheço segura meu pulso com força e me prende no chão. Não enxergo direito porque estou quase desmaiando.
A dor está insuportável.
-Não é possível… – ouço o homem dizer e me soltar como se eu tivesse dado um choque nele.
Foco meu olhar no rosto do homem tentando usar o resto da minha força e sanidade para ver quem é.
É, a vida é uma ironia mesmo.
-Julian – sussurro antes de apagar.
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Ironias da Vida
FanfictionMorte... Para mim é impossível não ter medo dela. Eu tenho, você não? Sou bem experiente em questão de morte. A vida até ri da minha cara... Hey, não se preocupem, não sou uma assassina, mas meus irmãos são. Meu nome é Malu, não importa meu sobrenom...
