Prólogo

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Havia poucos locais longes da Capital, mas a Abadia de Sant'Ana era uma exceção. Sua arquitetura quase medieval dava uma visão pavorosa e gratificante para os que viam de fora. Suas paredes de pedra, de um cinza escuro, era o que mais chamava a atenção. Em alguns lugares, a vegetação quase cobria as paredes. As trepadeiras se agarravam à parede e apenas não tomavam as janelas.

O monsenhor, padre Klaus, havia ido a uma visita por alguns dias para verificar se os boatos que rondavam o local eram verdadeiros. Mas agora ele corria... Desesperadamente. Seu rosto de um pânico profundo penetrava por entre as paredes, procurando um ponto por onde fugir.

Seu agressor, décadas mais novo, corria obstinadamente logo atrás, apontando um revolver para o velho sacerdote. O agressor utilizava um hábito franciscano, embora não o fosse.

 O padre virou num corredor rapidamente e ouviu um disparo atrás de si. O barulho da bala ricocheteando o fez cambalhotar na corrida. O agressor virou para o corredor logo atrás, apontando a arma e pressionando o gatilho.

Padre Klaus viu que era o fim da linha. Estava em um corredor sem saída. As portas de madeira rústicas ao seu lado há essa hora estavam todas trancadas. Só o que viu, olhando para o seu agressor e depois se virando de costas, era um belo crucifixo e uma placa grafada logo abaixo, onde se encontrava escrito: Kyrie Eleison.

O padre se ajoelhou na parede rezando e seu agressor andou calmamente até ele, elevando a arma até sua cabeça. Pronto para disparar. Mas isso não aconteceu. Os olhos do padre olharam amorosamente o crucifixo e depois voltaram-se para seu agressor. Sua batina estava suja e surrada, dando-lhe uma visão humilde. E depois disse, levando a mão ao peito, com um rosto, agora, calmo: "Perdoai-os, pois não sabem o que fazem!". Logos após isso, o crucifixo começou a emitir uma luz branca que irradiava por todos os lados, deixando o agressor atordoado. A luz vinda do crucifixo ficava cada vez mais forte dando para o padre ver, antes de suas últimas palavras, o rosto de seu agressor.

Sem dúvidas aquele velho sacerdote já o tinha visto antes. Seu rosto juvenil lhe era permanente na memória. O jovem agressor olhou espantado para o crucifixo e depois para o sacerdote ajoelhado no chão. Agora a luz havia tornado as paredes acinzentadas e o carvalho escuro das portas em puro branco. O jovem, virando-se para trás, fez o sinal da cruz e correu para fora. O padre virou-se ao crucifixo, lacrimejou uma gota e depois se silenciou.

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