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Eu me chamo Josef, e o que aconteceu comigo foi o seguinte:
Eu estava esperando na janela a minha mãe, roendo unhas, e até os dedos. Foram 5 horas, mas denuncio que foi a semana toda.
Ela chegou com o que eu queria, mas ainda não foi o bastante.
Mais um século para ela abrir a caixa, e quando finalmente abriu, não chegou como eu esperava.

Agora eu estou conversando com uma psiquiatra, e ela está me dizendo que eu sofro de ansiedade e TOC, pois preciso alinhar tudo, sabe, em grades, e arredondo números decimais para o número par mais próximo. Ela me passou um remédio.

Não sei porquê, sempre fui muito dormido na vida, não parei pra pensar na forma que recebi o remédio, e tomei.

Como eu fui parar na beira do último andar? Minha mãe me perguntou o mesmo, mas eu não sei.
Inicialmente, apareceu um homem no sofá, ele me disse muita coisa sobre mim, ele sabia tudo, ele sabia mais de mim que eu mesmo, e isso me assustou de início. Ele abriu meu guarda-roupas, vestiu uma roupa minha e pediu pra que eu olhasse a janela. Fiquei maravilhado com a paisagem, e quando eu me virei de volta, ele não estava mais lá e o espelho me apresentava com as roupas que ele pegou e usou.

Em seguida, eu estava em... pode parecer ridículo mas, eu estava dentro de uma bolha, no fundo do oceano, e tinha várias baleias diferentes se esticando acima de mim. Seja lá onde eu estava, era muito, muito longe da superfície. Passei horas subindo e admirando as baleias que mais pareciam macarrões cozidos afundando na água, e rindo, rindo muito. Fui atacado por um... tubarão?
Achei que seria dilacerado, mas voltei à minha casa, não exatamente dentro dela, mas entre o lado de dentro e o de fora, no sexto andar. Minha mãe novamente me levou lá.

Eu não lembro o que aconteceu naquele dia, mas lembro que logo após eu me assustar com a gigantesca aranha que subia o corpo da psiquiatra, ela pediu pra que eu explicasse com o quê eu me assustei, e após alguns exames dela, fui trancado numa sala acolchoada. Para sempre eu diria.

Remédios, alucinações, dormir, acordar numa situação um tanto que constrangedora; essa era minha rotina.

Hospício à Céu abertoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora