Em um instante perdido pelo meu tempo, meus olhos haviam sido abertos, porém não conseguiam ver, confuso pela escuridão do ângulo, o som percorria pelos meus ouvidos, o irritante barulho do despertador alertando horário de partir, mesmo não querendo prosseguir.
Estava ciente das circunstâncias, não poderia demorar, em poucos instantes um despertador humano iria subir as escadas para me forçar a levantar. Mesmo com os ouvidos abafados pelos travesseiros, era possível se ouvir o barulho de passos subindo as escadas do primeiro andar, que aparentemente suas madeiras estavam podres.
Quase pegando pelo sono novamente, escutando através da escuridão que me ocultava pelo cômodo, da mesma origem do rugir da porta, se expandiu a luz do corredor, cobrindo em direção exata à meu rosto, mesmo ocultado pelo edredom, a luz afetava minhas vistas como estacas.
Assim, o barulho de passos estava cada vez mais próximo, até que por fim, o meu ponto seguro ao frio da noite escura havia sido puxado a fora dos meus braços. Não sei se chega lá, mas me senti como uma mãe quando arrancam seu próprio filho dos braços.
Com a luz atingindo por todo meu corpo, o destacando pelo cômodo repleto pelo escuro, a visão havia voltado a sua base, um pouco desorteado havia encarado aquela que era a causa do meu sofrimento de todas as manhãs, ouvindo o som da sua majestosa voz, que pelo descerramento percorrendo pelo meu corpo, estava incapacitado de interpretar suas palavras.
Mas claro, seria o meu fim a qualquer momento, e esse momento é agora. Em questão de segundos uma palma pesada, com seus cinco dedos esticados havia dado de impacto a minha região facial, a força foi a suficiente para tirar a posição do meu rosto, a dor percorrendo pelo meu corpo, havia cortado qualquer relato que venha do desorteamento, a substituindo pelo susto repetino com a dor da minha face esquentando com o tapa sobre meu rosto.
- O-oquê?! - Havia dito sentindo a sensação que a mulher a minha frente fez questão de transmitir a mim. Logo após, com os olhos arregalhados, havia colocado a mão direita sobre a área atingida, a alisando levemente.
- Você estava parecendo um zumbi, Lancy! - Ditou a mulher a minha frente, andando em direção a minha cama, retirando tudo que estava a cima dela, colocando dentro do armário, assim, abrindo a cortina do quarto. No mesmo segundo havia sentido meus olhos queimando puras chamas. Tentando recuperar o sentido visual, me aproximei dela.
- Isso não é justificativa para me bater, Vó! - Havia gritado em um tom estressado, logo saindo do cômodo e indo em direção ao banheiro, começando os preparatórios para escovar meus dentes.
- Hoje você tinha que até acordar mais cedo, sua mãe vem te buscar para você morar com ela, e de lá, terá uma nova escola. Bem.. Pelo menos foi no primeiro dia de aula, não é? - Ditou minha vó com aquele tom doce dela, sua voz era o suficiente para me acalmar do estresse de todas as manhãs.
Enquanto a ouvia, captando que não moraria mais com sua vó, meus olhos haviam começado a dilatar, terminando de escovar os dentes, em passos acelerados corri em direção a minha vó, a abraçando confortavelmente.
- Vó, muito obrigado por tudo. Okay? - Havia dito apertando-a, dando um beijo sobre sua bochecha.
- Hã? Se agradecendo por que? Criança, você é minha razão, eu não faço por obrigação ou favor, eu faço por prazer e amor. - Havia dito a idosa, abrindo seu simplesmente lindo sorriso, mesmo com sua aparência demonstrando sua idade avançada, aquele sorriso era de uma jovem apaixonada. -- Agora rápido, termine de se arrumar, criança! -- A idosa ditando, havia beijado minha testa.
-- Tá, tá, estou indo, Vó. - Digo indo novamente em direção ao banheiro, dessa vez, iniciando um banho.
Depois de tomar banho e ter me vestido com roupas comuns e simples, já tendo arrumado a mala, havia descido as escadas de forma espreguiçada, passando pela sala da entrada, passando pela sala de jantar e chegando na cozinha, dando de cara a minha mãe, conversando com minha vó, em frente a geladeira. Por algum motivo que não havia entendido, mas percebido, minha vó estava secando suas próprias lágrimas.
-- É... Aconteceu alguma coisa? -- Digo caminhando em direção a geladeira, pegando os preparos para o meu café da manhã.
-- Possue quantos anos, Lancy? -- Ditou a mulher do lado da minha vó, minha mãe, com seu tom autoritário de sempre.
-- 14 anos, por quê? -- Ditei colocando os ingredientes na mesa, indo em direção aos armários, iniciando uma obtenção dos preparos para o meu café da manhã.
-- Nada, nada não. Enfim, termine seu café, estou lhe esperando no carro. -- Ditou minha mãe, saindo do cômodo, logo após, saindo da casa.
Depois de preparar, comer, havia subido para pegar as malas, logo apos descendo, encontrando minha vó nas escadas, seus olhos estavam extremamente vermelhos, aparentava ter chorado muito. Enquanto passava, havia a abraçado e perguntando oque havia acontecido, mas fui surpreendido com a resposta de apenas um "eu te amo muito.", e logo após ela caminhou em direção a sala. Não havia entendido, estava extremamente confuso, mas minha mãe havia businado com o carro, não tinha mais opção. Por tanto, havia me retirado da casa, indo em direção ao carro, e por fim, entrando nele.
- Oque aconteceu com a vovó? -- Havia dito me sentando no carro, guardando as malas. Porém, havia sido respondido com o silêncio, enquanto minha mãe partia com o carro em direção a distante da casa de minha querida vó.
Day 13 .
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Stuck on me.
RomanceStuck on me, em português, preso em mim, é uma história baseada no tema de uma pessoa oposta ao cisgênero, representando seu ponto de vista, de sua história, sua vida, seu desenvolvimento psicológico. A história possue a protagonista nomeado ao...
