A vida é um circo. Pessoas vem se divertem, depois simplesmente lhe deixam.
Seria até engraçado, se não fosse tão trágico.
Ter amigos é a consequência da palavra ‘social’, inofensiva para outros. Terror para outros.
A pequena e frágil garota de 13 anos, sempre teve medo de perder coisas, ou pessoas demais. Mas não importava quanto se esforçasse. Sempre se afastavam de si.
Ela não se achava normal, mas só teve a confirmação quando por um momento, entre o pique-esconde um garoto tocou-lhe. Ela por sua vez começou a hiperventilar, tremer e balbuciar palavras distorcidas. Seu subconsciente por um momento a puxou do chão, lhe levando a um lugar escuro e sem vida, mas com uma voz um tanto grossa demais falando.
Idiota
Mimadinha
Inocente
Fresca
O seu primeiro diagnóstico veio logo depois, transtorno de ansiedade social.
Sua vida depois disso passou a ser “planejada” pelos pais. Hospitais, clínicas, psicoterapia, tudo não parecia funcionar, frustrando seus pais e consequentemente, lhe machucando.
Odiava conversar, forçar uma conversa forçada.
Ela morria aos poucos, com cada preconceito, cada discussão de seus pais. Até o divórcio, seu pai foi embora sem olha-la uma última vez.
Foi nesse dia, talvez por sorte, ou quem sabe, uma divindade. Sua mãe a encontrou no quarto com os pulsos cortados e desmaiada.
No hospital, seu segundo diagnóstico foi feito. Automutilação.
Dois meses de tratamento na ala de psicoterapia. Com sua mãe a vendo todos os dias por trás dos vidros que teve certeza. Que talvez pudesse dar uma chance a vida.
Seu pequeno e precioso fio para viver, estava a esperando do lado de fora da clínica.
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Time
Non-FictionCada palavra solta, um pequeno pedaço do meu coração quebradiço encontra seu caminho de volta. A cada lágrima derramada uma letra borrada. O tempo é o mais traiçoeiro de todos os filhos da puta... E o mais amigo que o mais íntimo de todo...
