Eu levava uma vida normal por assim dizer, no auge dos meus 21 anos, morando na mesma cidade pacata desde sempre, vivendo aquela vida padrão que com certeza é a realidade da maioria das pessoas.
Não que isso seja ruim, na verdade eu gostava até, a vida parecia bem mais simples.
Lembro exatamente o dia em que tudo mudou, como não lembrar, era inverno e fazia frio, naquela noite gélida em que eu nem deveria ter saído de casa. Mais sabe como é, a paixão nos faz agir de maneiras que contradizem a razão. A minha namorada havia terminado comigo uma semana antes do ocorrido, eu estava em pedaços pois a amava muito, e em choque por ter sido uma coisa tão inesperada, afinal, éramos muito felizes, tudo parecia estar indo super bem.
Não era muito longe da minha casa até a da minha ex, pouco menos de 3km. Quando sai de casa era em torno de umas 23h de uma noite de segunda. Ao meu lado já havia umas 8 garrafas de cerveja, o som estava ligado tocando musicas que me deixavam ainda mais indignado. Vesti uma calça jeans, um tênis da nike que ela havia me dado no meu aniversario e uma blusa preta com uma estampa em inglês que eu não fazia idéia do que significava. Nem passei perfume, deixei o som ligado do jeito que estava, só fechei a porta e fui a caminho da casa dela.
Era uma noite fria, ventava forte e no ceu se formavam nuvens de chuva. Achei poetico, de certa forma refletia exatamente o que eu estava sentindo, a brisa fresca me acalmava aos poucos, de modo que eu nem percebi que já tinha andado tantas quadras.
O alcool já havia subido pra cabeça, eu me sentia um pouco tonto e em meio aos meus passos apressados, refletia sobre tudo que estava acontecendo. Distraído acabei entrando em uma rua estreita que passava nos fundos de uma escola abandonada, uma voz la no fundo me alertava para não ir por ali, mas em meu estado de embriagues eu nem ligava pra nada.
De repente um raio cortou os céus e por instantes um clarão tomou conta do mesmo, depois disso a noite ficou bem mais escura, a lampada do poste da rua que eu passava começou a piscar, talvez por conta do mesmo raio que havia cortado os céus.
Estava eu ali pensando _ vai chover _ enquanto olhava para o céu escuro, tomado por nuvens pretas, esperando ansioso pela trovoada que viria a seguir e no exato momento que o céu estrondou, senti minhas costas ficando quente, a luz se apagou. Eu estava meio tonto por causa do alcool e quando a luz do poste voltou a ascender eu pude ver rapidamente uma sombra em meio a toda aquela confusão. Cai no chão sem entender o que estava acontecendo, as minhas costas queimavam, ao levar minhas mão no foco de calor, as vi manchadas de sangue.
_ Sangue? _ Pensei comigo mesmo sem entender muito bem o que estava acontecendo. Aos poucos fui perdendo a consiencia, meu corpo foi se adormecendo e a ultima coisa que senti foram as gostas de chuva caindo sobre o meu rosto que observava ao chão aquele céu escuro.
Um filme começou a se passar em minha mente, parecia ser eu quando criança, só que eu não tinha certeza, estava tudo confuso, foi ficando mais e mais confuso, memorias que não eram minhas, mas com meu rosto, embaralhadas em memorias que eu me lembrava e por ultimo, o ultimo rosto que me lembro, o da minha namorada sorrindo para mim. E assim tudo se escureceu.
Nãosei se foi um sonho, mais do alto eu via a luz do sol varias pessoas ao redordo meu corpo, minha mãe e minha namorada ajoelhadas ao lado do meu corpochorando, e de longe uma pessoa encapuzada observando em meio as sombras, umapessoa que com certeza não deveria estar ali. Depois disso eu me senti leve,via as estrelas, as galáxias, planetas, me senti perdido ao meio de um vaziosombrio e frio, e essa foi minha ultima lembrança.
