Abri lentamente meus olhos, acabei adormecendo em meio as minhas lágrimas do dia anterior.
Fique de joelhos e olhei para o tumulo ai meu lado, ainda não podia acreditar em tudo aquilo, eu só queria acordar daquele pesadelo horrível. Abaixe minha cabeça até o chão e fechei meus olhos.
-Mamãe...me acorde desse pesadelo, você está viva não está?
O silêncio retumbante...a brisa suave do vento balançando meus cabelos bagunçados e cheio de neve e a minha alma, por saber que ela nunca responderia minha pergunta...eu nem mesmo precisava disso pois já sabia...ela não estava viva mas eu me negava a aceitar.
Um arrepio sublime veio a mim, pela primeira vez eu senti frio...eu senti tudo ao meu redor, frio, medo, raiva tudo.
Eu queria chorar mas já não possuía mais lágrimas para derramar, meu coração estava despedaçado e seus fragmentos confusos, "Por que?", "Oque eu sou?", "Um demônio...?".
Levantei minha cabeça dessa vez ao céu , uma pintura cinza e escura , pequenos flocos de neve caíam e logo se juntaram neve.
- Um anjo...não é?
Minha mãe era um anjo e eu tive que descobrir isso da pior forma. Ergui minhas mãos a minha frente.
Olhei o sangue seco daquela que não pude proteger.
- Entendo...sim agora eu entendo, a culpa é minha eu não pude fazer nada, sou apenas uma criança fraca...
Mas voltando meu olhar ao céu eu refleti mais um vez
"Mamãe as vezes mencionava o Bom Criador...Deus não é?"
- Então onde está esse Bom Criador? Onde está esse tal Deus? Por que ele não salvou ela? Por que? Por que?!
Serei meus punhos, e senti um ódio incontrolável. E naquele dia eu percebi que Deus não se importava comigo...ou com minha Mãe ou com alguém, Deus não se importava com nada...aquilo me motivou de certa forma, toda aquela raiva e ódio me deram forças para me levantar , aprendi que não adiantava apenas se lamentar.
Voltei até minha casa , agora mais fria e vazia do que nunca.
Consegui me manter com oque havia psra comer por alguns dias...e nesse período eu levava flores para ela todos os dias; mas eu sabia que logo teria que ir embora pois a comida acabaria.
Me aproximei ao túmulo dela me abaixei e olhei bem para ele , a terra remexida agora estava coberta com a neve que caia as flores que eu trouxe a ela, as pedras que empilhei atrás do seu túmulo.
- Mamãe...eu vou ter que partir agora, mas eu te trouxe isso.
Coloquei uma violeta que crescia a beira do riacho , sua cor roxa e com detalhes e tons negros únicos se destacavam de todas as outras flores.
- É a sua favorita, lembra de quando fomos no riacho , você tinha gostado tanto dela colocou uma em sua orelha, o seu sorriso estava tão radiante quanto o sol, você é realmente linda Mamãe. Bem... eu sinto muito sua falta...me desculpe por não poder ter feito nada mas eu quero que você saiba que eu realmente te amo.
Lágrimas caiam agora na neve sumindo na imensidão branca e um sorriso gentil se formou em meio as quentes lágrimas.
Seu sorriso sempre viverá dentro de mim, eu te amo...adeus Mamãe.
YOU ARE READING
Sobre as Cinzas do Inferno
ParanormalAs cinzas de uma vida infernal caiem sobre uma pobre criança que desde pequeno sente o amargo gosto da vida e da morte, um olhar triste em meio ao desespero um coração quebrado , essa é uma história que vai além de humanos,anjos e demônios é a minha...
