Um

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Acordo com o som do toque do alarme do celular, pego o mesmo de cima da mesinha, e desligo. Vou até o meu carrinho de medicamentos, pego o que tem escrito manhã. Pego um copo de água, engulo tudo, e ponho de volta no carrinho.
Volto para cama, pego meu notebook e olho alguns vídeos e fotos da minha família. Olho a hora no relógio, eram 8:30, vou até o banheiro, e toco o botão para chamar a Marie para me ajudar no banho, por quê com tantas coisas enfiadas em mim, eu não conseguia tirar sozinha. Na verdade, conseguia só tinha medo de me machucar mais.

- Já é hora do banho? Achei que ainda estaria dormindo. - ela diz assim que chega no banheiro. - Na verdade, depois do que houve ontem achei que dormiria até amanhã.
- Obrigado Marie. Por tudo. - digo ainda rindo do que ela disse.

Ela sorri pra mim, e me ajuda com as roupas. Logo me ajuda com os tubos, e o local por onde conecta o tubo C, é por onde os nutrientes entram no meu estômago.
Logo acabo meu banho, me arrumo, e vejo Marie sair, então vou pegar um livro para tentar ler, e esquecer um pouco o barulho "relaxante" do hospital.
O tempo passa rápido aqui, ou pode ser apenas a minha vida acabando mais rápido do que eu vejo.
Levanto da cama, deixo o livro lá. Coloco meu respirador, pego a bolsa de oxigênio, precisava dela para qualquer lugar, já que só menos de 50 % dos meus pulmões funcionam normalmente e levo também minha máscara para evitar que eu respire em alguém. Saio do quarto, com destino ao 3 andar, precisava ver um pouco do sol, pelo vidro de lá. Não posso sair tanto no sol, o gás produzido a luz do dia, é extremamente tóxico pra mim. Já que passavam vários carros pela frente do hospital e grande parte deles com fumaça negra.
Chego na vidraça e fico olhando para o horizonte, a cidade, e tudo que tinha por ali, pássaros voavam, pessoas andavam. Tudo se movia tão rápido, e junto com isso, meu tempo ia junto. Saio de perto do vidro, e vou em direção ao elevador, vou olhando o piso, estava bem cintilante, o Sr. Gibbons caprichou mesmo. Enquanto olhava o chão, esbarro em algo, ou alguém.

- Desculpe. -digo levantando meu rosto devagar.

Quando olho o rosto da pessoa qual eu tinha esbarrado, era um garoto, alto, magro, cabelos negros curtos, cortados em uma espécie de short hair. Seus olhos eram de um tom de preto com castanho. Vejo seus olhos, tinha um toque de tristeza.

- Com licença. - digo e me viro para ir para saída mas, minha bolsa acaba escorrendo por meu braço, e preciso ajeitar minha máscara.

Logo sinto uma mão pegando minha bolsa antes de mim, olho e vejo o garoto com um sorriso no rosto, e aquilo sinceramente me irritou.

- Eu nunca a vi por aqui.
- Você vem aqui todos os dias? - pergunto e ele me entrega a bolsa.
- Sim. - ele responde - Qual seu nome?
- Elizabeth. E o seu?
- Liam. Muito prazer. - sorrio para o mesmo.
- Tenho que voltar, a gente se vê por aí. Se você voltar para o hospital. - sorrio e me retiro.

Vou para a porta do elevador e o chamo, já que estava no 4° andar e agora iria para o 3°, onde ficava a ala infantil. Entro no elevador, vou para lá, saio do mesmo e assim me dirijo para o quarto das crianças com câncer e outras doenças bem complicadas de serem curadas, crianças que não sabiam se morreriam ou não. Ou sabiam que seu tempo de vida era bem curto.
Bato na porta, e uma enfermeira me manda entrar. Entro e as crianças vem em minha direção, me abraçando. Agradeço por minha doença não ser contagiosa, que eu posso abraçar essas crianças.

- Liza!! - elas gritam. - Que bom que você veio.
- Não perderia o show de vocês por nada. - digo sorrindo

Olho ao redor e vejo uma menina sozinha, e quieta no canto, ainda não havia visto no hospital. Ela parece ser nova por aqui. Vou até ela, ainda com minha máscara no rosto.

- Olá. - digo sorrindo e ela me olha. - Você é nova por aqui não é?
- Sim. - ela diz baixinho
- Qual seu nome?
- Laura.
- Que nome lindo, sabia que ele significa "Vitoriosa" "triunfadora"? É um ótimo nome.
- Não sabia.
- Você carrega um nome forte. Me chamo Elizabeth.
- Iluminada.
- Exatamente. Por isso que no halloween eu coloco várias luzinhas em mim. - ela dá uma risada
- Vim pra cá a quase dois meses. Nunca te vi por aqui. - ela diz.
- Eu estou no andar de doenças crônicas. - digo sorrindo - Você pode sair do quarto?
- Sim, só não gosto se sair. Não tenho motivo.
- Agora você tem. O que você tem? Sua doença.
- Câncer nós pulmões. Estágio 2.
- Nossa. Você é tão nova.
- Você também. Eu tenho 15 anos.
- Tenho 19.
- A mesma idade do meu irmão mais velho. - ela sorri.
- Podemos ser amigas Laura?
- Desde que cheguei aqui, você foi a única pessoa que sentou aqui para conversar comigo, além dos médicos.
- Vamos aproveitar o show. - sorrio pra ela e a mesma levanta de sua cama.

As crianças começam a fazer suas apresentações, elas dançavam e sorriam, era muito lindo como elas pareciam por um momento não se importar com o fato de estarem doentes. E apenas viviam. E sorriam.

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Annyeong-haseyo! Turu bom? Espero que gostem. Obrigada por lerem! Byeeee. 🖤

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⏰ Last updated: Feb 18, 2022 ⏰

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