| Amicia Rolanth |

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15/09/2019 | 4h30 da madrugada



Eu não me lembro de nada. A luz da lua me mantém acordada, ela estava linda, cheia, parecia brilhar para mim, somente para mim. Essa era a vista que tinha da janela com grades de ferro do quarto, que será meu por um tempinho, apenas o céu estrelado e a grande lua.

O cômodo era pequeno, tinha uma mesa de madeira, uma cama de metal e um criado do lado, tudo cheirava a coisas velhas, o chão era de mármore e as paredes brancas, as luzes pareciam estar com defeito, já que estavam apagadas. Quando me levantei, percebi que estava algemada a cama, meu pulso até doeu com o puxão que dei. Em cima do criado tinha uma bandeja com alguns comprimidos e um copo com água, avistei um bilhete encostado no copo e o peguei.

"Senhorita Rolanth,

Por ordens médicas, é necessário que você tome os remédios das bandejas todos os dias para que se trate mais rapidamente. Ainda não consegui marcar uma visita por tanto as notícias sobre o julgamento chegarão mais tarde através de uma carta.

Obedeça os médicos e evite contato com os outros.

Antensiosamente,

Sr. Milliorne, seu advogado."

Mas que porra ele quer dizer com isso? Desde quando eu tenho um advogado?

Me esforço para me lembrar de alguma coisa, pelo menos um mínimo detalhe para que alguma memória brote na minha mente e tudo se esclareça. Não quero ficar por aqui muito mais tempo, credo, parece uma jaula cheio de defunto. Esses remédios, me recusei a os tomar, vai que é cocaína, algum remédio para viciados, vai saber? Pego a bandeja e jogo os comprimidos pela janela, bom pelo menos eu tento, alguns remédios caem após acidentalmente esbarrar o recipiente na parede. Ouço passos pesados se aproximando, parecia ter mais de uma pessoa, e pareciam estar nervosos pela altura do tom de voz.

-Senhora Rolanth, não torne a situação mais difícil!

-Me larga seu filho da puta, nem sei o que estou fazendo aqui!

-Para aguardar seu julgamento, agora ande menina, não quero que você acorde seus companheiros.

Afinal, não estava sozinha, e não era a única a desconhecer a situação na qual me meti.

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