Madrugada

4 2 0
                                        

 
Me desculpe, eu sei que não me arrependo de nada, é como se tudo fosse sobre mim, um roteiro escrito por mim mesmo, um filme ruim, alguém desesperado por drogas ou bebidas alcoólicas não tem lugar no mundo, minhas histórias muito menos, são severas e melancólicas, sempre citando o vento, como algo efêmero, ou seja, tudo? Sempre gostei da ideia do amor, mas nunca daquela ideia de amar, é sempre como se os pássaros tivessem algo a ver com isso, me diga, eles tem? acho que não, mas pássaros se apaixonam.
 Eu te amei por treze meses e você me amou por três, não entendi muito bem essa parte, mas acho que em dezesseis meses eu estava completamente fudid*, como um náufrago, um vestígio, algo de algo, por isso a necessidade em drogas e álcool, mas não drogas, apenas cigarro e remédios, as dores de cabeça sempre vem, junto da olheira e dos pressentimentos ruins, por passar a noite em claro você acaba passando o dia em escuro, é uma sensação boa, devo admitir, dormir. O mundo simplesmente apaga junto dos seus problemas.
 Perdi a linha por alguns segundos, mas enfim, estou de volta, não se isso importasse, aliás, nunca importa, eu sempre estou bêbado, então é difícil dizer o que aconteceu há dezoito meses atrás, bem, eu me apaixonei, é isso que o amor faz com as pessoas, obrigam elas a amar por treze meses, sendo que foram amadas só por três, e fazem elas sofrerem por cinco, até agora é cinco, não sei por quanto tempo ainda vou encher a cara, minha salvação não é a bebida, se quer saber, minha salvação é a madrugada, que bate na porr* da alma.

Madrugada Where stories live. Discover now