Noto a professora Mirian me encarando, ela levanta-se da cadeira próxima ao quadro e, no mesmo instante, bloqueio a tela do celular, guardando-o cuidadosamente na bolsa. Observo a professora desfilar entre as fileiras, mas mantenho minha mão fixa no mesmo lugar, dentro do bolso pequeno da mochila roxa. Estou esperando ansiosa qualquer sinal de comunicação da minha irmã, apenas uma vibração, é só o que quero hoje. Mirian para ao meu lado, encosta-se na parede, maldita mania de sentar no último lugar. Quando ela percebe que já finalizei a atividade, passa adiante.
– Amiga, vamos lá pra casa fazer o trabalho de inglês! – Erica avisa.
Conheço Erica a vida toda, nossas mães são melhores amigas, e nós duas viramos melhores amigas quando começamos a estudar juntas no sétimo ano do ensino fundamental. Quando criança, costumávamos brigar por besteiras como: ''Essa boneca é mais bonita", ou "Você não quer brincar comigo!" E não vamos esquecer do clássico "Essa roupa é minha". Esse era o motivo para eu gostar mais do seu irmão, o Gustavo, meu melhor amigo de infância. A gente costumava brincar escondendo a boneca de Erica, ela não sabe, mas existe uma coleção de bonecas enterradas no seu quintal. Nós três somos melhores amigos até hoje, e nada nunca mudou, é como se eu também fosse irmã deles.
– Você vai faltar ao ensaio de ginástica? – Pergunto.
– Sim, um dia não vai matar ninguém, não é mesmo?
– É, se Suely não cortar nossas cabeças, não. – ela deixa uma risada escapar.
Ela se afasta, e andando para trás, grita:
– Te aguardo em casa depois do colégio!
Ela esbarra em João, um colega da turma. Erica olha para ele seriamente e em seguida olha para mim revirando os olhos.
– Olha por onde anda...
João me olhou arqueando a sobrancelha, ele faz que não com a cabeça. Coloco o capuz do casaco e clico ''play'' na música de AnaVitória. Começo a digitar mais uma mensagem para Lívia.
Lana F. (08:19): Porque não atende? Já te liguei umas dez vezes.
– Alana? – Ouço um eco de alguém me chamando, meu estômago se revirou e um calafrio subiu por toda espinha até a nuca. Será que é ele? Olho para cima, e solto os ombros, liberando todo o ar no ambiente.
– Ah, é só você... – Jefferson me encara sorrindo. Jeff é o menino mais inteligente do colégio, sempre está com as notas altas, ele é alto, pardo, e tem um corte de cabelo que quase nunca parece cortado.
– Olha por onde caminha, pode encontrar Carla por aí – diz sem tirar o sorriso do rosto. Ah, e tem sua voz. Ele tem uma voz perfeitamente linda, não é grossa, não é fina, é no tom perfeito para uma boa musica de MPB, e nos passeios em grupo, é o que leva o violão– Aí já sabe o que acontece, tolerância 0 de celular no colégio...
– Ela contratou você pra espionar a gente? – Questiono e o sorriso no rosto dele se desfaz. Ele pega o celular da minha mão e estica o braço numa altura inalcançável para alguém que tem apenas 1,60cm.
– Jeff... me devolve! – Salto dando um tapa em sua mão, e quando percebi, o celular escorrega e dar de cara com o chão.
– Mais que... merda! – Pego mais rápido do que o vi cair, e quando o viro, lá está: a tela trincada, metade preta, linhas verdes. Essa capinha por acaso é falsa? – Ah... Não, não, não, não!
– Eita, essa não era a minha intenção, deixa eu ver... – viro-me.
É proibido trazer celular para escola, isso só pode ser castigo divino! Agora como vou chegar em casa dizendo que quebrei? Minha mãe vai ficar uma fera de 20 metros.
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Um Não Conto de Fadas
RomanceAlana Fernandes nunca imaginou que o último ano da escola poderia ser tão complicado. Ela se vê em um dilema cheio de aventuras e expectativas após beijar um amigo de infância. Um beijo que transforma toda a história que ela conhecia sobre si mesma...
