Capítulo 1

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O dia havia começado como qualquer outro na vida de Marcelo, assim que acordou ele rolou na cama e pegou seu smartphone como sempre fazia todas as manhãs antes de ir para o colégio. Mas dessa vez as coisas pareciam diferentes, primeiro ele notou que o sistema Wi-Fi, responsável pelo sinal de internet sem fio, estava sem sinal. Não que aquilo nunca tivesse acontecido antes. Rapidamente ele viu na caixa de mensagens uma conversa de seu amigo Mário.

"Cara, coisas estranhas aconteceram nessa madrugada e certamente você não deve estar sabendo. A internet simplesmente deixou de funcionar em todo o mundo!"

O jovem Marcelo passou a mão na cara como se aquilo fosse apenas mais um dos delírios e histórias de seu amigo. Ele pensou um pouco, tomou seu café da manhã rapidamente enquanto esperava sua mãe voltar do trabalho. Feito isso, voltou para seu quarto e resolveu ligar para Mário, que prontamente atendeu como de costume apesar de morar em outra cidade.
- Alô, Mário? Que diabos de história é essa da internet ter "sumido" do mapa? - começou Marcelo.
- Ah, cara. Você não vai acreditar! Até o momento todos os meios de comunicação ainda não divulgaram nada, mas ao que parece, a coisa pode ser bem séria mesmo.
- Eu ando com a cabeça cheia de coisas, trabalhos do colégio, afazeres de casa, problemas com meu pai. Então se você puder me dizer realmente o que está acontecendo, eu agradeceria muito.
- Mano, vou te dizer uma coisa: "ferrou" para todo mundo. Digo isso de uma forma literal. A coisa toda começou depois das 03:00 horas da manhã, quando 90% de todos os servidores mundiais começaram a falhar. Logo em seguida, o pessoal das redes sociais por todo o planeta começaram a relatar o ocorrido.
- Ficou sabendo de algo mais?
- Sim, um contato anônimo saiu avisando a todos sobre um possível ataque terrorista cibernético ou uma provável aliança global interna entre o pessoal do G8, que são os governos dos oito maiores países mundiais.
- E por conta disso, todo o tipo de imprensa está proibida de divulgar qualquer tipo de informação mais profunda relacionada a isso?
- Positivo, mas o certo é que você deveria sair logo aí da cidade e me encontrar na divisa entre as cidades onde estamos, pois fiquei sabendo também que a qualquer momento os serviços de telefonia serão cortados.

Marcelo suspirou, mesmo com o coração acelerado, ele parecia acreditar na história de seu amigo e prosseguiu para o final da conversa.
- E onde seria nosso local de encontro? Posso aproveitar que hoje é domingo e dar uma saída, minha mãe não se preocuparia tanto.
- Talvez não, mas as coisas estão para mudar, tenha certeza disso. Só me encontre o mais rápido possível!
- Qual o motivo de tanta urgência?
- O que você acha que vai acontecer depois que todos os usuários de internet ao redor do globo estiverem sem sinal por mais de 3 horas? Insanidade total! Eu já estou aqui na cidade onde você mora, me encontre no supermercado mais conhecido da região. Temos muito o que conversar. Você tem menos de 10 minutos.
- Certo, estarei saindo daqui a pouco.

Ao término da ligação, Marcelo sentiu um clima estranha no ar, como se tudo realmente estivesse mudando para pior. Antes de sair, ele deixou um bilhete explicando um motivo qualquer para sua saída e que voltaria ao anoitecer ainda com tempo para o jantar.

Como morava próximo ao centro da cidade, Marcelo não demoraria muito para chegar até o supermercado. Ele pegou carona com um vizinho que estava de saída e passaria ali perto. Minutos depois, ao descer do carro, Marcelo percebeu que o estabelecimento estava um pouco mais movimentado do que dias anteriores. Ele olhou de um lado para o outro procurando por seu amigo, até que teve a ideia de ligar. Mas antes que pudesse tirar seu smartphone do bolso, alguém se aproximou por trás e segurou sua mão.
- Eu acabei de te avisar: nada de ligações!

Ao olhar de lado, viu que se tratava de Mário, seu amigo de longa data, quase um irmão.
- Não precisava me assustar desse jeito depois de tanto tempo sem aparecer, seu idiota. - respondeu Marcelo com um sorriso amigável.
- Deixe as cordialidades para depois, precisamos sair daqui. A merda foi atirada no ventilador...
- Quando você chegou na cidade?
- Desde que fiquei sabendo das coisas, fiz o que tinha que fazer e vim direto te ver.

Os dois saíram dali e seguiram até uma praça pouco movimentada naquele mesmo bairro para que pudessem dialogar sem interrupções e tranquilidade. Mário estava vestido para viagem e trazia consigo uma mala com pertences, Marcelo estava vestido para passeio e trazia consigo apenas seu smartphone. Ao se sentarem, Mário olhou irritado para seu amigo de infância.
- Jogue isso que tem dentro do seu bolso fora.
- Apenas me dê um bom motivo...
- Todas as conversas que tivemos anos antes, toda aquela coisa sobre conspiração se tornou real.
- Merda! - Marcelo atirou o aparelho no chão com toda a força que tinha, destruindo-o quase por completo.
- Agora podemos começar de verdade.

Mário cruzou os dedos entre as mãos num ato de cautela, Marcelo apenas observou.
- As pessoas sempre estiveram perdidas, céticas demais, idiotas por todas as eras, consumidas pelo ódio e inveja. Criaram ciência e religião para explicar o que nunca saberão: sua real origem. Tudo é apenas teoria e o que existe de fato entre tudo são eles mesmos, nós, humanos. Então olho para eles e vejo o quanto nós não evoluímos o quanto deveríamos, não conseguimos atingir nossas próprias expectativas. Nos ridicularizamos por décadas rastejando como vermes em nossos próprios preconceitos, deixamos de lado o fator sentimental e o substituímos pelo capitalismo sem fundamento. E é isso tudo o que está para acontecer agora...
- Sempre fomos idiotas o suficiente para não entendermos disso - completou Marcelo.
- E agora a dívida será paga com desastres, sangue e mortes. Quando as pessoas consideradas normais chegarem em suas casas e não mais tiveram suas coleiras de internet, ficarão agressivas. Tudo para elas se tornará inútil e fácil de destruir, inclusive suas próprias vidas.
- Você está falando de um suicídio em massa em escala global?
- Isso mesmo, essa coisa nunca esteve tão longe de acontecer. Nunca estivemos preparados para tal desgraça.
- E você acha que podemos fazer alguma coisa contra?
- Impossível, agora o que nos resta é esperar pelo pior. As próprias pessoas irão se destruir.

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