"Just let me know;
I'll be at the door, at the door;
Hoping you'll come around;
Just let me know;
I'll be on the floor, on the floor;
Maybe we'll work it out."
Harry Styles - Meet Me In The Hallway
Eloise Parker tinha toda sua vida sob controle:...
"I still wanna be your favourite boy I wanna be the one that makes your day The one you think about as you lie awake And I can't wait to be your number, your number one I'll be your biggest fan and you'll be mine But I still wanna break your heart And make you cry" Rex Orange County - Best Friend
Eu nunca tive problemas relacionados ao término de uma relação amorosa, quer dizer, até agora. Todos os meus poucos relacionamentos amorosos cultivados ao longo dos meus vinte e um anos são resumidos em traição, tédio e mau hálito, provavelmente essa é a razão do porquê eu nunca realmente sofri por amor. Quando meu primeiro namorado, Sean, terminou nosso "longo" namoro de um mês durante o recreio da escola, eu esperava me desfazer em lágrimas como os inúmeros filmes que assisti tinham me mostrado, mas a realidade foi que a única coisa que consegui fazer naquele momento foi dar de ombros, dizer "Tudo bem" e voltar a comer meu bolo recheado. Todos os meus relacionamentos tinham sido decepcionantes até que conheci Adam, meu mais atual ex namorado e motivo das minhas primeiras lágrimas amorosas. Para qualquer pessoa que olhasse para nós dois, não combinávamos, éramos opostos que se atraíam de uma maneira especial. Ele, com seu cabelo dourado e olhar carismático, pareciam ir de encontro ao meu cabelo escuro e olhar inevitavelmente hostil. Nosso relacionamento, que durou dois anos, nunca tinha passado por nenhum momento de crise e era o que muitos consideravam um "namoro estável", ou seja, era perfeito para ambas as famílias. Era perfeito até que Adam terminasse tudo por mensagem. Um simples e rápido texto de desculpa com uma explicação fajuta do porquê não dava mais para continuar a relação. Minha reação ao ler o mísero texto foi surpreendente, lágrimas caíam do meu rosto em uma velocidade mais rápida que a dos meus dedos ao voarem no teclado do celular e escrever uma resposta digna de uma premiação. Por isto, pela supresa ao perceber que tive minhas primeiras lágrimas após um término amoroso e por perceber que sou solteira novamente, estou sentada há três horas no sofá encarando a infeliz mensagem fixamente e esperando pacientemente por meu melhor amigo e colega de apartamento chegar de seu trabalho para me ajudar e fazer ótimas margaritas enquanto me escuta falar de todos os motivos pelo qual estou melhor sem o Adam por perto. Quando penso em desistir de esperá-lo e resolvo abrir o vinho barato que compramos há quase um mês, escuto o barulho da porta. – Boa n... – Harry, meu colega de apartamento e melhor amigo, para na soleira da porta e observa a bagunça que a sala de estar se encontra, denunciando meu surto pós-término – Eu não lembro de ter saído para trabalhar e ter deixado essa sala de estar um caos. – O Adam terminou comigo. – falo enquanto levanto do sofá e o observo entrar e trancar a porta. Harry levanta as sobrancelhas em sinal de surpresa e joga seu casaco e mochila ao lado da porta. – Eu não quero ser irritante e repetir o que sempre falo, mas você merece coisa melhor. – Eu sei disso, droga. – começo a sentir as lágrimas pinicarem no cantos dos meus olhos – Eu só... não sei. Eu não esperava que ele fosse terminar tudo, pelo menos não agora. – Talvez tenha sido uma coisa boa na sua vida, um recomeço – ele fala e vem em minha direção, abraçando-me logo em seguida. Eu não sou uma pessoa que gosta muito de abraços, na verdade, eu não gosto de forma alguma, mas quando o Harry me abraça parece simplesmente certo. Não existe nenhum outro abraço que me conforte mais. – Eu acho que não, isso só me parece um lembrete de que vou realmente morrer sozinha cheia de gatos e cápsulas de café espresso. – Meu Deus do céu, El, para com esse drama. – ele fala enquanto me afasta um pouco para levantar meu queixo e me encara – Você é a mulher mais fantástica que eu já tive o prazer de conhecer e você sabe disso, eu não vou aceitar que você fique se lamentando por um cara qualquer que não soube lhe valorizar e que usa os chinelos com meias. – Eu já te expliquei que ele tem vergonha dos pés e por isso usa meias sempre, – reviro os olhos enquanto tento segurar o riso – mas obrigada, Harry. Juro que vou tentar agir como essa tal mulher fantástica que você falou. – Isso mesmo, agora senta aí enquanto faço um jantar para a gente porque estou morto de fome. – após falar isso, Harry vai para a cozinha e coloca uma musica de alguma estação da rádio enquanto sento nos bancos altos da bancada. Olhar o Harry cozinhar e tocar violão sempre foram coisas que apreciei muito fazer. Sua leveza e concentração ao fazer essas duas coisas em especial são tão sutis e naturais, que demorei um tempo até perceber como seus movimentos eram determinados ao fazê-los. Observo-o fazer o jantar e pouco tempo depois o ajudo a arrumar a mesa e colocar a comida. Quando sento na cadeira em frente à sua me surpreendo com o barulho que minha barriga faz e percebo que não comi nada desde a manhã. – Isso aqui é o paraíso. – falo colocando uma garfada considerável na boca e jogando a cabeça para trás. Harry solta uma risada quando vê minha reação ao provar a comida e prova também. – Caralho, eu não sabia que cozinhava tão bem. – Tão modesto... – Com certeza, eu estou só falando a realidade. Acho que está na hora de comprar um daqueles aventais de cozinha com um desenho de um homem musculoso semi-nu. – Tem certeza que no seu caso não seria uma mulher semi-nua? – provoco-o enquanto coloco um pouco de vinho em nossas taças. – Você é muito engraçada mesmo, Eloise. Hahaha. – eu solto uma risada diante do seu comentário irônico e começamos uma conversa amena sobre os acontecimentos do dia. Harry conta sobre seu dia na agência de modelos em que trabalha e como anda seu rolo de quase seis meses com uma das maiores modelos da agência que, por sinal, também é uma das maiores idiotas que já conheci. Seu namoro com Harry durou somente algumas semanas e desde então os dois só mantém contato para quando um dos dois quer sexo. – El, não acredito que nós dois estamos uma sexta à noite em casa sem fazer nada logo depois do seu namorado terminar com você. -ele fala. – Eu estou muito bem, obrigada. Vou aproveitar esse momento da minha vida para comprar uns chocolates e fazer uma maratona bem longa de alguma série inútil na tv. -me levanto na cadeira e levo meu prato para a pia. A última coisa que preciso neste momento é barulho de alguma festa cheia de gente bêbada e ter que ficar em um salto enorme por muito tempo. – Se você quiser, você vai, eu acho que vou ficar em casa hoje. – Você sabe que não vou sair pra festa e deixar você sozinha em casa assim, e, na verdade, eu só quero sair para você se descontrair e beber um pouco, nesses momentos a melhor coisa que você pode fazer é se soltar. – Por que eu não posso me soltar aqui em casa? – termino de colocar as coisas na pia e Harry coloca as coisas que sujou. – Porque você precisar conhecer pessoas novas e dançar. – ele fala me seguindo até a sala, onde me jogo no sofá. – A parte de conhecer pessoas novas não me convenceu e eu posso dançar aqui. – Se você disser que vai eu prometo que a gente vai naquele bar de rock novo que abriu. – ele fala com um sorriso no rosto. Droga, ele realmente me conhece. Ele sabe que eu estou louca para ir nesse bar desde que abriu no mês passado. – Já que você prometeu... – levanto do sofá e passo por ele enquanto encaro seu sorriso convencido – mas pode ter paciência porque aquele bar é muito arrumado e preciso encontrar uma roupa que seja ao mesmo nível. – Sim, senhora. Eu tenho toda a paciência do mundo. – reviro os olhos para ele e sigo para o meu quarto.
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Depois de quase uma hora, olho-me no espelho mais uma vez e fico satisfeita com como estou. A blusa de seda sem manga é simples, mas combina perfeitamente com a calça jeans preta e a bota, deixando-me exatamente como eu queria estar: fatal. Passo mais uma vez o batom vermelho e dou mais uma bagunçada nos meus cabelos. Agora sim. Saio do quarto e vou para a sala, onde Harry me espera impacientemente batucando os dedos nas pernas no ritmo de alguma musica. Quando o olho faço uma cara de surpresa imediatamente. Nós dois estamos vestidos praticamente iguais. Harry levanta do sofá e tem a mesma reação que eu. – Isso que é sintonia, viu? – fala sorrindo – Eu acho melhor a gente ir logo porque os meninos me mandaram mensagem avisando que lá está lotado. – Quem é que você convidou? – Só o pessoal de sempre e o namorado novo do Axel. – Namorado novo? – Sim, parece que aquele italiano que ele namorava não deu certo... enfim, eu já cansei de tentar acompanhar o namoros dele. – sorrio diante o comentário e pego minha bolsa pendurada atrás da porta. – Pronto? – Sim. Pode ir pegando o carro na garagem que eu fecho a porta. – Harry fala e me entrega a chave de seu carro. Sigo para o elevador e em poucos instante estou na garagem abrindo a porta do carro. Quando já estamos dentro do carro e no caminho para um dos mais famosos bares de Nova York, Harry coloca uma musica. – Não credito que logo antes de irmos para um bar você vai colocar essas suas músicas calmas. – falo enquanto troco de playlist no celular conectado ao rádio. Em poucos segundos os acordes de "Come As You Are" começam a tocar e Harry vira para mim sorrindo. – Eu não acredito que você disse que as musicas dos The Beatles são "essas suas músicas calmas". – E eu não acredito que você quer ouvir uma musica toda calminha antes de ir para um lugar super barulhento. Depois de muito engarrafamento chegamos ao bar e procuramos um lugar para estacionar. Entramos na fila preferencial graças aos contatos de Harry e em pouco tempo estamos dentro do bar. O lugar, mesmo eu já tendo ouvido que era muito bonito, me surpreendeu. Apesar da decoração moderna, alguns detalhes do ambiente são clássicos, o que combinou perfeitamente com o estilo de musica tocando. Encontramos em meio à multidão a mesa do nosso grupo de amigos e nos direcionamos para lá. Enquanto nos empurramos entre as pessoas para chegar ao lugar, só consigo pensar uma coisa: Essa noite promete.